Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Evangelho do dia – Jo 16,5-11

Publicado em 8 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

8/05/2018 – Para onde vais? (Jo 16,5-11)

Esta é a pergunta que os discípulos NÃO fizeram a Jesus. Afundados na tristeza da notícia da partida do Mestre, paralisados pela iminência da separação, eles emudeceram e não perguntam nada…

Eis o grave perigo: quando deixamos de perguntar, como receberemos a resposta? Isto explica, talvez, que tantos cristãos se afastem da Palavra de Deus. É que a leitura habitual da Bíblia nos leva a questionar, a fazer perguntas. E, como nos diz Jesus, a quem bater, a porta será aberta (cf. Mt 7,7). Mas existe uma disposição interior (obviamente má!) que nos adverte do “risco” que corremos quando fazemos perguntas a Deus. Não se faz isto impunemente…

Quem leu a obra monumental do romancista polonês Henryk Sienkiewicz [1846-1916] sabe que a mesma pergunta acabou saindo da boca de Simão Pedro. Já em Roma, desanimado diante das dificuldades e da perseguição de Nero, o primeiro Papa se dispunha a deixar a cidade. Segundo antiga tradição, anotada em livros não canônicos, Pedro vê que Jesus, na mesma estrada, vem trazendo a cruz aos ombros para entrar em Roma.

É quando Pedro, surpreso pela presença de Cristo, pergunta: “Quo vadis, Domine?” [Para onde vais, Senhor?] E Jesus responde que caminha para ser novamente crucificado, desta vez na capital do Império. A visão foi suficiente para que o apóstolo voltasse a Roma e morresse na cruz como seu Mestre.

Este é um tempo difícil para a Igreja. Na verdade, cada época tem suas dificuldades próprias. Jesus teve a oposição dos saduceus. Paulo enfrentou a espada romana. Os mártires de Nagasaki foram mortos pelo Shogun de Kogukawa. Maximiliano Kolbe foi vítima do nazismo. Entretanto, vejo os “tempos modernos” como ainda mais arriscados, pois a perseguição frontal é ardilosamente substituída pela cooptação, o aliciamento, a propaganda, a sedução do dinheiro, do sexo e do poder – exatamente os antípodas da pobreza, da castidade e da obediência, os três “conselhos evangélicos”.

Hoje, os adversários da Igreja se disfarçam de fornecedores, traficando um anti-Evangelho embalado em celofane. Venenosos bombons. Esse veneno se infiltra profundamente nas universidades, nas academias, nas maçonarias, nas multinacionais. Ali, tudo é permitido, menos a cruz de Cristo.

Por tudo isso, é hora de fazer perguntas. Perguntar a Jesus: “aonde vais?” Perguntar a nós mesmos: “para onde vamos?” Tenho a convicção de que não ficaremos sem respostas…

Orai sem cessar: “O Senhor protege o caminho dos justos!” (Sl 1,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 15,26 – 16,4a

Publicado em 7 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

7/05/2018 – Quando vier o Paráclito… (Jo 15,26 – 16,4a)

Esta frase de Jesus é uma seta arremessada para o futuro. Desde então, sua Igreja viverá sempre como um arco tenso apontado para o “pleroma”, quando o Universo inteiro estará repleto da presença de Deus, sem nenhuma sombra do erro e do mal.

Sem dúvida, Jesus se refere de modo especial à próxima vinda do Espírito Santo, na manhã de Pentecostes, com vento e fogo (cf. At 2), para dar à primeira comunidade cristã o “poder” (cf. At 1,8) que lhe permitirá cumprir sua missão evangelizadora. Basta folhear as páginas do livro dos Atos dos Apóstolos para verificar – não sem uma dose de espanto! – a notável co-operação do Espírito divino com as primeiras testemunhas do Salvador.

Mas não se esgota aí o olhar da Igreja para este tempo gravado na promessa: “quando vier o Paráclito”. Se fosse assim, viveríamos apenas do passado. Ao contrário, em cada época, em cada geração, em cada vida humana repete-se a expectativa da mesma “Vinda” do Espírito. Aqui e ali, registram-se reavivamentos e novos sopros do Espírito. É nesse mesmo Paráclito que a Igreja respira e se inspira para encontrar o rumo em cada reviravolta da História dos homens, que é também a História da Salvação.

Quando nossos jovens são preparados para a Crisma, o Sacramento da Confirmação, nós precisamos acender em cada um deles a viva chama dessa expectativa. Como atletas na linha de partida, precisam ficar atentos ao sinal de largada. E sem as moções do Espírito Santo, correrão em círculos…

Cabe um olhar atento sobre nossas comunidades. Vivemos no Espírito? Arde em nós a chama dos primeiros discípulos? Somos cristãos em missão? Ou a rotina nos transformou em meros burocratas, executando tarefas previsíveis que são mais um fardo que um desafio?

Vale insistir em perguntas. Quem nos vê percebe algo diferente do comportamento dos novos pagãos? Nossos objetivos são diferentes? Nossos programas são diferentes? Nossas motivações são outras?

Se a diferença se apaga, se os contrastes se anulam, é que a chama do Espírito já foi sufocada em nós. Deixamos que o “espírito” do mundo nos conformasse (cf. Rm 12,2) a seus valores e interesses. Assim, já não incomodamos, não chamamos a atenção, não fazemos diferença…

Ah! Quando o Paráclito vier, teremos como respirar, como nos inspirar. E, enquanto não vem, ao menos devemos suspirar…

Orai sem cessar: “Não me prives, Senhor, do teu Santo Espírito!” (Sl 51,13)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 15,9-17

Publicado em 6 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

6/05/2018 – Permanecei no meu amor! (Jo 15,9-17)

Todo amor verdadeiro traz consigo uma exigência de estabilidade. Como a ave marinha busca pelo rochedo onde descansará, assim o amor sai da pessoa amante à procura da pessoa amada. Amor: movimento em busca de descanso. Amor: dinamismo em busca de equilíbrio…

O verbo “permanecer” [que Jesus repete 9 vezes em 4 versículos – cf. Jo 15,4-7] é formado de um prefixo “per” [= por completo, totalmente] e do verbo latino “manere” (do qual deriva o substantivo “mansão”, o lugar de repouso, a casa da família). Assim, permanecer é ficar em definitivo, sem mudanças e transferências, como quem encontrou seu espaço “permanente”, seu porto de chegada.

Jesus quer permanecer em nós. Por iniciativa dele, jamais nos separaríamos. A única condição para essa permanência é que nós mesmos, usando de nossa liberdade espiritualizada pelo Batismo, jamais interrompamos essa amizade tão íntima. Apenas um ato de volição de nossa parte, recusando o amor e preferindo o mal, pode amputar-nos de seu tronco vital, como ramos decepados da Videira verdadeira.

Vivemos um tempo de coisas provisórias. Objetos descartáveis. No lar de nossos avós, a cristaleira e a velha eletrola eram incorporados em definitivo ao ambiente caseiro. Também as relações eram estáveis, segundo o juramento feito “até que a morte nos separe”. Hoje, assalta-nos uma inquietação interior que leva a quebrar juramentos, abandonar projetos e rejeitar missões assumidas de forma solene. Já não sabemos “permanecer”…

Isto explica – ao menos em parte – a “mobilidade religiosa” que faz os fiéis saltarem de Igreja em Igreja, de seita em seita, de filosofia em filosofia, como miquinhos no arvoredo. Em pouco tempo se cansam do novo galho e partem para outra aventura. Assim, não deixam maturar relações profundas, não criam raízes, não esperam pelo tempo da colheita.

Neste Evangelho, Jesus nos convida a permanecer no seu amor. “Manete in dilectione mea” – onde não se lê “amor” (mero sentimento), mas “dileção” (amor dedicado, diligente e, se preciso for, amor sofrido). Trata-se daquele amor que foi provado pela cruz, pelas crises do casamento, pelas tempestades da vida, pelas tentações do Maligno e, se necessário, pelo salto no escuro.

Somos todos chamados a um amor de eternidade. Um amor mais forte do que a morte (cf. Ct 8,6).

Orai sem cessar: “O Senhor me esconde no seu abrigo.” (Sl 27,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 15,18-21

Publicado em 5 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

5/05/2018 – Também perseguirão a vós… (Jo 15,18-21)

Se nós fôssemos “do mundo”, garante-nos Jesus, seríamos certamente apreciados e valorizados. Quem vê televisão ou acompanha o noticiário esportivo pode confirmar isto. Dinheiro, fama e simpatia para os “ídolos” da tela e das arenas.

Mas não somos do mundo, somos de Cristo. E Cristo foi odiado. Incômodo, incapaz de pactuar com a mentira e o pecado, foi logo “eliminado”. O ícone bizantino da Crucifixão mostra Jesus na cruz. No fundo, veem-se duas muralhas: a do Templo e a da cidade. Isto mostra a dupla “excomunhão”, o duplo anátema sofrido por Jesus: excluído do espaço religioso e excluído do espaço social. Mais uma vez, “não havia lugar para ele”…

Pode ser um “dever de casa” ir folheando as páginas do Evangelho e anotar os sinais do ódio contra Jesus: o Rei Herodes tenta matá-lo ainda bebê: (Mt 2,16); seus conterrâneos espumam de raiva e querem lançá-lo do alto do monte (Lc 4,28-29); armadilhas doutrinárias contra Jesus (Jo 8,6); arapucas políticas (Mc 12,13ss); tentativas de lapidação (Jo 10,31); a decisão oficial de levá-lo à morte (Jo 11,49-50) e, enfim, a traição de Judas (Mc 14,10-11).

Muitos de nós temos sofrido perseguição. Eu, pessoalmente, fui preso em 1968, em Volta Redonda, RJ, por ocasião do Ato Institucional nº 5, em consequência da crise entre a Igreja local e o Exército. Mas outros cristãos, leigos e padres, chegaram a ser torturados e mortos devido às posições que haviam tomado a partir de sua fé.

Jesus anunciara que seria assim. Só que, na hora do aperto, quando nos chamam de carola ou rato-de-sacristia, quando o marido pergunta à esposa se ela não quer levar o colchão para a sacristia, quando os colegas de trabalho jogam a sua Bíblia no cesto de lixo (aconteceu com um amigo nosso!), aí nós ficamos chateados… Vejam só o que fizeram comigo, um cristão tão fiel!!! E nos fazemos de vítimas, mostrando que esperávamos algum tipo de prêmio ou retribuição por nossa fé.

No fundo, é uma infantilidade. Os primeiros catecúmenos, quando pediam o Batismo cristão, sabiam que estavam assinando o seu atestado de óbito. Logo, logo estariam enfrentando o carrasco ou os leões do Coliseu. Nós, pós-modernos, imaginamos que a certidão de batismo é a nossa inscrição para o Prêmio Nobel da Paz. Por isso nunca estamos dispostos a sofrer as eventuais perseguições sem crises hepáticas…

Jesus Cristo sofreu. Sua Mãe, a Senhora das Dores, também sofreu. Por que nós não deveríamos sofrer?

Orai sem cessar: “Só em Deus repousa a minha alma!” (Sl 62,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 15,12-17

Publicado em 4 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

4/05/2018 – A própria vida pelos amigos… (Jo 15,12-17)

Neste mundo, nós vivemos cercados de muitos amores, em diferentes gradações. Em sua obra magistral “Os Quatro Amores” (Ed. Martins Fontes, 2005), o escritor irlandês C. S. Lewis deixou bem clara a diferença que existe entre um amor-necessidade, mero egoísmo, e um amor-doação, que de algum modo se assemelha ao amor que Deus sempre manifestou por nós.

Os gregos antigos sabiam distinguir entre a afeição familiar, o erotismo da paixão, a amizade por escolha e, enfim, o amor-caridade que leva a dar a vida pelo outro. Por isso mesmo, utilizavam verbos diferentes para cada um desses “amores”: érein (amor de Eros), stérguein (amor parental, amor ‘do sangue’), phylein (amor de amizade) e, enfim, agapán (amor de caridade ou de adoração a Deus).

Neste Evangelho, Jesus nos fala do amor maior: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.” E logo ele passaria à ação, abraçando a cruz salvadora e entregando-se à morte por nós – os amigos -, para mostrar a que culminância atingia o amor de Deus por nós!

Claro que esse amor não é merecido! Como observa Lewis, “existe em cada um de nós algo que não pode ser amado naturalmente. Não é defeito dos outros não amá-lo. Só o que é amável pode ser amado naturalmente. É como pedir às pessoas que gostem do sabor do pão embolorado ou do som da furadeira elétrica. Apesar disso, podemos receber perdão, misericórdia e amor pela Caridade – não há outro modo”.

É assim que Deus nos ama: apesar de nossos pecados, da lama mal-cheirosa que nos cobre, seu amor de ágape insiste em nos salvar e santificar, além de toda expectativa humana. Perdão e misericórdia sem limites são a marca de seu imenso amor por nós. Os santos – aqueles que mergulharam nesse amor de caridade – manifestam em sua vida o mesmo amor que não conhece fronteiras.

Abrindo mão de todo projeto pessoal – inclusive o de conservar a própria vida, como Maximiliano Kolbe, Gianna Beretta Molla e uma legião de mártires do Séc. XX -, os santos são impelidos pelo amor a se transformarem em hóstias vivas (Cf. Rm 12,1-2) e consagrar todos os seus esforços, tempo e recursos humanos para o bem-estar, o progresso e a salvação dos outros. E o fazem cheios de alegria, pois são impelidos pelo amor.

Por isso mesmo, quem se encontra com um santo, encontra-se com Deus…
Orai sem cessar: “Senhor, tu sabes que te amo!” (Jo 21,16b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 14,6-14

Publicado em 3 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

3/05/2018 – Conhecereis também a meu Pai! (Jo 14,6-14)

Na festa de dois santos apóstolos e mártires – Filipe e Tiago -, o Evangelho vem trazer à nossa memória uma animadora promessa de Jesus: chegaremos a conhecer o Pai de Jesus Cristo!

Antes, Filipe já havia pedido: “Mostra-nos o Pai, e isso nos basta!” Jesus pareceu espantar-se: “Há tanto tempo estou convosco e não ME conheceis, Felipe? Quem ME viu, viu o Pai”. O mesmo Jesus que diria: “Eu e o Pai somos UM”, apresenta o seu próprio rosto como a Face do Pai.

De fato, as palavras e os gestos de Jesus manifestavam – mais que todas as teofanias da Primeira Aliança, com suas nuvens, trovões e efeitos especiais – os traços próprios da “personalidade” do Pai celeste: misericórdia e amor, cuidados pelos seus, uma Vida inesgotável e um perdão sem limites. Essa imprevista “revelação” chegaria ao seu ponto culminante no Calvário, quando o Amor divino seria traduzido na entrega da própria vida do Filho Unigênito.

Estamos diante de uma experiência religiosa que vai além de tudo que a humanidade já experimentara em sua busca espiritual. Deus não se confunde com as forças da matéria, que deveriam ser dominadas pela magia e pelos encantamentos. Deus não é um ser ameaçador cujo excesso de poder pode extravasar e causar a ruína dos mortais. Deus não é uma solidão inatingível no alto do Olimpo, neutra diante das misérias humanas. Deus não é um Destino que puxa os cordéis das marionetes de carne e osso. Deus é Pai.

É para este Pai que Jesus começa a se encaminhar, já no final de sua missão terrena. E promete estar junto do Pai como nosso intercessor: “Tudo o que pedirdes ao Pai EM MEU NOME, eu o farei…” E pedir “em nome de Jesus” é pedir o que Jesus pediria: a glória do Pai, a implantação de seu Reino na terra, o cumprimento de sua Vontade.

E o pão? E o leite? E as roupas? E o diploma? E o salário? E a aposentadoria? “São os pagãos que se preocupam com estas coisas; vosso Pai celeste sabe muito bem que precisais de todas elas.” (Mt 6,32) Que devemos, pois, buscar? “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e tudo o mais vos será… dado!” (Mt 6,33)

Vivo como pagão? Tento arrancar as coisas de Deus como se ele não fosse meu Pai? Ou me abandono, confiante, em suas mãos amorosas?
Orai sem cessar: “Nas tuas mãos, ó Pai, entrego a minha vida!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Eu sou a videira… (Jo 15,1-8)

Publicado em 2 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

2/05/2018 – Eu sou a videira… (Jo 15,1-8)
Ao transmitir esta alegoria a seus discípulos, possivelmente Jesus tivesse em mente o frontão do Templo de Jerusalém, onde se erguia na época o símbolo de Israel: uma videira de ouro. Aliás, no Antigo Testamento, acha-se o mesmo símbolo para designar o Povo Escolhido. Em Isaías 5, o “Cântico da Videira” registra a decepção do Senhor por não encontrar frutos na vinha em que ele investira suas esperanças…
Aqui, Jesus deixa claro que ele, sim, é o verdadeiro Israel, nele está sintetizado o “Povo de Deus”. E só participam desse povo aqueles ramos que nele estão enxertados. Quem se deixa amputar desse Tronco perde a “seiva” do Espírito Santo, perde o contato com a Fonte de Vida para murchar, secar e ir ao fogo.
Os iconógrafos do Oriente, evidentemente inspirados pelo apóstolo Paulo, viram nesta alegoria uma imagem da Igreja, onde Cristo é o tronco e nós somos os ramos. De fato, estamos diante de um mistério de “comunhão” [koinonia]. Mantendo uma “vida comum” com Cristo, nós somos Igreja. Fica, pois, evidente a necessidade de uma simbiose com Cristo, uma participação em sua vida, sempre renovada pelo contato permanente com sua Palavra e seus Sacramentos.
Natural, esta simbiose proporciona o surgimento de frutos, um deles em especial: “o fruto da unidade orgânica de Cristo e dos seus, sua união no amor” (L. Bouyer) E uma virtude se destaca como sinal dessa pertença ao Tronco: a obediência, marca essencial da dependência humana em relação a Deus.
Vale acrescentar que Jesus não escolheria ao acaso esta imagem da videira para falar de si mesmo. A vinha supõe a ideia de plantação que exige cuidados. Além disso, a vinha produz o vinho, imagem do sangue derramado por nossa salvação. Ainda que veladamente, Jesus antecipa seu sacrifício.
O mesmo vinho inebria, inflama, aquece os corações, afastando a frieza que entorpece e paralisa o homem. Alusão à ação do Espírito Santo, sem o qual a Igreja iria estagnar-se, incapaz de anunciar a Boa Nova, incapaz de dar frutos de salvação.
Orai sem cessar: “Graças mim é que produzes fruto!” (Os 14,8b)
Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 13,54-58

Publicado em 1 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

1º/05/2018 – Não é o filho do carpinteiro? (Mt 13,54-58)

Na festa de São José Operário, a liturgia dirige nosso olhar para a casa de Nazaré. Era a casa de José, o naggar, palavra hebraica que designa não um simples carpinteiro, mas um “artesão” capaz de trabalhos mais refinados. No texto grego, São Lucas usa a palavra “tékton”, termo genérico que engloba as atividades de um marceneiro, um ferreiro etc. Mas, acima de tudo, estamos na presença de um operário movido pelo amor.

Na Encíclica “Redemptoris Custos” [O guarda do Redentor], de 1989, o Papa João Paulo II escrevia: “A expressão cotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da família: o trabalho de carpinteiro”. (RC, 22)

O texto logo associa o trabalho ao mistério da encarnação do Verbo de Deus: “O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho um acento especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus, ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular”. Ocorre uma “redenção” do trabalho. Tantas vezes recusado pela “gente fina” e transformado em símbolo de escravidão, depois de Nazaré ele vai mostrar-se como instrumento de santificação e realização do homem.

Em outra Encíclica, o mesmo João Paulo II comentava: “O suor e a fadiga, que o trabalho comporta necessariamente na presente condição da humanidade, proporcionam aos cristãos e a todo homem, dado que são chamados para seguir a Cristo, a possibilidade de participar no amor à obra que o mesmo Cristo veio realizar”. (Laborem Exercens, 27) Isto quer dizer que o objetivo maior do trabalho humano não é a retribuição material pelo salário, nem o reconhecimento social pelo sucesso, mas a oportunidade de amar concretamente, ao dispor os dons pessoais em benefício do próximo.

“Suportando o que há de penoso no trabalho em união com Cristo crucificado por nós – prossegue o Papa – o homem colabora, de algum modo, com o Filho de Deus na redenção da humanidade. Mostrar-se-á como verdadeiro discípulo de Jesus, levando também ele a cruz de cada dia nas atividades que é chamado a realizar.” (LE, 22)

Orai sem cessar: “Viverás do trabalho de tuas mãos…” (Sl 128,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 14,21-26

Publicado em 30 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

30/04/2018 – Se alguém me ama… (Jo 14,21-26)

A prova real do amor é a obediência. Ao contrário daquilo que se afirma no mundo pagão, sedento de autoafirmação e soberba, quem ama obedece… Um filho que se sente amado não assumirá ares de rebeldia em relação aos pais. A mulher que se sente amada não terá arrepios ao ler o Apóstolo Paulo, que fala de submissão ao marido (cf. Ef 5,22-23). Muito ao contrário, os gestos e atitudes de obediência constituem uma espécie de resposta ao amor recebido. É o amor traduzido em entrega e abandono.

Em nossa vida espiritual, que pensar de alguém que afirma amar a Deus e, ao mesmo tempo, se rebela contra seus mandamentos, autênticas defensas que o Pai celeste nos deu para seguirmos com segurança na estrada da vida? Como amar a Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, repelir o ensinamento da Igreja, seu Corpo? Como conciliar as emocionadas declarações de amor e o sentimento íntimo de ser tolhido pelo Amado? Que amor é esse que chega a incomodar?

Fazendo um retiro espiritual no Foyer de Charité, em Mendes, RJ, veio-me a inspiração para este soneto, intitulado “OBEDECER”:
Obedecer… Deixar que sua Mão

Aponte cada passo do caminho,

Sem escolher a flor, fugir do espinho,

Sem afastar as pedras do meu chão…

 

Obedecer… Aposentar o “não”,

Deixar meu interesse mais mesquinho,

Abandonar a vida em desalinho,

Deixar que Deus me amasse como o pão…

 

Obedecer… Queimar os meus navios

E seguir arrastado pelos rios

E remoinhos do querer de Deus…

 

E, assim, sem resistir ao seu transporte,

Deixar que Ele decida a minha morte,

Transfigurando em luz os erros meus…
Orai sem cessar: “Tuas exigências fazem minhas delícias!” (Sl 119,24)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 15,1-8

Publicado em 29 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

29/04/2018 – Permanecei em mim! (Jo 15,1-8)

Jamais chegaremos a esgotar a riqueza dos simbolismos que Jesus nos apresenta nesta alegoria da Videira. Músculos e prata, a videira extrai do solo os nutrientes que irá transformar em energia e doçura, cores e fragrâncias. Sob os raios do sol, produzirá as tonalidades do Bordeaux e os sabores do Valpolicella. Reunida a família, o vinho estreitará os corações, regendo os cânticos festivos e difundindo a alegria renovada. Mas para tudo isso, a uva deve ser esmagada…

Jesus Cristo crucificado é a uva que se deixou esmagar generosamente. Sim, o vinho não foi escolhido por acaso como sinal sacramental. Ao lado do trigo generoso, também os cachos de uva devem ser colhidos, amputados do tronco, levados ao lagar e ali pisados sem piedade.

Quando a Igreja contempla compungida o Cristo Crucificado, ela percebe que tem diante dos olhos a imagem daquele que foi calcado pelos homens. Desde o Calcário, seu sangue pisado é nossa bebida salutar. Sangue todo derramado, distribuído até a última gota, quando a lança aguda do centurião romano rasgou o lado de Jesus, “e imediatamente saiu sangue e água” (Jo 19,34).

Na sagrada Eucaristia, uma vez alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo, passa a correr em nossas veias o mesmo Sangue derramado. Por este sacramento de vida, entramos em íntima comunhão com o Doador universal. Nas palavras ousadas de São Cirilo de Jerusalém, tornamo-nos com Jesus Cristo concorpóreos [sýssomos] e consanguíneos [sýnaimos]. De certo modo, nós somos cristificados com ele. Com ele e com sua missão salvadora…

Daí em diante, como poderíamos negar-nos a ser pisados em benefício dos outros? Como negaríamos nosso esforço e trabalho, suor e cansaço, para ajudar a caminhada de nossos irmãos? Como iríamos, ainda, alimentar projetos de acumulação e glória, comodidade e lazer? Como nos limitaríamos a viver nossa própria vidinha, quando a própria vida de Cristo corre em nossas veias? Quando a cruz do Calvário nos é oferecida?

Sim, permanecer em Jesus não sai barato. O preço desse amor sem medidas é a cruz partilhada. Desde o áspero Calvário, o humilde Simão de Cirene inaugurava tal modo de participação no amor e na cruz. Por isso mesmo, talvez, sejam tão poucos os que escutam o seu convite…
Orai sem cessar: “Quem poderá nos separar do amor de Cristo?” (Rm 8,35)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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