Santuário Nossa Senhora da Agonia
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VOCACIONADOS À UNIDADE

Publicado em 18 de janeiro de 2015 \\ Palavra do Padre

“Que todos sejam um!”

papa e presidenteO sonho de Jesus, seu projeto, seus ideais continuam vivos! Estão presentes em todos aqueles e aquelas que acolhem e transformam em vida a novidade do seu Evangelho. E ao longo destes mais de dois mil anos de cristianismo, muitas foram as pessoas que fizeram da sua vida um poema, um sinal, uma chama acesa que não deixou o mundo na escuridão da desesperança, mas que tornou presente a verdade de que o amor sincero e concreto pode gerar uma pessoa nova, uma situação nova, enfim, um mundo novo. Estamos vivendo momentos de apreensão gerados pelo ódio ao diferente, pelo fundamentalismo que se enraíza sob os mais diversos nomes. Mais do que nunca, é tempo de viver para a unidade, de gerar a unidade, de ser uma pessoa pacífica, evangelicamente falando. E para o fundador de minha Congregação (Missionários do Sagrado Coração de Jesus – MSC), Pe. Julio Chevalier, essa nova realidade brota do Coração de Jesus, aberto na Cruz.

Jesus, ao proclamar o seu Reino, tornou claro o caminho, de forma bastante evidente, de que um mundo novo, melhor e mais pleno de Deus-Amor só será possível, se caminharmos de mãos e corações unidos. Por isso, ele acolheu pessoas tão diferentes, atraiu para si, grupos tão distintos e morreu e ressuscitou para abrir de uma vez por todas um caminho de unidade, que não mais poderá ser desfeito. Nele, conservando as diversidades e aquilo que é próprio de cada pessoa, de cada grupo, é possível caminhar lado a lado, sem querer ter a pretensão de ser o melhor ou de ser o primeiro, já que o que importa é amar e o amor é serviço gratuito que quer ver o melhor para o outro que cruza nosso caminho ou que se faz companheiro nas estradas da vida. É como nos recorda Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, depois de ter se empenhado desde a sua juventude na busca pela unidade: “A primeira qualidade do amor cristão é amar a todos. Essa arte de amar pretende que amemos a todos, sem distinção, como Deus ama. Não quer escolher entre simpático ou antipático, idoso ou jovem, compatriota ou estrangeiro, branco ou negro ou amarelo, europeu ou americano, africano ou asiático, cristão ou judeu, muçulmano ou hinduísta… Valendo-nos de uma linguagem bastante conhecida hoje, podemos dizer que o amor não conhece ‘nenhuma forma de discriminação’”.

Por isso, qualquer que seja nossa vocação específica, somos todos vocacionados à unidade. Naqueles momentos tão intensos que antecederam a sua crucificação, Jesus rezou ao Pai por todos nós, e rezou para “sejamos um”, como Ele e o Pai são um (Cf. Jo 17, 21). Este desejo da unidade, é pois, testamento de Jesus para todos nós. Desta forma, devemos nos esforçar para superar toda divisão e como seguidores de Jesus, buscar a unidade através de um diálogo aberto e sincero. Neste sentido, toda iniciativa que constrói a unidade, seja ela ecumênica (entre Igrejas e grupos cristãos), inter-religiosa (entre diferentes religiões) ou com pessoas que não professam uma fé, mas que almejam e sonham com um mundo unido, deve ser apoiada por nós e incentivada. É como nos ensina a Igreja na Declaração Nostra Aetate: “Nós não podemos invocar Deus, Pai de todos os homens, se nos recusamos a comportarmos como irmãos para com alguns homens criados à imagem de Deus. A relação do homem para com Deus Pai, e a relação do homem para com os outros homens seus irmãos, encontram-se tão ligadas entre si que a Sagrada Escritura diz: ‘Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor’(1 Jo 4,8)”. Que este anseio pela unidade, seja reflexo de um coração apaixonado por Jesus e que deseja segui-lo com as mãos e o olhar abertos a acolherem os que, mesmo que trilhando outros caminhos, encontramos nas encruzilhadas da vida.

Pe. LucemirAlves Ribeiro, MSC

Natal “…vocês encontrarão um recém-nascido, envolto em faixas e deitado na manjedoura” (Lc2,12)

Publicado em 12 de dezembro de 2014 \\ Palavra do Padre

Nativity sceneUm recém-nascido! Frágil, pequenino, com a doçura própria de que acabou de chegar neste mundo. É assim que Deus se manifesta segundo o relato do Evangelho de Lucas. Aquele a quem tudo está submetido, nos céus e na terra, se apresenta como recém-nascido! Na sua desconcertante forma de vir a nós, na sua maneira própria de manifestar seu amor pelo ser humano, Ele nasce como cada um de nós: em tudo dependente!

O evangelista coloca na busca dos anjos essa surpreendente revelação. Diz ele: “Isto lhes servirá de sinal!” Este é o sinal: um Deus recém-nascido, um Deus menino! E continua: enrolado em panos! Certamente preparados pelo cuidado maternal da virgem Maria! Pedaços de panos, provavelmente de tecidos simples, preparados pela mão de Maria para envolver o pequeno corpo de Deus nascido de seu ventre…

E “deitado na manjedoura”! Como esse detalhe nos toca. Fala de maneira tão eloquente e grita a nós que para este Deus recém-nascido, envolto em poucas faixas, não há berço de ouro, cama de marfim… Fala-nos que não houve acolhida em palácios e pensões”! Diz o texto: “Não havia lugar para eles dentro da casa” (Lc 2,7). Foi acolhido num coxo de animais! Deus criança, Deus menino, recém-nascido e deitado em uma manjedoura!

Chega a ser poético hoje, a contemplação dessa cena pintada e montada em inúmeros presépios! Mas a realidade certamente foi dura e fria! Deus conhecia o coração humano, sabia que nele há a prontidão para a mais nobre e ousada abertura para amar, mas também a frieza e a indiferença que pode matar. Mas, mesmo assim “veio morar entre nós”, para dar provas da medida do seu amor.

Certamente será natal para nós se buscarmos esse sinal: “o recém-nascido, envolto em panos, a manjedoura…!” Não o encontraremos se forjarmos um “Deus” demasiado distante, adulto demais, revestido de ouro, em lugares onde possa ser confundido com os poderes desse mundo.

De novo Ele vem a nós! E temos a possibilidade ou não de encontrá-lo! Será, de fato, natal para nós?

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Nossa Senhora da Agonia: rogai por nós!

Publicado em 29 de agosto de 2014 \\ Palavra do Padre

 

DSCN3938Certamente este foi o pedido, a oração que ao longo deste dia subiu aos céus incessantemente deste Santuário: rogai por nós, ó Mãe! Rogai por nossas famílias…

Somos testemunhas de tantas graças que a Virgem Maria, ao longo desses nove dias de novena e do dia de hoje, da sua festa, realizou e têm realizado entre nós. Bendito seja Deus! O desejo neste momento é de silenciar o coração. De deixar a gratidão a Deus por nos ter dado Mãe tão pronta em estar conosco, em nos educar na fé, em nos ensinar a ser discípulos e missionários do Senhor, subir como cântico de louvor.

Olhando a história desse Santuário, trazemos aqui conosco a vida e o testemunho de irmãos e irmãs que há 20 anos estão ou estiveram aqui, bebendo da fonte de água Viva do Coração de Jesus, na companhia e sob a proteção de Nossa Senhora da Agonia.

Quantos momentos bonitos de vida de comunidade, quanta dedicação e quanta luta… Há exatos 17 anos, no dia 24 de agosto de 1997, era colocada a pedra fundamental deste templo santo. A partir de então, esta construção divina, não parou de crescer. Cada tijolo, cada detalhe deste templo tem a marca da Mão de Deus, providente que chega a nós e se derrama em amor, pelas mãos maternais de Nossa Senhora da Agonia, que cuida com zelo inigualável de sua casa.

Contudo, muito mais que essa construção, o edifício que é visto pelo olhar de Deus é constituído de pedras vivas, que somos nós. Edifício este construído sobre a pedra angular que é Cristo, nossa rocha e fortaleza. Nestes dias de festa, pelo empenho e carinho de tantos e tantas, certamente este edifício vivo reluz diante de Deus. Torna-se a “cidadela construída sobre a montanha” que ao ser vista ao longe eleva o pensamento a Deus.

Ao longo desses dias, algo que me chamou a atenção foi a delicadeza de Nossa Senhora. Como toda mulher, ela é atenta! E atenta aos detalhes. Um pequenino sinal pode ser pra gente prova do carinho de Deus; e Ela sabe disso. E fez isso! Cuidou de tudo com esmero! Não no perfeccionismo doentio e arrogante, mas nos detalhes de amor! Que incorpora o imprevisto (aos nossos olhos) e cerca de cuidados. Ela não se esquece de nada! Porque ama!!! Junto com isso, ela orienta e educa desta forma os que dela se aproximam: percebi isso na nossa comunidade e percebo. Sem perder o rumo, com o olhar no Senhor e no porque de nossos festejos, em meio a tantos detalhes e exigências, percebi em tantas mãos que por aqui passaram, aprendizes de Maria! Em cada serviço, em cada trabalho, em cada hora passada por aqui e por ali, o desejo de ser presença de Maria. Quantas vezes ouvi: faço isso, faço aquilo por amor a Nossa Senhora da Agonia… e por conseguinte atinge o coração de tanta gente. Creio que com isso, atingimos o objetivo destes dias: sermos educados na escola de Maria, para estarmos mais parecidos com Jesus! Bendita seja nossa Mãe, Senhora da Agonia e benditas sejam tantas mãos e corações que aqui estiveram unidos nestes dias.

Nesta noite, queremos ainda, unir nosso coração, nesta Eucaristia, a profissão de fé de Pedro, dizendo com fé, deixando ecoar nas profundezas de nosso ser: Tu, Senhor, és o Cristo, o Filho de Deus! Em ti buscamos a fonte. Façamos agora, chegar ao Coração de Deus, unidos a Nossa Senhora da Agonia, nossa gratidão, como incenso perfumado, fazendo alguns minutos de oração silenciosa, de agradecimento, de louvor pelo seu amor para conosco, ao nos dar a Virgem Maria como Mãe, como companheira, como Senhora de nossas agonias… oremos!

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Salve Mãe de Deus e nossa…

Publicado em 20 de agosto de 2014 \\ Notícias > Palavra do Padre

“Salve Mãe de Deus e nossa, ó Senhora da Agonia…”

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Estamos em festa! É tempo de novena, de subir a “colina sagrada” e entrar com devoção e esperança no Santuário: Casa de Maria, Morada de Deus, lugar de encontro de irmãos! Como é bonito e ao mesmo tempo profundo, participar da vida de tantos e tantas que aqui chegam para buscar junto ao Coração misericordioso de Deus, pelas mãos maternais da Virgem Maria, que aqui chamamos “Senhora da Agonia”, a força nas tribulações, a luz nos momentos de escuridão, a esperança nos desalentos, a calmaria nos momentos de mar bravio…

Pedimos à Maria, Senhora da Agonia! E pedimos com confiança! Ela soube acolher em sua vida, nos momentos de alegria e de dor a Palavra salvadora do Senhor. Ela se fez “serva”, foi-nos dada como Mãe, pelo Cristo Jesus na cruz e hoje nos acolhe e nos ajuda a orientar o olhar para seu Filho, nossa salvação.

Em cada oração sussurrada no silêncio que envolve este Santuário; em cada lágrima aflita que brota do coração; em cada gesto de carinho ofertado, uma flor deixada, um recado escrito à Mãe de Deus… percebemos a fé sendo cuidada, fortalecida.

Para nós neste Santuário é tempo especial de graça! De retiro, de recomeço. Unimos-nos, irmanados, a todos e todas que voltam seu coração ao Senhor, contando com a intercessão de Nossa Senhora da Agonia. Devotos de perto e de longe. Romeiro e peregrinos! Gente que doa parte de sua vida aqui, neste lugar sagrado; outros tantos que aguardam todo o ano para virem nesta ocasião visitar o Santuário. Tantos outros presentes de muitas formas: cruzando serras e vales, visitando-nos virtualmente pelos modernos meios de comunicação, enviando seus pedidos pelas cartas e telefonemas e de tantas outras formas.

No centro desde Santuário, está Jesus Vivo na Eucaristia. Dando-se continuamente a nós, alimentando-nos, fortalecendo-nos, abençoando-nos! Maria, Senhora da Agonia, nos leva a Ele, nos apresenta a Ele. Deus seja bendito pelo seu testemunho, meu irmão e irmã, filhos da Senhora da Agonia. Seja muito bem vindo! Nós, acolhemos você com carinho e amor!

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

“Terão a alma qual jardim bem irrigado…” (Jr 31,12)

Publicado em 14 de julho de 2014 \\ Palavra do Padre

É interessante contemplar um jardim. Perceber a vida que desabrocha em cada flor, diferenciando-se em tamanhos, cores, formas… É bonito perceber como um jardim, por pequeno que seja, consegue atrair pássaros e insetos que querem de alguma forma precisar dele. Contudo, melhor ainda, é criar seu próprio jardim. Pensar no local, preparar a terra, escolher as plantas, plantá-las, cuidar e perceber cada uma das etapas que envolvem a formação das plantas. Não é fácil, exige sensibilidade, paciência, perseverança, carinho e atenção constante. Há plantas que exigem mais água, outras menos. Algumas se fortalecem a luz do sol e ficam exuberantes, outras se deixadas ao calor intenso, esmorecem e morrem. A terra tem de estar sempre com os nutrientes necessários. Depende do jardineiro dispor das condições necessárias como dissemos, mas o milagre da germinação, o colorido diverso das flores, o bailar das borboletas que visitam seu jardim, tudo isso, foge do seu controle. Também não depende dele o nascimento de outras plantas no seu jardim, ervas daninhas e parasitas, mas faz parte, e mais cedo ou mais tarde encontrará com algumas dessas coisas no seu jardim.

De forma que, cultivar um jardim, não é tarefa fácil, mas prazerosa. Ver crescer e florescer uma planta, é coisa emocionante, especialmente se contou com uma ajudinha da gente. Nosso interior é canteiro, é terra esperando ser cultivada, como aquele espaço no fundo de casa, ou aquele cantinho na entrada, onde podemos caprichar um belo jardim ou ir entulhando coisas desnecessárias que com o tempo, vai atrair ratos, baratas e toda sorte de coisas indesejáveis, sem contar que vai deixando cheio de tranqueiras, um espaço que poderia ser cheio de vida. E o mais interessante, é que quase nunca temos tempo para parar, fazer uma boa limpeza neste lugar e quem sabe, cultivar aí um jardim e o tempo passa e vamos sempre protelando para depois e aquele lugar cheio de coisas parece sempre a nos incomodar, cada vez que nos deparamos com ele. Mas, quando botamos a mão na massa, seja por própria iniciativa ou por alguma outra necessidade que surgiu daquele monte de entulhos nos perguntamos o porquê de não ter tido essa iniciativa antes… Quanto espaço poderia estar florido, sendo visitado constantemente por beija-flores, borboletas ou simplesmente sendo contemplados por nós próprios, como alguém que senta no final do dia, depois de um dia de trabalho e fica a perceber algo simples e belo, deixando o corpo descansar. Quanto entulho, às vezes, ainda há. Mas o melhor, a saber, é que há nesses locais de entulho, nesses verdadeiros lixões interiores, muita coisa que pode virar esterco, ou até algum vaso ou utensílio que pode se tornar algo bonito e útil, depois no jardim que há ali, em potencial.

Agora, há um trabalho a ser feito! É preciso querer um jardim. É preciso pensar nele, desejá-lo e claro, plantá-lo. E isso leva tempo. Antes, é necessário perceber os locais de entulho, terrenos baldios, lixões. É preciso se sentir incomodado com eles. De fato, com o tempo, nos acostumamos a tudo, inclusive com o cheiro podre, com as baratas e os ratos… Mas tem uma hora, que já não dá mais. Do incômodo, se passa a execução. A ter que tirar montanhas de coisas e mais coisas e outras coisas que foram se somando. Jogar fora, separar, reciclar o que dá, queimar o que não tem jeito, enfrentar as moscas, os ratos, as cobras… Não é fácil.

Mas, quando vamos tirando tanta coisa, vamos percebendo espaço novo, o que pode até dar um sentimento de vazio grande, de estar meio perdido, e então, logo nos pegamos pensando nas novas possibilidades que poderiam surgir daquele lugar. Para tanto, é sempre bom escutar algumas opiniões de fora, de outros jardineiros, há dicas importantes para os jardineiros de primeira viagem.

Depois de tudo separado, é preciso perceber a terra. Às vezes remexê-la, adicionar adubos. É preciso suar a camisa. Mas, o que dá muito prazer é escolher as plantas, podar outras, pensar no que se transformarão, vê-las floridas. Depois de plantadas, o cuidado e a paciência devem caminhar de mãos dadas: o regar sempre que necessário, um suporte para as mais frágeis, uma proteção para as mais delicadas, enfim, cuidados de quem quer ter um jardim lá dentro, onde se pode caminhar e descansar sempre que quiser. Um local gostoso de se visitar, necessário para recarregar as forças; um oásis no meio do deserto. Leva tempo e deve ser uma opção, para valer a pena! Que este mês de julho seja tempo especial para você preparar no seu coração este espaço sagrado para nele acontecer uma profunda experiência com Deus.

E não se esqueça: a chuva que levará vida ao seu jardim é Deus quem mandará, o seu cuidadoso amor, mas preparar o jardim depende de você!

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Sagrado Coração de Jesus

Publicado em 24 de junho de 2014 \\ Palavra do Padre

Deus nos ama com um Coração humano…” 

sagradoQueridos irmãos e irmãs no Senhor. Estamos vivendo o mês de junho, mês do Sagrado Coração de Jesus. Neste mês, sobremaneira, ao celebrar a Solenidade do S. Coração de Jesus ecoa no nosso coração o grito apaixonado de um Deus que nos ama imensamente, como nos sugere a Palavra de Deus; amor este, que tem sua entrega total na doação de Jesus na Cruz e no seu Coração aberto pela lança.

Amor, cruz e coração, parecem ser, deste ponto de vista, palavras sinônimas, que nos revelam sob aspectos diferentes, um mesmo mistério. O profeta Oséias, no capítulo 11, poeticamente, nos fala que Deus ama com um amor humano, com amor mais que humano! Traz a imagem da relação pai-filho para falar do amor de Deus com o povo de Israel. Apesar da infidelidade e incompreensão do povo, Deus o amou com sentimentos de afeição, mais profundos que se possa imaginar. Contudo, o amor de Deus, vai além do que normalmente nosso amor limitado é capaz. Seu amor não se decepciona como o nosso e não se vinga. Como nos fala o profeta, o “coração de Deus comove-se no seu íntimo e arde de compaixão” (11,8) perdoando a fragilidade e o pecado do povo.

Este amor, que acompanha o povo o longo de toda a sua caminhada, se manifesta em Jesus Cristo, que nos amou até o fim (Jo 13,1). O simbolismo da água e do sangue que jorram do seu Coração traspassado na Cruz, no revelam que Ele não poupou nada de si, sua doação foi completa e total. É o sangue da nova aliança, do Cordeiro que tira o pecado do mundo. É a água viva, que brota da Fonte da Vida, que nos faz renascer e nos lava no batismo. O Coração aberto de Jesus é a porta aberta do paraíso para todos nós. Já não há mais, um abismo que nos separa de Deus, seu Coração é para nós, o caminho, a entrada, o acesso seguro.

É neste cenário no calvário, como nos sugere S. João, que nós conhecemos o tamanho do amor de Deus. Mas, conhecer na mentalidade bíblica significa experimentar. Não é um conhecer meramente intelectual, mas participativo, experiencial. Desta forma, celebrar o Coração de Jesus, nos compromete com o Senhor, com uma vida de intimidade com Ele na oração e nos envia, como missionários e missionárias do seu amor. Num contexto onde as experiências de amor correm o risco de se tornarem descartáveis, líquidas, sem sustentação, o coração aberto de Jesus na Cruz, no recorda que o amor verdadeiro é entrega, é doação, busca ser fiel, busca se constante e está disposto, mesmo a dar a vida…

Por isso, para que não perdêssemos de vista tão grande exemplo do Senhor, a Igreja instituiu na Sexta-feira depois da Festa de Corpus Christi, a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Tal festa surge na Igreja a pedido do mesmo Jesus que se revelou a Santa Margarida Maria Alacoque, no mosteiro da Visitação de Paray-le-Monial, onde lhe segredou na aparição de 27 de Dezembro de 1673: «O meu Coração está apaixonado pelos homens, e não pode conter por mais tempo as chamas que o inflamam.» Posteriormente, a 16 de Junho de 1675, desabafou: “Eis o meu Coração que tanto amou os homens e que a nada se poupou até se esgotar e se comunicar para lhes testemunhar todo o seu amor; em recompensa Eu não recebo da parte deles senão ingratidões, pelas irreverências e pela frieza e desprezo que têm por Mim neste sacramento de amor.»

Cerca de duzentos anos mais tarde, o fundador da Congregação ao qual eu pertenço, os Missionários do Sagrado Coração de Jesus (MSC), o servo de Deus, Pe. Júlio Chevalier viu neste mesmo Coração aberto do Senhor na Cruz, a fonte de onde irradia um mundo novo, homens e mulheres novos. Descobre ali, o manancial de graças que neste mais de 150 anos vem levando homens e mulheres, consagrados e consagradas, leigos e leigas, sacerdotes e bispos a fazer Amado, com suas vidas, por toda parte o Coração de Jesus.

Hoje, essa missão repousa sobre todos nós. Contemplando aquele que foi ferido na cruz, por amor de toda humanidade, somos convocados em missão fraterna a atualizar nosso amor a Ele e a humanidade. A sermos sinais evidentes, testemunhas do seu amor, da sua misericórdia, compaixão, ternura e fidelidade. Por isso, diante de um Deus que é amor, e que quis revelar esse amor na humanidade de seu Filho, que nos “amou com um Coração humano”, renovamos nosso desejo de seguir o Senhor Jesus, de estar com Ele, de anunciá-lo e de viver como irmãos e irmãs, já que somos todos abrigados num mesmo porto seguro, o Coração de Jesus.

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Maio: mês de Maria, mês das Mães!

Publicado em 30 de abril de 2014 \\ Palavra do Padre

nsagonia“Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38)

Como é bonito poder perceber a delicadeza de Deus, que não impõe a sua vontade e seus desígnios a nós, mas leva em conta nossa liberdade para poder fazer acontecer em nossa vida os seus projetos. Assim foi com a Virgem Maria, aquela jovem de Nazaré, que permitiu que o próprio Filho de Deus viesse habitar em seu ventre, pela ação do Espírito Santo. Deus quis contar com Maria para realizar a nossa Salvação e ela respondeu generosamente, mesmo que não sabendo como tudo aconteceria…

Podemos imaginar o cuidado e o carinho, daquela jovem Mãe, para com o menino Jesus. Sua presença constante, seu zelo e amor, juntamente com a presença de José, criaram um ambiente saudável e seguro, mesmo nos momentos de perseguição, como a fuga para o Egito, para que Jesus pudesse crescer. E esta presença, foi fiel e constante, até nos momentos mais difíceis e dolorosos. Ela estava lá, de pé, junto à cruz, vendo seu filho ser morto pela maldade humana. Mas, também vivenciou o raiar do novo dia da ressurreição e pôde experienciar, que nada pode vencer o amor!

Seu silêncio de Mãe de Cristo, Mãe da Igreja e por isso nossa Mãe, é nossa segura esperança, de que temos na sua presença delicada de mulher e mãe, uma grande intercessora. Neste mês, especialmente, nela se evidencia o exemplo de Mãe, a ser seguido por todas as mulheres que receberam do próprio Deus esta grande graça, de serem geradoras de vida. A Ela, confiamos nossas queridas mães, vivas ou falecidas, com suas intenções, sonhos e esperanças. E, de maneira muito especial, àquelas que passam, como Maria passou, pelo momento da cruz, do sofrimento…

Que a Mãe de Jesus e nossa querida Mãe, Nossa Senhora da Agonia, acompanhe todas as mães que a ela recorrem, de perto e de longe, muitas vezes se identificando com suas dores aos pés da cruz, certas de verem despontar o dia novo da esperança em suas vidas. A todas, um grande abraço!

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Seguir o Ressuscitado!

Publicado em 2 de abril de 2014 \\ Palavra do Padre

É mês de abril, nele vivenciamos neste ano o grande mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, a quem queremos seguir. Daquele grupo de testemunhas oculares destes fatos principais de nossa fé, certamente a figura de algumas mulheres, dentre elas Maria Madalena é uma das que se destaca. Ela esteve sempre com o Senhor, provou na sua vida o seu amor sem limites, sentiu e sofreu com sua morte, mas foi a primeira a testemunhar sua Vitória, a Ressurreição. Que seu exemplo de amor apaixonado e total nos dê esperança e alegria no seguimento do Senhor.

1391281_55158833E mal desponta a aurora, lá vão elas…
Nas mãos os perfumes, os bálsamos.
Última homenagem a quem lhes curou o coração.
Nos olhos pesarosos de sono e cansaço
As lágrimas da saudade, de tristeza, de desilusão.
No coração, a noite, a grande noite
Do “shabat” que parece eterno, sem fim!…

“Quem nos removerá a pedra?” Pergunta lógica,
Humana, para quem ainda vê
E percebe `a sombra da derrota da cruz!
De repente… o túmulo aberto…
A pedra rolada, no jardim silencioso!
O coração bate mais forte, o espanto,
O mas?!…o como…?

Ainda a tristeza, embora as evidências:
A pedra rolada, os lençóis dobrados, o anjo…
Ainda o vazio, “hiato profundo”,
O corpo dava referência. E agora?
É o lusco-fusco, que pede paciência.
Hora crítica, onde fala o silêncio do sepulcro aberto,

das flores do jardim, do coração apertado…
Mistura de vida e morte, de confusão, angústia.

Aos poucos, vagarosamente o sol vai nascendo,
Trazendo seu brilho, sua cor, a Vida.
E na sinfonia cósmica, suavemente
A voz do anjo se mistura ao sussurro da brisa
E apaixonadamente vai anunciando,
Gritando num silêncio irresistível:

“Não está aqui. Ressuscitou!” 

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Mês de março, tempo de quaresma!

Publicado em 14 de março de 2014 \\ Palavra do Padre

Padre Quaresma

 

Estimado irmão e irmã internauta! Deus continuamente provê para nossa caminhada pessoal e comunitária, situações e acontecimentos para que possamos crescer e nos tornar mais parecidos com seu projeto de amor para cada um de nós. Neste tempo quaresmal, mirando a Páscoa do Senhor Jesus, somos convidados a “rasgar mais o coração que as vestes” (Jl 2,13) diante da misericórdia de Deus, para que nele penetre mais facilmente a luz suave e intermitente da ressurreição do Senhor.

Com suas propostas de renovação de vida, de conversão sincera de conduta, de aprofundamento da intimidade com o Senhor, de maior largueza de coração na vivência do amor fraterno, a quaresma nos oferece itinerários seguros de uma visão mais clara e vivencial do Evangelho. Mas, não poderia passar despercebida neste tempo, sobretudo neste mês de março a figura de São José. Ícone de quem amou e por isso soube confiar na ação misteriosa de Deus, mesmo quando tudo parecia levar a crer no contrário.

Sua maneira silenciosa de viver, como nos insinuam os poucos relatos que dele fazem os evangelhos, nos ensina que não é o fazer, o ter, o aparecer que constituem as verdadeiras marcas de uma vida feliz, de uma bem aventurada vida! Antes, é certamente, o ser. O saber escolher o que quero ser, apesar dos condicionamentos que me são impostos, que farão de mim, movido e orientado pela graça, alguém maduro da fé e na vida.

São José atingiu em tal grau esta maturidade, que lhe foi confiado pelo próprio Deus o cuidado pelo seu Filho único e da Virgem Maria. Que de mais precioso poderíamos ter? E dado o grande valor do que deve ser cuidado, deve-se dispor de algo ou alguém à altura para desempenhar tão nobre e exigente missão. São José foi este escolhido! E soube também, de sua parte saber escolher. Foi pai, esposo, cuidador e amigo. Por conta disso, podemos tê-lo como exemplo de vida na busca da vontade amorosa de Deus e mais ainda, podemos contar com sua intercessão valorosa diante daquele que por longos anos teve junto de si na terra e que agora contempla na eternidade.

Que seu amor a Jesus e a Maria, vividos de forma tão prática e natural; que seu silêncio e modéstia; que sua docilidade aos projetos misteriosos de Deus nos ajudem a viver nossa quaresma com esperança e perseverança, crendo nas promessas de Deus!

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

Responder com todo nosso ser

Publicado em 19 de fevereiro de 2014 \\ Palavra do Padre

Old Oak in Fields, Sunset“Um carvalho leva longos anos para atingir sua perfeição. Já é importante termos consciência do que nos falta. Com o tempo chegaremos lá.” (Pe. Chevalier, 1887).

No nosso dia a dia, perseguindo nossos sonhos, muitas vezes idealizamos nossos objetivos, idealizamos as pessoas que vão entrando em nossas vidas e também a nós mesmos. Se persistirmos nesse caminho, o risco de decepção e de frustração com a vida, quando a realidade se mostrar mais evidente, será muito grande. E isso se aplica na nossa caminhada, sobretudo neste mês de fevereiro, quando retomamos as atividades.

Aquele primeiro encanto e deslumbramento que sentimos por uma pessoa ou por um grupo qualquer devem vir seguidos, paulatinamente, de um conhecimento próximo, que possibilite ver a realidade sem a maquiagem com a qual, muitas vezes ela se apresenta. E claro, isso vale igualmente para a maneira com a qual nos relacionamos conosco mesmos.

Muitas vezes, por medo de um contato com nossas feridas e dificuldades, idealizamos em nós, uma imagem que dispensará grande energia para ser sustentada mo cotidiano. E a partir de então, nosso relacionamento conosco mesmo, com os outros e com Deus, passa a ser superficial, pois acontecerá através das máscaras que passaremos a usar.

Não há dúvida de que estamos continuamente nos formando e que esse processo faz parte da vida, nunca estaremos prontos. E por isso mesmo, as dificuldades, os medos, as sombras, as feridas que trazemos deveriam também, aos poucos, sendo percebidas, assumidas e amadas, por mais complicado que a jornada possa parecer.

Para dar um sentido a nossa vida, é essencial que tenhamos, mesmo que parcialmente, consciência de nossos potenciais e belezas, mas também de nossas fraquezas. É enriquecedor estar com pessoas, que vencendo a ilusão do perfeccionismo, conseguem abrir seu coração e sem medo de amar, ir respondendo com inteireza à voz de Deus, em meio às tantas interrogações da vida.

É preciso seguir! O caminho aos poucos vai se abrindo, as pedras seguramente serão companheiras, junto com o calor e alguns tropeços. Mas o horizonte que se mostra à frente atrai o olhar e o eleva por sobre as pedras, a poeira …

Pe. Lucemir Alves Ribeiro, MSC

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