Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Falar com franqueza e liberdade

Publicado em 14 de abril de 2015 \\ Palavra do Papa

Segunda-feira, 13 de abril – Missa em Santa Marta após a pausa da Páscoa. Partindo da leitura do dia retirada dos Atos dos Apóstolos, o Papa

Francisco afirmou na sua homilia que devemos anunciar Jesus Cristo com coragem e franqueza.

O Santo Padre recordou que Pedro e João foram presos e ameaçados pelos sacerdotes para que não voltassem a falar em nome de Jesus. Mas eles não se amedrontam, e quando voltam encorajam os seus irmãos a proclamarem a Palavra de Deus “com franqueza”:

“Também hoje a mensagem da Igreja é a mensagem do caminho da franqueza, do caminho da coragem cristã. Esses dois discípulos simples e iletrados – como diz a Bíblia – foram corajosos. Uma palavra que se pode traduzir com ‘coragem’, ‘franqueza’, ‘liberdade de falar’, ‘não ter medo de dizer as coisas’ … É uma palavra que tem muitos significados no original: a parresìa, aquela franqueza … E do temor passaram à ‘franqueza’, a dizer as coisas com liberdade”.

Anunciar Cristo sem fazer publicidade

O Papa Francisco comentou a seguir a passagem do Evangelho do dia, que narra o diálogo “um pouco misterioso entre Jesus e Nicodemos”, sobre “o segundo nascimento”, sobre ter uma nova vida diferente da primeira. E o Santo Padre fixou a sua reflexão na forma de uma vida nova que seja cristã, onde não se anuncia fazendo publicidade, mas com a coragem de sermos guiados pelo Espírito Santo estando disponíveis para mudar a nossa atitude e comportamento.

“Esta coragem do anúncio é o que nos distingue do simples proselitismo. Nós não fazemos publicidade de Jesus Cristo para ter mais ‘sócios’ na nossa ‘sociedade espiritual’. Isso não serve. Não serve, não é cristão. Aquilo que o cristão faz é anunciar com coragem, e o anúncio de Jesus Cristo provoca, por meio do Espírito Santo, aquela surpresa que nos faz seguir em frente”.

A coragem, graça do Espírito Santo

É o Espírito Santo – continuou o Papa – “que dá esta força a estes homens simples e sem instrução”, como Pedro e João, “esta força de anunciar Jesus Cristo até ao testemunho do martírio”:

“O caminho da coragem cristã é uma graça que o Espírito Santo nos dá. Existem tantos caminhos que podemos percorrer, e que também nos dão uma certa coragem. ‘Vejam que corajoso, que decisão tomou! E veja este, como realizou bem um plano, organizou as coisas, muito bem’: isso ajuda, mas é instrumento de uma coisa maior: o Espírito. Se não há o Espírito, podemos fazer tantas coisas, muito trabalho, mas não serve de nada”. (RS)

Mensagem do Papa Francisco! FELIZ NATAL

Publicado em 16 de dezembro de 2014 \\ Palavra do Papa

O Natal costuma ser sempre uma ruidosa festa; entretanto se faz necessário o silêncio, para que se consiga ouvir a voz do Amor.

Natal é você, quando se dispõe, todos os dias, a renascer e deixar que Deus penetre em sua alma.

O pinheiro de Natal é você, quando com sua força, resiste aos ventos e dificuldades da vida.

Você é a decoração de Natal, quando suas virtudes são cores que enfeitam sua vida.

Você é o sino de Natal, quando chama, congrega, reúne.

A luz de Natal é você quando com uma vida de bondade, paciência, alegria e generosidade consegue ser luz a iluminar o caminho dos outros.

Você é o anjo do Natal quando consegue entoar e cantar sua mensagem de paz, justiça e de amor.

A estrela-guia do Natal é você, quando consegue levar alguém, ao encontro do Senhor.

Você será os Reis Magos quando conseguir dar, de presente, o melhor de si, indistintamente a todos.

A música de Natal é você, quando consegue também sua harmonia interior.

O presente de Natal é você, quando consegue comportar-se como verdadeiro amigo e irmão de qualquer ser humano.

O cartão de Natal é você, quando a bondade está escrita no gesto de amor, de suas mãos.

Você será os “votos de Feliz Natal” quando perdoar, restabelecendo de novo, a paz, mesmo a custo de seu próprio sacrifício.

A ceia de Natal é você, quando sacia de pão e esperança, qualquer carente ao seu lado.

Você é a noite de Natal quando consciente, humilde, longe de ruídos e de grandes celebrações, em silêncio recebe o Salvador do Mundo.

Um muito Feliz Natal a todos que procuram assemelhar-se com esse Natal.

Papa Francisco

Papa: “Cristão não seja preguiçoso; sirva até o fim”

Publicado em 11 de novembro de 2014 \\ Palavra do Papa

papaCidade do Vaticano (RV) –“Temos que lutar sempre contra as tentações que nos afastam do serviço ao próximo”, advertiu Francisco na homilia da manhã desta terça-feira, 11, na Casa Santa Marta. “Como Jesus, nós devemos servir sem pedir nada”, frisou, reiterando que “não podemos nos apropriar do serviço transformando-o numa estrutura de poder”.

Jesus fala da força da fé, mas logo explica que ela deve ser enquadrada no serviço. Baseando-se no Evangelho do dia, que fala do “servo inútil”, ele explicou o que significa ‘servir’, para um cristão. Lucas narra sobre um servo que depois de trabalhar todo o dia, chega em casa e ao invés de descansar, deve ainda servir o seu senhor:

“Poderíamos aconselhar este servo a ir ao sindicato e pedir conselhos sobre o que fazer com um patrão assim, mas Jesus disse: ‘Não, o serviço é total, porque Ele fez caminho com sua atitude de serviço; Ele é o servo. Ele se apresenta como o servo, aquele que veio para servir e não para ser servido’: é o que diz, claramente. Assim, o Senhor mostra aos apóstolos o caminho daqueles que receberam a fé, a fé que faz milagres. Sim, esta fé fará milagres no caminho do serviço”.

“O cristão que recebe o dom da fé no Batismo e não leva este dom ao serviço torna-se um cristão sem força, sem fecundidade”, prosseguiu o Pontífice, que advertiu: “Ele acaba sendo um cristão para si mesmo, que serve somente a si; e sua vida fica triste, pois as coisas grandes do Senhor são ‘esquecidas’”.

Depois, o Papa lembrou que o Senhor nos disse que “o serviço é único”, que não se pode servir dois patrões: “ou Deus, ou as riquezas”. Prosseguindo, alertou que às vezes nos afastamos deste comportamento de serviço ‘por preguiça’. E ela, afirmou, “amornece o coração; a preguiça nos torna cômodos”.

“A preguiça nos distancia do serviço e nos leva à comodidade, ao egoísmo. Muitos cristãos são assim … são bons, vão à missa, mas o serviço até aqui… Mas quando eu digo serviço, eu quero dizer tudo: o serviço a Deus na adoração, na oração, no louvor; serviço ao próximo, quando devo fazê-lo; serviço até o fim, porque Jesus nisso é bom: “Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes foi ordenado, digam:

Somos servos inúteis’. O serviço é gratuito, sem pedir nada em troca. ”

A outra possibilidade de ficar longe da atitude de serviço, acrescentou, “é um pouco ser o dono da situação”. Algo, lembrou o Papa, que “aconteceu com os discípulos, como os próprios apóstolos”: “Eles afastavam as pessoas para que não perturbassem Jesus, mas era para ser mais confortável para eles”. Os discípulos, prosseguiu, “tomavam posse do tempo do Senhor, tomavam posse do poder do Senhor: eles O queriam para o seu grupo”. E então, disse ainda Francisco, “tomavam posse desta atitude de serviço, transformando-a em uma estrutura de poder”. Algo que se entende olhando para a discussão sobre quem era o maior entre Tiago e João. E a mãe, acrescentou Francisco, que “vai pedir ao Senhor que um de seus filhos seja o primeiro-ministro e outro ministro da economia, com todo o poder em suas mãos”. Isso acontece também hoje, quando “os cristãos se tornam patrões: patrões da fé, patrões do Reino, patrões da Salvação”. Isso, observou, “acontece, é uma tentação para todos os cristãos”. Em vez disso, “o Senhor nos fala de serviço: serviço na humildade”, “serviço na esperança, e esta é a alegria do serviço cristão”:

“Na vida temos que lutar muito contra as tentações que procuram nos distanciar desta atitude de serviço. A preguiça leva à comodidade: ao serviço à metade; a tomar o controle da situação, e assim de servo tornar-se patrão, que leva à soberbia, ao orgulho, a tratar mal as pessoas, de se sentir importante, porque eu sou cristão, eu tenho a salvação”, e tantas coisas assim. O Senhor nos dê essas duas grandes graças: a humildade no serviço, a fim de sermos capazes de dizer: ‘Somos servos inúteis – mas  servos – até o fim’; e a esperança na espera da manifestação, quando o Senhor virá até nós”. (CM-SP)

(from Vatican Radio)

PAPA FRANCISCO ANGELUS

Publicado em 30 de julho de 2014 \\ Palavra do Papa

Praça de São Pedro Domingo, 20 de Julho de 2014

Prezados irmãos e irmãs, bom dia! Durante estes domingos a liturgia propõe algumas parábolas evangélicas, ou seja, breves narrações que Jesus utilizava para anunciar o Reino dos céus às multidões. Entre aquelas presentes no Evangelho de hoje, há uma bastante complexa, cuja explicação Jesus oferece aos discípulos: é a do trigo e do joio , que enfrenta o problema do mal no mundo, pondo em evidência a paciência de Deus (cf. Mt 13, 24-30.36-43). A cena desenrola-se num campo onde o senhor lança a semente; mas certa noite chega o inimigo e semeia o joio, termo que em hebraico deriva da mesma raiz do nome «Satanás», evocando o conceito de divisão. Todos nós sabemos que o diabo é um «semeador de joio», aquele que procura sempre dividir as pessoas, as famílias, as nações e os povos. Os empregados gostariam de arrancar imediatamente a erva daninha, mas o senhor impede-o com a seguinte motivação: «Ao extirpardes o joio, correis o risco de arrancar também o trigo» ( Mt 13, 29). Pois todos nós sabemos que o joio, quando cresce, se assemelha muito ao trigo, e existe o perigo de se confundirem.

O ensinamento da parábola é dúplice. Antes de tudo recorda que o mal existente no mundo não deriva de Deus, mas do seu inimigo, o Maligno . É curioso, o Maligno sai à noite para semear o joio, na escuridão, na confusão; sai para semear o joio onde não há luz. Este inimigo é astuto: semeou o mal no meio do bem, de tal forma que para nós, homens, é impossível separá-lo claramente; mas no final Deus conseguirá fazê-lo! E aqui chegamos ao segundo tema: a oposição entre a impaciência dos empregados e a espera paciente do dono do campo, que representa Deus. Às vezes temos uma grande pressa de julgar, classificar, pôr de um lado os bons e do outro os maus. Mas recordai-vos da oração daquele homem soberbo: «Graças a Vós ó Deus, eu sou bom, não sou como os outros homens, maus…» (cf. Lc 18, 11-12). Ao contrário, Deus sabe esperar. Ele olha para o «campo» da vida de cada pessoa com paciência e misericórdia: vê muito melhor do que nós a sujeira e o mal, mas vê também os germes do bem e espera com confiança que eles amadureçam. Deus é paciente, sabe esperar. Como isto é bom! O nosso Deus é um Pai paciente que nos espera sempre, que nos aguarda com o coração na mão para nos receber e perdoar. Perdoa-nos sempre se formos ter com Ele.

A atitude do dono do campo é aquela da esperança fundada na certeza de que o mal não é a primeira nem a última palavra. E é graças a esta esperança paciente de Deus que o próprio joio, ou seja, o coração maldoso, com muitos pecados, no final pode tornar-se uma boa semente. Mas atenção: a paciência evangélica não é indiferença diante do mal; não se pode fazer confusão entre o bem e o mal! Perante o joio presente no mundo, o discípulo do Senhor é chamado a imitar a paciência de Deus, a alimentar a esperança com o alento de uma confiança inabalável na vitória final do bem, ou seja, de Deus. Com efeito, no final o mal será arrancado e eliminado: no tempo da colheita, isto é do juízo, os ceifeiros cumprirão a ordem do senhor, separando o joio para o queimar (cf. Mt 13, 30). Naquele dia da ceifa final o Juiz será Jesus , Aquele que lançou a boa semente no mundo e, tornando-se Ele mesmo «grão de trigo» , morreu e ressuscitou. No final, todos nós seremos julgados com a mesma medida com a qual tivermos julgado: a misericórdia que tivermos usado em relação aos outros será utilizada também para connosco . Peçamos a Nossa Senhora, nossa Mãe, que nos ajude a crescer na paciência, na esperança e na misericórdia com todos os irmãos.

Depois do Angelus Caros irmãos e irmãs!

Foi com preocupação que recebi as notícias provenientes das Comunidades cristãs de Mossul (Iraque) e de outras regiões do Médio Oriente onde elas, desde o início do cristianismo, conviveram com os seus concidadãos oferecendo uma contribuição significativa para o bem da sociedade. Hoje elas são perseguidas; os nossos irmãos são perseguidos, são expulsos e devem deixar as suas casas sem ter a possibilidade de levar nada consigo. A estas famílias e a tais pessoas desejo manifestar a minha proximidade e a minha oração constante. Caríssimos irmãos e irmãs tão perseguidos, sei quanto sofreis, sei que sois despojados de tudo! Estou convosco na fé n’Aquele que venceu o mal! E a vós reunidos aqui na praça e a quantos nos acompanham através da televisão, dirijo o convite a recordar na oração estas Comunidades cristãs. Além disso, exorto-vos a perseverar na oração pelas situações de tensão e de conflito que persistem em várias regiões do mundo, especialmente no Médio Oriente e na Ucrânia. O Deus da paz suscite em todos um autêntico desejo de diálogo e de reconciliação. A violência não se vence com a violência! A violência só se vence com a paz! Oremos em silêncio, pedindo a paz; todos, em silêncio… Maria, Rainha da Paz, intercede por nós! Dirijo uma saudação cordial a todos vós, peregrinos provenientes da Itália e de outros países.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!

Papa Francisco: “João XXIII e João Paulo II não tiveram vergonha da carne de Cristo”

Publicado em 30 de abril de 2014 \\ Palavra do Papa

PapasO Papa Francisco presidiu neste Domingo da Misericórdia na Oitava de Páscoa, 27 de abril, a missa de canonização dos Papas João XXIII e João Paulo II, na Praça São Pedro.

A praça, a Via da Conciliação e demais ruas adjacentes ao Vaticano estavam lotadas de peregrinos que vieram de várias partes do mundo para participar desse evento histórico para a Igreja Católica. Muitos fiéis dormiram em sacos de dormir espalhados pelas ruas e quando a Praça São Pedro foi aberta às 5h30 locais eles entraram para dentro da praça e esperaram o horário da celebração.

Vários fiéis participaram de vigílias de orações realizadas nas igrejas de Roma. Muitos passaram a noite em claro, cantando, rezando, fazendo adoração eucarística e se confessando. Muitos peregrinos acompanharam a missa de canonização de João XXIII e João Paulo II através de telões espalhados em vários pontos do centro da capital italiana. Segundo o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, pelo menos 800 mil pessoas participaram, em Roma, da missa de canonização de João XXIII e João Paulo II. Mais de 500 cinemas de 20 países do mundo transmitiram ao vivo a cerimônia na Praça São Pedro.

O Papa emérito Bento XVI concelebrou com o Papa Francisco a missa de canonização de João XXIII e João Paulo II. Ao entrar no adro da Basílica de São Pedro, pouco antes da cerimônia, Bento XVI foi aplaudido pelos fiéis. Os peregrinos aplaudiram também o Papa Francisco quando foi ao encontro do Papa emérito para saudá-lo com um abraço.

Durante a cerimônia, o Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, acompanhado pelos postuladores de João XXIII e João Paulo II pediu ao Papa Francisco para que os beatos fossem inscritos no “álbum dos Santos”.

O Santo Padre logo depois proclamou oficialmente a santidade dos dois Papas sob os aplausos dos presentes, proferindo a seguinte fórmula de canonização:

“Em honra da Santíssima Trindade, para a exaltação da fé católica e incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a nossa, após ter longamente refletido, invocado várias vezes o auxílio divino e escutado o parecer de nossos irmãos no episcopado, declaramos e definimos como Santos os Beatos João XXIII e João Paulo II, inscrevemo-los no Álbum dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os Santos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.”

Os relicários dos dois novos santos foram colocados junto ao altar, com as respectivas relíquias – uma ampola com o sangue de João Paulo II, a mesma da beatificação em 2011, e um fragmento da pele de João XXIII, recolhido na exumação, no ano 2000.

A celebração prosseguiu com a Liturgia da Palavra. O Evangelho Segundo São João foi lido em latim e grego, para reiterar que nenhuma língua é estranha ao amor de Deus, assim como ninguém era um estranho para o coração de Angelo Roncalli e de Karol Wojtyla.

“No centro deste domingo, que encerra a Oitava de Páscoa e que João Paulo II quis dedicar à Divina Misericórdia, encontramos as chagas gloriosas de Jesus ressuscitado. Já as mostrara quando apareceu pela primeira vez aos Apóstolos, ao anoitecer do dia depois do sábado, o dia da Ressurreição. Mas, naquela noite, Tomé não estava; e quando os outros lhe disseram que tinham visto o Senhor, respondeu que, se não visse e tocasse aquelas feridas, não acreditaria”, disse o Papa Francisco no início de sua homilia.

“Oito dias depois, Jesus apareceu de novo no meio dos discípulos, no Cenáculo, encontrando-se presente também Tomé; dirigindo-Se a ele, convidou-o a tocar as suas chagas. E então aquele homem sincero, aquele homem habituado a verificar tudo pessoalmente, ajoelhou-se diante de Jesus e disse: «Meu Senhor e meu Deus!». Se as chagas de Jesus podem ser de escândalo para a fé, são também a verificação da fé. Por isso, no corpo de Cristo ressuscitado, as chagas não desaparecem, continuam, porque aquelas chagas são o sinal permanente do amor de Deus por nós, sendo indispensáveis para crer em Deus: não para crer que Deus existe, mas sim que Deus é amor, misericórdia, fidelidade. Citando Isaías, São Pedro escreve aos cristãos: «pelas suas chagas, fostes curados»”, disse ainda o Santo Padre.

“São João XXIII e São João Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado traspassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão, porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, de sua misericórdia, à Igreja e ao mundo. Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna de Maria”, frisou ainda o Papa Francisco.

Segundo o pontífice, “nestes dois homens contemplativos das chagas de Cristo e testemunhas da sua misericórdia, habitava «uma esperança viva», juntamente com «uma alegria indescritível e irradiante». A esperança e a alegria que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos, e que nada e ninguém os pode privar. A esperança e a alegria pascais, passadas pelo crisol do despojamento, do aniquilamento, da proximidade aos pecadores levada até ao extremo, até a náusea pela amargura daquele cálice. Estas são a esperança e a alegria que os dois santos Papas receberam como dom do Senhor ressuscitado, tendo-as, por sua vez, doado em abundância ao Povo de Deus, recebendo sua eterna gratidão”.

“Esta esperança e esta alegria respiravam-se na primeira comunidade de fiéis, em Jerusalém, da qual nos falam os Atos dos Apóstolos. É uma comunidade onde se vive o essencial do Evangelho, isto é, o amor e a misericórdia, com simplicidade e fraternidade.”

“E esta é a imagem de Igreja que o Concílio Vaticano II teve diante de si. João XXIII e João Paulo II colaboraram com o Espírito Santo para restabelecer e atualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária, a fisionomia que lhes deram os santos ao longo dos séculos. Não esqueçamos que são precisamente os santos que levam avante e fazem crescer a Igreja. Na convocação do Concílio, João XXIII demonstrou uma delicada docilidade ao Espírito Santo, deixou-se conduzir e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado. Este foi o seu grande serviço à Igreja; foi o Papa da docilidade ao Espírito”, sublinhou Francisco.

“Neste serviço ao Povo de Deus, São João Paulo II foi o Papa da família. Ele mesmo disse uma vez que assim gostaria de ser lembrado: como o Papa da família. Apraz-me sublinhá-lo no momento em que estamos vivendo um caminho sinodal sobre a família e com as famílias, um caminho que ele seguramente acompanha e sustenta do Céu”, destacou o Santo Padre.

“Que estes dois novos santos Pastores do Povo de Deus intercedam pela Igreja para que, durante estes dois anos de caminho sinodal, seja dócil ao Espírito Santo no serviço pastoral à família. Que ambos nos ensinem a não nos escandalizarmos das chagas de Cristo, a penetrarmos no mistério da misericórdia divina que sempre espera, sempre perdoa, porque sempre ama”, concluiu o Papa Francisco.

Participaram da celebração de canonização de João XXIII e João Paulo II mais de 120 delegações provenientes de vários países, 24 chefes de Estado e monarcas, e 10 chefes de Governo.

(Fonte: http://www.news.va/pt/news/papa-francisco-joao-xxiii-e-joao-paulo-ii-nao-tive)

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza – (cf. 2 Cor 8, 9)

Publicado em 19 de março de 2014 \\ Palavra do Papa

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO  PARA A QUARESMA DE 2014

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo

Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho

Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d’Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013

Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir

(fonte: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/messages/lent/documents/papa-francesco_20131226_messaggio-quaresima2014_po.html)

O fantasma da hipocrisia

Publicado em 19 de março de 2014 \\ Palavra do Papa

Publicado no L’Osservatore Romano, ed. em português, n. 11 de 13 de Março de 2014

O «fantasma da hipocrisia» faz-nos esquecer como se acaricia um doente, uma criança ou um idoso. E não nos faz fitar os olhos da pessoa a quem damos de modo apressado a esmola retraindo imediatamente a mão para não a sujar. Durante a missa celebrada na manhã de 7 de Março na capela da Casa de Santa Marta o Papa dirigiu uma exortação a «nunca se envergonhar» da «carne do irmão».

Na sexta-feira depois das cinzas a Igreja, explicou o Pontífice, propõe uma meditação sobre o significado verdadeiro do jejum, através de duas leituras incisivas, tiradas do livro do profeta Isaías (58, 1-9A) e do Evangelho de Mateus (9, 14-15). «Por detrás das leituras de hoje — afirmou o Pontífice — está o fantasma da hipocrisia, da formalidade de cumprir os mandamentos, neste caso o jejum». Portanto, «Jesus volta ao tema da hipocrisia muitas vezes quando vê que os doutores da lei pensam que são perfeitos: cumprem tudo o que está nos mandamentos como se fosse uma formalidade».

E aqui, advertiu o Papa, há «um problema de memória» relativo a «este duplo aspecto do caminhar pela estrada da vida». De facto, os hipócritas «esqueceram que foram eleitos por Deus num povo, não individualmente. Esqueceram a história do seu povo, a história de salvação, eleição, aliança e promessa», que provém directamente do Senhor.

E assim fazendo, continuou, «reduziram esta história a uma ética. Para eles, a vida religiosa era uma ética». Para eles a este modo «explica-se que na época de Jesus, dizem os teólogos, havia mais ou menos trezentos mandamentos» para observar. Mas «receber do Senhor o amor de um pai, receber do Senhor a identidade de um povo e depois transformá-la numa ética» significa «rejeitar o dom de amor». De resto, frisou, os hipócritas «são pessoas boas, fazem tudo o que se deve fazer, parecem boas». Mas «são eticistas, sem bondade, porque perderam o sentido de pertença a um povo».

O sentido do verdadeiro «jejum é aquele que — afirmou o bispo de Roma — se preocupa pela vida do próximo, que não sente vergonha da carne do irmão, como diz Isaías. De facto, «a nossa perfeição, a nossa santidade vai em frente com o nosso povo, no qual fomos eleitos e inseridos». E «o nosso maior acto de santidade consiste precisamente na carne do irmão e na carne de Jesus Cristo».

«A salvação de Deus — afirmou o Pontífice — está num povo. Um povo que vai em frente, irmãos que não se envergonham uns dos outros». Mas exactamente por isso, advertiu, «é o jejum mais difícil: o jejum da bondade. A bondade leva-nos a isto». E «talvez — explicou citando o Evangelho — o sacerdote que passou perto daquele homem ferido tenha pensado», referindo-se aos mandamentos da época: «Mas se eu tocar aquele sangue, aquela carne ferida, ficarei impuro e não poderei celebrar ao sábado! E envergonhou-se da carne daquele homem. Isto é hipocrisia!». Ao contrário, observou o Santo Padre, «aquele pecador passou e viu-o: viu a carne do seu irmão, a carne de um homem do seu povo, filho de Deus como ele. E não se envergonhou». «A proposta da Igreja hoje» sugere portanto um verdadeiro exame de consciência através de uma série de perguntas que o Papa fez aos presentes: «Sinto vergonha da carne do meu irmão, da minha irmã? Quando ofereço a esmola, deixo cair a moeda sem tocar a mão? E, se por acaso a tocar, faço-o apressadamente?», questionou imitando o gesto de quem limpa a mão. «Quando ofereço a esmola, fito o meu irmão, a minha irmã, nos olhos? Quando sei que uma pessoa está doente vou visitá-la? Saúdo-a com ternura?».

Para completar este exame de consciência, frisou o Papa, «existe um sinal que talvez vos ajude». Trata-se de «uma pergunta: sei acariciar doentes, idosos e crianças? Ou perdi o sentido da carícia?». Os hipócritas, continuou, não sabem acariciar, esqueceram como se faz. Então, eis a recomendação para «não se envergonhar da carne do nosso irmão: é a nossa carne». E «seremos julgados», concluiu o Pontífice, precisamente pelo nosso comportamento em relação «a este irmão e esta irmã» e certamente não «pelo jejum hipócrita».

E na missa celebrada na quinta-feira 6 de Março, o Papa Francisco falou da redescoberta da fecundidade de uma vida segundo o estilo cristão. Comentando o trecho do Evangelho de Lucas (9, 22-25), proposto pela liturgia, o Pontífice apresentou-o como uma reflexão em sintonia com a narração do jovem rico, o qual queria seguir Jesus «mas depois afastou-se triste porque tinha tanto dinheiro, ao qual era muito apegado para renunciar».

No início da Quaresma a Igreja «faz-nos ler, faz-nos sentir esta mensagem», observou o Pontífice. Uma mensagem que «poderíamos intitular o estilo cristão: “Se alguém quiser vim após mim, isto é, ser cristão, ser meu discípulo, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”». É «o caminho da humildade, também da humilhação, da renegação de si mesmo», porque o «estilo cristão sem cruz não é cristão» e «se a cruz for uma cruz sem Jesus, não é cristã».

Este é o estilo de vida que «nos salvará, que nos dará alegria e nos tornará fecundos. Trata-se de um caminho que deve ser percorrido «com alegria, porque — explicou o Papa — nos dá a alegria. Seguir Jesus é alegria». Mas, repetiu, é preciso segui-lo com o seu estilo, e não com o estilo do mundo», fazendo o que se pode: o importante é fazê-lo «para dar vida aos outros e não para dar vida a si mesmo. É o espírito de generosidade».

Eis então o caminho a seguir: «humildade, serviço, nenhum egoísmo, não sentir-se importante nem mostrar-se diante dos outros como uma pessoa importante: sou cristão…!». A este propósito o Papa Francisco citou a Imitação de Cristo, que — frisou — «nos dá um conselho muito bom: ama, nesciri et pro nihilo reputari, “ama, não sejas conhecido e considera-te como nada”». É a humildade cristã. Foi o quer fez Jesus.

«Pensemos em Jesus que está diante de nós — prosseguiu — que nos guia por aquele caminho. Esta é a nossa alegria e a nossa fecundidade: andar com Jesus. Outras alegrias não são fecundas, pensam apenas, como diz o Senhor, em ganhar o mundo inteiro mas no final perdem-se e arruínam-se a si mesmos».

Por isso, «no início da Quaresma — foi o seu convite conclusivo — peçamos ao Senhor que nos ensine um pouco este estilo cristão de serviço, de alegria, de nos perdermos a nós mesmos e de fecundidade com Ele, como Ele a quer».

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

Publicado em 2 de fevereiro de 2014 \\ Palavra do Papa

Celebramos hoje a festa da Apresentação de Jesus no templo. Hoje é também o Dia da vida consagrada, que evoca a importância para a Igreja de quantos acolheram a vocação de seguir Jesus de perto pelo caminho dos conselhos evangélicos. O Evangelho de hoje narra que, quarenta dias depois do nascimento de Jesus, Maria e José levaram o Menino ao templo para o oferecer e consagrar a Deus, como prescrito pela Lei judaica. Este episódio evangélico constitui também um ícone da doação da própria vida por parte de quantos, por um dom de Deus, assumem as características típicas de Jesus casto, pobre e obediente.

Esta oferenda de si mesmo a Deus diz respeito a cada cristão, porque todos somos consagrados a Ele mediante o Baptismo. Todos estamos chamados a oferecer-nos ao Pai com Jesus e como Jesus, fazendo da nossa vida um dom generoso, na família, no trabalho, no serviço à Igreja, nas obras de misericórdia. Contudo, tal consagração é vivida de modo particular pelos religiosos, monges, leigos consagrados, que com a profissão dos votos pertencem a Deus de modo pleno e exclusivo. Esta pertença ao Senhor permite que quantos a vivem de maneira autêntica ofereçam um testemunho especial ao Evangelho do Reino de Deus. Totalmente consagrados a Deus, são inteiramente entregues aos irmãos, para levar a luz de Cristo onde as trevas são mais densas e para difundir a sua esperança nos corações desanimados.

As pessoas consagradas são sinal de Deus nos diversos ambientes de vida, são fermento para o crescimento de uma sociedade mais justa e fraterna, são profecia de partilha com os pequeninos e os pobres. Entendida e vivida desta forma, a vida consagrada parece-se precisamente como é realmente: um dom de Deus, um dom de Deus à Igreja, um dom de Deus ao seu Povo! Cada pessoa consagrada é um dom para o Povo de Deus a caminho. Há tanta necessidade destas presenças, que fortalecem e renovam o compromisso da difusão do Evangelho, da educação cristã, da caridade para com os mais necessitados, da oração contemplativa; o compromisso da formação humana, da formação espiritual dos jovens, das famílias; o compromisso pela justiça e pela paz na família humana. Mas pensemos um pouco no que aconteceria se não houvesse religiosas nos hospitais, nas missões, nas escolas. Mas considerai, uma Igreja sem religiosas! Não se pode imaginar: elas são este dom, este fermento que leva em frente o Povo de Deus. São grandes estas mulheres que consagram a sua vida a Deus, que levam em frente a mensagem de Jesus!

A Igreja e o mundo precisam deste testemunho do amor e da misericórdia de Deus. Os consagrados, os religiosos, as religiosas são o testemunho de que Deus é bom e misericordioso. Por isso é necessário valorizar com gratidão as experiências de vida consagrada e aprofundar o conhecimento dos diversos carismas e espiritualidades. É preciso rezar para que muitos jovens respondam «sim» ao Senhor que os chama a consagrar-se totalmente a Ele para um serviço abnegado aos irmãos; consagrar a vida para servir Deus e os irmãos.

Portanto, como já foi anunciado, o próximo ano será dedicado de modo especial à vida consagrada. Confiemos desde já esta iniciativa à intercessão da Virgem Maria e de são José que, como pais de Jesus, foram os primeiros por Ele consagrados e que consagraram a sua vida a Ele.

Depois do Angelus

Celebra-se hoje na Itália o Dia pela Vida, que tem por tema «Gerar futuro». Dirijo a minha saudação e encorajamento às associações, aos movimentos e aos centros culturais comprometidos na defesa e promoção da vida. Uno-me aos Bispos italianos ao reafirmar que «cada filho é rosto do Senhor amante da vida, dom para a família e para a sociedade» (Mensagem para o XXXVI Dia Nacional pela Vida). Cada um, no próprio papel e âmbito, se sinta chamado a amar e servir a vida, a acolhê-la, respeitá-la e promovê-la, sobretudo quando é frágil e necessitada de atenções e curas, desde o seio materno até ao seu fim nesta terra.

Desejo a todos feliz domingo e bom almoço. Até à vista!

PAPA FRANCISCO - ANGELUS
Praça de São Pedro
Domingo, 2 de Fevereiro de 2014

FONTE: http://www.news.va/pt/news/angelus-2-de-fevereiro-de-2014

A Eucaristia leva-nos a olhar os outros como irmãos: Papa Francisco na audiência geral

Publicado em 2 de fevereiro de 2014 \\ Palavra do Papa

As dezenas de milhares de pessoas presentes na Praça de S. Pedro para a audiência geral ouviram o Papa Francisco continuar a sua catequese sobre a Eucaristia colocando, desde logo, algumas questões:

“Como vivemos a Eucaristia? O que é que ela é para nós? O Papa Francisco apresentou três sinais muito concretos para entender como vivemos tudo isto:

“O primeiro indicio é o nosso modo de olhar e considerar os outros.” A Eucaristia está conectada com a nossa vida, seja como indivíduos seja como Igreja. De facto, a Eucaristia leva-nos a olhar e considerar as pessoas que estão ao nosso redor como verdadeiros irmãos, fazendo-nos compartilhar as suas vitórias e dificuldades, alegrias e tristezas, indo ao encontro, sobretudo, daqueles que são pobres, doentes e marginalizados.

“Um segundo indicio, muito importante, é a graça de sentirmo-nos perdoados e prontos a perdoar.”A Eucaristia dá-nos a graça também de sentir-nos perdoados e prontos a perdoar. Na verdade, participamos da celebração, não por nos julgarmos melhores do que os outros, mas porque nos reconhecemos necessitados da misericórdia de Deus; e isto também nos ensina a perdoar os demais.

“Um último indício precioso vem-nos oferecido da relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs.”Tendo a certeza de que a Eucaristia não parte da nossa iniciativa, mas é uma ação do próprio Cristo, que em cada celebração quer entrar na nossa existência com a sua graça, a Santa Missa incide na vida da nossa comunidade cristã, fazendo com que nela exista coerência entre liturgia e vida.

No final da catequese o Santo Padre saudou também os peregrinos de língua portuguesa:“Queridos peregrinos de língua portuguesa, de coração desejo-vos as boas-vindas, com votos, para quantos participam da Eucaristia nos domingos, de a viverem com espírito de fé e de oração, sabendo que quem come a carne de Jesus tem a vida eterna e será ressuscitado por Ele no último dia. Sobre vós e sobre as vossas comunidades, desça a benção do Senhor.”

O Papa Francisco a todos deu a sua benção. (RS)

2014-02-12 Rádio Vaticana

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