Santuário Nossa Senhora da Agonia
  •  Av. N. Sra. da Agonia, s/n – Bairro N. Senhora da Agonia - CEP 37500-970
  • Itajubá-MG - Tel: (35) 3623-2512 – E-mail: pascom@nsagonia.com.br

Padroeira

Nossa Senhora da Agonia

HISTÓRIA 

Existe em Viana do Castelo, Portugal, um Santuário é dedicado a Nossa Senhora da Agonia e está situado próximo do mar.

A Virgem Mãe foi invocada com o nome de Agonia pelos pescadores daquela cidade, em virtudes de estares em tantas vezes em perigos de naufrágio. O mar ali é bravo e quando movidos de tufões, atira as embarcações contra uma falésia denominada “Penedo Ladrão”.

As famílias dos pescadores no cais, assistem angustiadas à luta de sobrevivência daqueles homens. De joelhos, elas chamam pela Senhora da Agonia, numa fé comovedora. Lembram – Lhe os seus maridos, filhos e irmãos, que além do amor que lhes voltam, são o seu sustento.

Os pescadores da costa marítima nortenha ali vão implorar ou agradecer as vidas que esta Virgem Mãe lhes consegue.

Desde 1700 datas da construção de santuário, as peregrinações foram se sucedendo e aumentando de ano para ano. Assim, deram início aos grandes festejos da Senhora da Agonia. Tão notável se tornou essa festa que de muitas nações da Europa se desloca muita gente a Viana do Castelo. Não vem só para implorar à Senhora, mas como turismo, assistindo aos fogos maravilhosos dos pirotécnicos vianeses que orgulhosamente, na sua terra os ostentam.

Estão, em primeiro plano, as cerimonias religiosas, que inclui uma procissão marítima em louvor à Senhora da Agonia, organizada por pescadores. É encantadora, original e comovente.

Efetuam-se as grandes touradas, atraindo especialmente a gente espanhola que anima com a sua vivacidade e alegria a cidade. Embora sejam divertimentos que não traduzem devoção, no entanto, quem lá vai não deixa de visitar o Santuário, rezar e homenagear a Virgem, que assumindo diversos nomes, é sempre a mesma e Grande Mãe.

Este texto oi retirado de uma carta escrita pela Irmã Maria do Carmo da Santíssima trindade, nascida em Viana Castelo, e hoje enclausurada no Carmelo Santa Teresinha, localizado na cidade de Benevides – PA.

Transcrevemos, a seguir, uma poesia escrita em 1957, cujo o autor é o pai dessa irmã Carmelita.

SEGREDO DA AGONIA E A GENTE DO MAR

José Lomba

1 - A senhora da Agonia
Quis, ali, o seu olhar,
Para velar, noite e dia,
Pelo 0s que partem e chegam
E que, com risco, navegam,

Por sobreas águas do mar;
E, quando ruge a procela
E sopra rija a ventania,
Ao entrar da barra, é Ela
Quem os ampara e os guia
Ali, da sua capela.

2 - Grosso, o mar tem vindo a Mais…
E, as mulheres, muito aflitas,
Rompem aos gritos de cais
Ao ver a vida dos seus,
Em risco certo de morte;
Os braços erguem aos Céus
E, choram a sua sorte,
De olhos postos na capela,
Ajoelhadas, contritas

Imagens de dor, benditas,
Rogam, voltam para Ela: 

3 - Minha Virgem da Agonia
Salvai, Senhor, o meu “ home”!
Ai, se ele a vida perdia!…
Vai–se o pão de cada dia,
Morrem–se os filhos de fome!…

E todos estão pequenos…
São já dez – afora o resto!
Tende dó dos meus meninos…
Cabem abaixo de um cesto!

São do pai toda a alegria,
Desvelo dos seus caminhos…
Ó Senhora da Agonia,
Não deixeis – eu morreria!
Que fiquem orfãozinhos!…

 4 - Ó Senhora da Agonia,
Diz a mãe dum pescador,
Como vós, eu fui, um dia,
Viúva, cheia de dor;
Na amargura dessa hora,
Ficou-me ao peito, Senhora,
Um fruto do meu amor;
É já hoje, um homenzinho…
Como o pai, vive a pescar,
Anda naquele barquinho,

Quase preste a naufragar!
Senhora, Vós fostes Mãe,
Como eu, de um filho só;
Sofreste, como ninguém!
Foi, sem par, o Vosso dó;
Porque viste Teu Jesus
Morrer nos braços da Cruz;
E ali, nesse barquinho,
Vês, com a morte a luta,
Um rapaz…é o meu filhinho!

Poupai-me, Senhora, a dor,
Que tu já sofrestes, um dia!
É, o meu filho…o meu amor.
Não o deixeis afogar,
Na grande cruz desse mar! 

5 – Oiço uma nova formosa,
Com olhos dum verde-mar,
Convida, receosa,
Olhos fartos de chorar,

Em torrente copiosa,
Que as vagas vai engrossar,

A dizer, baixo, com ela:
- Ó vil “Penedo Ladrão”. 

6 - Virgem da Agonia,
Trazei-o a meus braços,
Que o mar poderia
Comê-lo aos pedaços
Prometo, Senhora,
De rastro, a andar,
Levar-Te uma vela
Que hei de acendê-la,
No Vosso altar. 

7 – O mar caiu, num momento;
E o barquinho a soçobrar,
Com vergas e velas partidas,
A bordo, com tantas vidas
Já cansadas de lutar
Contra o mar e contra o vento,
A Senhora da Agonia,
Já quase ao findar do dia,
Traz a porto e salvamento. 

8 – Passado que foi um dia
Dessa tormenta tamanha,
Toda a gente da companha
Foi à Igreja da Agonia
Com promessas valiosas,
Levar a vela rasgada
Pela fúria do tufão;
Já envolta em lindas fitas,
Levemente perfumada
Por flores muito bonitas
Entre as quais brilhavam rosas

E camélias do Japão.
E, no mais chocante grito
De sincera devoção,
Cantando alto o “Bendito”,
Empreito de gratidão
A lembrança daquele dia,

A vela foram deixar
Estendida aos pés do altar
Da Senhora da Agonia. 

O SENTIDO DO TÍTULO AGONIA

Pode – se acreditar que a devoção à “ Nossa Senhora da Agonia” está estreitamente ligada ao poema que Jacopone de Todi dedicou à Mãe de Jesus, na sua agonia aliada à agonia de Cristo na Cruz.

Agonia, no seu cindido primitivo, significa aquela luta angustiante entre os gladiadores, diante da multidão ululante, sedenta de sangue.

A vitória de um deles era a garantia da vida, que estava em jogo, numa luta, sem quartel, onde a morte de um seria a sobrevivência e a vitória do outro.

Dai, a extensão do sue sentido à luta do moribundo contra a morte eminente, indo mais além, à angustia diante do sofrimento, que parece não ser possível de ser superado.

Jacopone de tode, nascido em 1228, de família ilustre, se casou com uma mulher muito rica e viveu uma vida bastante mundana. Em 1268, repentinamente faleceu sua esposa e sua vida mudou inteiramente.

Vendeu tudo o que tinha e deu aos pobres e tornou – se religiosos, mas não chegou ao sacerdócio.

O amor divino tocou- – lhe tanto o coração, que fazia chorara constantemente: “Choro dizia ele, porque este amor não é amado!” E essa luta pelo amor de Deus, levou – o a lhe inspirar os mais belos poemas em louvor às dores da Virgem ao pé da cruz, dores estas que ele mesmo sentia na luta para alcançar a paz e a salvação da sua alma.

“Stabat Mater Dolorosa” é um de 20 estrofes onde o autor canta a luta angustiante de Maria, diante do sofrimento, da luta e da morte de seu Filho Jesus, pela nossa salvação.

Por um homem, entrou a morte no mundo, por outro Homem, a morte e o pecado foram vencidos, numa luta ingente de agonia e de aparente fracasso de um Deus,que assumindo a condição humana, nessa arena do mundo perdido pelo pecado, salvou a humanidade.

As seis estrofes ( as estrofes de 1 a 4e 7e8 do texto original) expõe a grande agonia de Maria, ao pé da cruz; as estrofe 5 e6, no original são uma transição da dor da Mãe, para nó filhos. ”Quis est homo qui non fleret…” ( Pobre Mãe tão, desolada, ao vê-la assim transpassada, quem de dor não chorva?) “Quis non posset contristari…” ( Quem não se constritaria, ao contemplar a Mãe de Cristo, ante a uma tal agonia?”).As 12 outras estrofes são uma fervorosa prece à Mãe das Dores: “Eia, Mater, fons amoris… (“Ó mãe, fazei que compartilhe vossa dor e a do Vosso Filho, que me garanta , assim , uma feliz eternidade”).

Seria preciso insistir sobre a beleza desse poema tão comovente? Que evocação tão solene, nestas primeiras palavras: “É aquela Mãe, tão cheia de maravilhosa ternura ! Ela, ao pé daquele instrumento de suplício, de onde pende o seu Filho, acabrunhada de dores, mantêm-se firme de pé.

Há quem critique o epiteto “Dolorosa”e as lagrimas da Mãe. Ao contrario, há aqueles que criticam a palavra “Stabat” ( estava de pé) e a atitude firme e enérgica da Virgem! Que pensar disso?

Será que os primeiros queriam uma Mãe, que, em semelhante circunstância, não sentisse na alma essa dor? Certamente não seria ela mais uma Mãe; não há compreenderíamos e jamais ele poderia ser para nós um modelo de quem sofre! E os segundos, será que estariam esquecidos de que, fortificada por uma graça especial e associada ao suplicio de seu Divino Filho, A Virgem Maria, embora acabrunhada das mais acerbas dores, não poderia permanecer firme e corajosa?

Nem insensibilidade, nem fraqueza, nem desmaio. Maria devia estar assim, de pé e “ dolorosa”, para sua própria glória e para nosso ensinamento.

Ao levar em conta o que ensina esse poema, é um mistério do nosso resgate, pelos sofrimentos de Jesus e de Maria, aos quais devemos nos associar com os nossos próprios sofrimentos.

Na monotonia dolente das palavras e da melodia, o autor toca as intimas cordas da sensibilidade do nosso ser, levando-nos a ouvir a comovente queixa, apresentada de uma maneira ingênua e cativante, por meio de frases que expressam o drama mais agudo que o mundo já viu, despertando em nós emoção, compaixão e sacrifícios.

História da Paixão de Jesus e da Compaixão e Agonia da Virgem. História da Redenção: falas e apelos expressos em estrofes monótonas que vão se escorrendo com lagrimas.

Canto ou prece que jamais haverá de cessar de comover e ao mesmo tempo de consolar, de fortificar as almas, que na Sexta-feira Santa e na Festa da Virgem das dores, revivem o drama do calvário.

Nas duas últimas estrofes, o autor apela a Cristo e sua Mãe: que lhe deem a ele e a todos a glória do Paraíso.

“Vindo, Ó Cristo, a minha hora.
Pela Mãe, me venha agora
A palma da vitória”

“Quando o meu corpo deixar de viver
Faze minh’alma receber a glória do paraíso. Amém! Aleluia!

Assim a luta se finda e a vida triunfa!

Seria a devoção à Nossa Senhora da Agonia idêntica à da Nossa Senhora da Soledade? Talvez só na aparência. Na realidade, porém, há uma grande diferença. Na devoção à Nossa Senhora da Soledade, o enfoque se concentra na luta da Mãe e do Filho, que se põe nas mãos de Deus, no total despojamento de si mesmos, para que a humanidade sobreviva na esperança da salvação, pelos méritos do Filho, que o Pai não quis poupar, para nós fossemos poupados.

Nossa Senhora da AgoniaNossa Senhora da Agonia

Nossa Senhora da Agonia