Santuário Nossa Senhora da Agonia
  •  Av. N. Sra. da Agonia, s/n – Bairro N. Senhora da Agonia - CEP 37500-970
  • Itajubá-MG - Tel: (35) 3623-2512 – E-mail: pascom@nsagonia.com.br

Evangelho do dia – Jo 21,15-19

Publicado em 18 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

18/05/2018 – Tu me amas? (Jo 21,15-19)

Por três vezes, Jesus faz a Pedro uma pergunta direta, incômoda pergunta, pois, antes da Paixão, o Apóstolo acabara de negar por três vezes que fosse um dos seguidores do Mestre. No entanto, a resposta de Pedro é afirmativa: “Tu sabes que te amo!”

Mas existe no texto um pormenor que nossas traduções costumam ocultar. Nas duas primeiras vezes, quando Jesus faz aquela pergunta, usa o verbo “dilígere” (traduzindo o grego original do Evangelho: agapãs). Na resposta, Pedro usa outro verbo: “amare” (que traduz o grego philô). É como se nós tivéssemos este diálogo: – Tu me amas de amor? – Sim, eu te amo de amigo.

O verbo empregado na pergunta é muito mais exigente, exprime um amor mais elevado, um amor de adoração, como o que se dirige a Deus. O verbo da resposta é menos exigente, expressa uma afeição de simpatia e de amizade. Mas, na terceira vez, Pedro chega a chorar… Para sua surpresa, desta vez o Mestre abandonara o verbo mais exigente e, baixando o nível, fez a pergunta com o mesmo verbo que Pedro vinha empregando: “Tu me amas de amizade?”

Deus é assim. Ele está pronto a aceitar o limitado amor que, no momento, podemos manifestar. Deus sabe que sempre podemos crescer no amor, dia após dia, até chegar às impensáveis alturas do martírio. Ora, foi exatamente assim com Pedro. Mais tarde, o apóstolo seria encontrado em Roma, crucificado como o Mestre, agora capaz de responder: “Sim, Senhor, eu te amo de adoração!”

Quanto a nós, o mais importante é considerar que Jesus, a cada resposta de Pedro, insistia sempre no mesmo ponto: “Apascenta os meus cordeiros! Apascenta as minhas ovelhas!” Entendo que Jesus queria dizer ao apóstolo: “Ah! É assim? Tu me amas? Então prova-me isto, cuidando daqueles que são meus! Seja um bom pastor. Quem me ama, pastoreia!”

Pais gerando filhos, professores educando alunos, catequistas instruindo seus pequenos, médicos cuidando dos pacientes, patrões zelando por seus empregados, sacerdotes orientando os fiéis para Cristo – todos eles estão respondendo à pergunta de Jesus: “Tu me amas?”

E você? Ama a Jesus?
Orai sem cessar: “Eis-me aqui, Jesus, para cuidar de teu rebanho!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 17,20-26

Publicado em 17 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

17/05/2018 – … e os amaste como a mim… (Jo 17,20-26)

Dirigindo-se ao Pai, Jesus faz uma afirmação chocante: nós somos amados pelo Pai com o mesmo amor que ele dedica ao Filho, Jesus. O Justo e os pecadores, o Santo e os decaídos, todos amados igualmente – isto é, infinitamente – pelo Pai!

Naturalmente, esta verdade tem sérias consequências. Em primeiro lugar, ajuda a compreender que o Pai tenha entregado à morte o seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, para nos salvar da perdição eterna. A explicação está nesse desmedido Amor divino, do qual a raça humana é objeto. E o Filho, que experimenta por nós um amor igual, aceita de boa vontade cooperar com o plano de salvação proposto pelo Pai amoroso.

Em segundo lugar, vemo-nos forçados a abandonar de vez aquela velha ideia de que o amor deva ser “merecido”. Os bons são amáveis; os maus, não o são. Ora, como diz São Paulo, “com efeito, quando ainda éramos fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. É difícil que alguém queira morrer por um justo; talvez aceitasse morrer por um homem de bem. Mas nisto Deus prova o seu amor para conosco: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores”. (Rm 5,6-8.)

Os honestos sentem dificuldade em aceitar esta evidência: Deus, o Pai, ama igualmente a vitima e o agressor, pois ambos são filhos! E sofre com ambos! Depois disto, não podemos insistir em discriminar as pessoas e em decidir quem “merece” e quem não merece o nosso amor. A quem devemos considerar como irmão e a quem podemos rotular de fera, animal e bandido…

Quando o Papa João Paulo II foi à penitenciária para levar o seu perdão àquele homem que lhe dera três tiros, o turco Ali Agca, deu-nos a demonstração de que conhecia muito bem esta realidade: seu agressor era amado por Deus, apesar do mal que havia cometido. Também para ele continuava aberto um caminho de volta à casa do Pai, uma possibilidade de arrependimento e conversão. Por isso mesmo, do alto da cruz, Jesus suplicava ao Pai que perdoasse os seus agressores…

Isto é amor. O contrário é o ódio. E, para quem segue a Jesus Cristo, nada justifica que o amor ceda lugar ao ódio…

Meu coração ainda conserva sementes de ódio e violência? Que tenho feito para exercitar o amor de Deus que foi depositado em mim?
Orai sem cessar: “Senhor Jesus, ensina-me a perdoar!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 17,11b-19

Publicado em 16 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

16/05/2018 – Para que sejam um… (Jo 17,11b-19)

Em Deus não há divisão. As três Pessoas trinitárias – Pai, Filho e Espírito Santo – vivem na mais perfeita comunhão, de tal modo que o Deus revelado pelas Escrituras é ao mesmo tempo Uno e Trino. A Igreja deve ser o reflexo dessa unidade divina, vivendo o mesmo mistério da comunhão: a missão que o Pai entregou ao Filho, no Espírito, é a mesma missão que a Igreja recebe de Jesus. E não poderá cumpri-la sem viver na unidade.

Nesta “Oração Sacerdotal”, Jesus manifesta ao Pai o seu mais profundo anseio pela unidade “dos seus”. De algum modo, ele se antecipa à realidade histórica que todos nós conhecemos, marcada pela fratura da unidade, por cismas e divisões internas. E devia saber que o mundo pagão se escandalizaria com a disputa entre diferentes grupos que se dizem seguidores do mesmo Mestre e Pastor… Escândalo que acaba por neutralizar o esforço missionário.

O Concílio Vaticano II referiu-se a tal situação: “Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e andam por caminhos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido. Esta divisão, sem dúvida, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e se constitui em escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda criatura”. (Unitatis Redintegratio, 1.)

Desde o Vaticano II, verificou-se um notável empenho ecumênico, com jornadas mundiais de oração, visitas do Papa a lideranças de outras religiões e Igrejas. Mas este esforço ainda não encontrou muitas ressonâncias em nível comunitário, onde persiste um clima de competição e antipatia. Pecados nossos, que exigem penitência e conversão.

Ainda que determinadas denominações sejam agressivas e proselitistas, o fiel que tem uma fé madura e bem fundamentada não deve temer a convivência ou o confronto com seus membros. Há um vasto campo de cooperação e de boa vontade no qual o anseio de Jesus pode lançar as primeiras sementes de paz e de fraternidade.

Passados mais de 40 anos do Concílio, todos já perceberam que a aproximação ecumênica é antes de tudo uma questão de conversão interior. Quando todos os corações estiverem de fato unidos a Jesus Cristo, já não haverá diferenças entre nós.

Faço parte daquele grupo que atiça a inimizade entre cristãos? Ou ajudo a lançar pontes e aparar diferenças?
Orai sem cessar: “Pai, que todos sejam um!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 17,1-11a

Publicado em 15 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

15/05/2018 – Erguendo os olhos aos céus… (Jo 17,1-11a)

Os homens desta época andam de olhos baixos, fitando o chão. Não esperam nada “do alto”. Isto significa que eles contam apenas consigo mesmo, com seus recursos, com seus esforços. Não admira que vivam tensos, estressados, esgotados na luta pelo pão, pela roupa, pela saúde.

Claro, é coisa de pagão. O próprio Jesus havia alertado: “São os pagãos que se preocupam com essas coisas. Vosso Pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso”. (Mt 6,32) Com esta frase, o Mestre nos convidava a esperar de Deus as coisas essenciais de nossa vida, o que não dispensa – óbvio! – nossa cooperação pessoal.

Jesus de Nazaré é nosso exemplo perfeito para a experiência de uma vida filial, quando jamais se perde a relação com o Pai, sabendo que Ele tudo provê: “Agora eles sabem que tudo quanto me deste vem de ti”. (Jo 17,7) Neste Evangelho, Jesus reza por si mesmo e por seus discípulos, mas sua prece é iniciada por um olhar: “erguendo os olhos ao céu”. O gesto manifesta o destinatário da oração…

Eis o comentário do monge André Scrima: “Jesus já ergueu os olhos ao céu quando ele abençoou os pães e os multiplicou. E também quando rezou por ocasião da Ceia e abençoou. Desta vez, entretanto, é ele mesmo que se oferece e abençoa: ele oferece a si mesmo em oferenda. Ademais, isto acontecia diante do povo ou dos discípulos. Agora, no presente, isto se realiza somente diante do Pai. Neste instante, Jesus é verdadeiramente o único sacerdote, o sumo-sacerdote que só pode sacrificar a si mesmo, pois ele é “a oferenda”.

Jesus vem do Pai. Jesus vem a nós em nome do Pai. Jesus aceita o convite do Pai para se dar em sacrifício (cf. Hb 10,5-7). A cada milagre, Jesus sabe que age pelo Pai (cf. Jo 11,41b). No clímax de seu sacrifício, Jesus se abandona ao Pai e brada: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. (Lc 23,46)

Quando deixaremos de olhar para o chão? Quando começaremos a olhar para o alto? Quando passaremos a erguer os olhos ao céu, como filhos confiantes que tudo esperam do Pai?

Orai sem cessar: “Tenho os olhos fixos no Senhor!” (Sl 25,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 15,9-17

Publicado em 14 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

14/05/2018 – Que a minha alegria esteja em vós! (Jo 15,9-17)

Qual será a motivação central da alegria cristã? Este Evangelho nos apresenta mais de um motivo para nossa alegria. Entre outras coisas, Jesus diz aos discípulos (e a nós!) que eles devem amar-se mutuamente. A seguir, ele nos qualifica como seus “amigos”, e não meros servidores. Um degrau acima, Jesus afirma que nos deu a conhecer o Pai. Será suficiente para nossa alegria?

No mundo pagão, a alegria transformou-se em mercadoria. Paga-se para experimentar algum tipo de alegria, como se ela brotasse da diversão, e não da conversão. É o caso de um show musical, de uma viagem ao Caribe, de um passeio à Disneylândia, do último filme premiado com o Oscar ou de quatro noites de Carnaval. Como se sabe, alegrias que duram pouco. Sujeitas a chuvas e trovoadas. Como disse o poeta da “Marcha da quarta-feira de Cinzas”, o inspirado Carlos Lyra, “pra tudo se acabar na quarta-feira”.

Neste Evangelho, Jesus quer juntar ao dom da paz o dom da alegria. “Estas duas palavras – observa Louis Bouyer – aparecem constantemente nos escritos dos primeiros cristãos, e é a união delas é a principal característica do espírito cristão primitivo.” As saudações judaicas falavam de paz: o grande Shalom. Os cumprimentos dos gregos preferiam a alegria. É dessa alegria que se fez a saudação de Gabriel a Maria de Nazaré: Chaire! Alegra-te!

Os cristãos souberam reunir as duas palavras – paz e alegria – como o anseio por uma bênção em plenitude. E sabiam muito bem que essa bênção não podia ser comprada nem fabricada, pois Jesus tinha anunciado: “Eu vos dou a minha paz… não como o mundo a dá…” (Jo 14,27) É puro dom, não é conquista.

Enfim, para vislumbrar a alegria cristã, podemos voltar ao tríplice anúncio que Jesus acabava de fazer: o amor entre irmãos, a amizade com o Filho, a vida filial com o Pai. A alegria é impossível sem o amor. É a alegria de ser amado que torna possível a alegria de amar. Uma vez agraciados com o amor trinitário, nosso coração se ampliará e irá irradiar aos outros a mesma alegria.

Orai sem cessar: “Devolve-me, Senhor, a alegria de ser salvo!” (Sl 51,14)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 16,15-20

Publicado em 13 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

13/05/2018 – Foi elevado ao céu… (Mc 16,15-20)

A ascensão de Jesus ao céu constitui a penúltima etapa de sua glorificação, enquanto esperamos pela derradeira: sua Vinda como juiz dos vivos e dos mortos. E quando o Senhor volta ao Pai, os discípulos se prostram em adoração, reconhecendo a divindade de seu Mestre.

Se Jesus, ao fim de sua vida, fosse sepultado e permanecesse no ventre da terra, hoje nós o recordaríamos, talvez, como um sábio do Oriente, um agitador social, uma vítima dos poderosos, um homem com poderes especiais. Apenas isto. O fato, porém, de ressuscitar, trazendo em seu corpo as marcas da Paixão, e enfim elevar-se diante dos olhos de todos e voltar ao seio da Trindade, é o testemunho definitivo de sua filiação divina.

Conforme ensina o “Catecismo da Igreja Católica”, o corpo de Jesus Cristo “foi glorificado desde o instante de sua Ressurreição, como provam as propriedades novas e sobrenaturais de que desfruta a partir de agora em caráter permanente”. “A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível de sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem e pelo céu (cf. At 1,9; Lc 9,34-35; 24,51).”

Em seu diálogo noturno com Nicodemos (cf. Jo 3,13), Jesus de certa forma antecipara a notícia de sua ascensão: “Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem”. Em discussão com seus adversários, Ele se referiu à futura “subida” de volta ao Pai: “Por pouco tempo ainda estou convosco; depois vou para aquele que me enviou. Vós me procurareis e não me encontrareis”. (Jo 7,33-34)

Natural, precisamos recorrer à linguagem humana – sempre limitada – para descrever as realidades supra-humanas. Por isso falamos em subir, céu, nuvem. Apesar de nossas imagens infantis, o “céu” não é um lugar, uma topografia onde se acham seres, pessoas, objetos. O “céu” é o seio do Pai. Subir ao céu é regressar à Fonte de onde o Filho viera.

Agora, Cristo está sentado à direita do Pai. O Catecismo cita S. João Damasceno, que traduz a expressão “direita do Pai” como a glória e a honra da divindade, onde aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos como Deus e consubstancial ao Pai, sentou-se corporalmente depois de encarnar-se e de sua carne ser glorificada. (CIC, 663)

Orai sem cessar: “Se eu subir aos céus, tu aí estás…” (Sl 139,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 16,23b-28

Publicado em 12 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

12/05/2018 – Eu saí do Pai… (Jo 16,23b-28)

Se ainda havia alguma dúvida a respeito da pessoa de Jesus Cristo e de sua natureza, esta frase do Evangelho constitui a sua plena revelação. “Revelação” no sentido estrito de “retirar o véu” que cobria o mistério e, até então, impedia nosso acesso a ele: “Eu saí do Pai e vim ao mundo”. Sem meias palavras, é a declaração formal de sua divindade, que situa Jesus infinitamente acima de qualquer profeta, ou reformador social, ou dos curandeiros de seu tempo.

São bem conhecidas as clássicas perguntas acerca da natureza do homem: quem sou? De onde vim? Para onde vou? Neste Evangelho, Jesus quis declarar-se sem reservas, mostrando sua origem (o Pai) e seu alvo (o mundo). É assim que ele manifesta aos discípulos a sua Páscoa (= passagem) desde o seio da Trindade até o encontro direto com a humanidade, quando ele pode ser visto, ouvido e apalpado (cf. 1Jo 1,1). Como escreveu o apóstolo João, “a Vida se manifestou, nós a vimos e testemunhamos, estava junto de nós e se tornou visível para nós”.

Fortalecida por esta inesperada revelação, a fé dos discípulos consegue agora compreender que Jesus lhes foi enviado como o sinal definitivo do amor do Pai (cf. Jo 3,16). Isto, porém, não impede que eles ouçam com certa angústia a frase seguinte: “Agora eu deixo o mundo e vou para o Pai”. Bem próximo do momento culminante de sua missão, o sacrifício cruento do Calvário, quando leva ao extremo o seu despojamento [kênosis], ao ponto de experimentar em sua humanidade a ausência do Pai, Jesus tem consciência de seu regresso à condição original.

Diante disso, os discípulos se animam a fazer um ato de fé: “Agora nós sabemos que saíste de Deus”. Frágil declaração, logo posta à prova nos momentos cruciais da prisão e crucificação de seu Mestre! E Jesus sabe disso: “Vós me deixareis sozinhos. Mas eu não estou só. O Pai está sempre comigo”. (Jo 16,32)

Esta é a fé da Igreja: “Tendo feito a purificação dos pecados, [o Filho] sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas”. (Hb 1,3c) Mas voltará…

Orai sem cessar: “No princípio, o Verbo estava junto de Deus.” (Jo 1,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 16,20-23a

Publicado em 11 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

11/05/2018 – O vosso coração se alegrará… (Jo 16,20-23a)

A Criação é alegre. Rios e cascatas, auroras e luar, lagos e pradarias – tudo irradia luz e cor e sons e melodias. No largo oceano, o balé jocoso dos golfinhos e a ciranda das anêmonas e medusas.

A sociedade é triste. Gente tensa e apressada, ônibus superlotados, carnavais que acabam em cinzas. O rugido dos motores e o gemido das buzinas. Em cima do muro, cacos de vidro e arame farpado. Dentro do lar, a solidão.

A comunidade cristã é alegre. Aceso o círio pascal, ela entoa um perene Hallelujah ao Cristo ressuscitado. Nada que Jesus não tivesse prometido em sua despedida dos discípulos. É uma alegria que vem após as dores e as angústias do parto (cf. v. 21), inseparável da vida nova que se experimenta. “Eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria.” (Jo 16,22)

Claro, existem diferentes “alegrias”. Cá em baixo, a alacridade ruidosa das maritacas roendo coquinhos na palmácea. Uma alegria apenas epidérmica, associada ao barulho de palmas e foguetes. Um pouco acima, o júbilo do peregrino que avista a cúpula dourada do Templo, nas montanhas de Judá, e entoa o Hallel (Sl 122,1). Mais alto, o gáudio dos pastores, aos quais o anjo da madrugada anuncia o nascimento do Menino (Lc 2,10).

Mas muito mais alta – e muito mais profunda! – a silenciosa letícia do bebê adormecido no seio da mãe (Sl 131,2). Esta alegria – a verdadeira alegria! – não depende de luzes e neon, dispensa música e fantasias, não se apoia em palmas e coreografias. Irmã gêmea da paz, esta alegria transforma a própria morte em um regresso ao lar…

Como conquistá-la? Qual o seu preço? Nem pense em comprá-la. Não é conquista. É puro dom… O Deus pródigo e feliz a reparte com fartura entre os bem-aventurados.

Certa vez, eu pregava em uma paróquia do interior de Estado de São Paulo. Em dado momento, citei a conhecida passagem paulina: “Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito: alegrai-vos!” (Fl 4,4) Subitamente, um senhor se levantou no fundo do salão e protestou. Era o pároco local! Segundo ele, não era possível alegrar-se em um mundo cheio de injustiça e desigualdade. O conselho de Paulo era impossível de ser seguido.

Ouvi-o até o fim. Depois, retomei a palavra e disse apenas: “Bem, não é exatamente por esses motivos que nós nos alegramos. É apesar disso tudo que nos alegramos, na certeza de que o Ressuscitado está no meio de nós…

Orai sem cessar: “Devolve-me, Senhor, a alegria de ser salvo!” (Sl 51,14)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 16,16-20

Publicado em 10 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

10/05/2018 – Vossa tristeza se mudará em alegria! (Jo 16,16-20)

Diante da profunda tristeza que os discípulos experimentam com o anúncio do regresso de Jesus ao Pai, o Mestre ameniza um pouco a dor da despedida. Por um tempo não o verão, mas depois hão de vê-lo novamente. O que Jesus não disse foi que esta nova visão seria sacramental, isto é, por meio de sinais…

Após Pentecostes, no entanto, já um tanto esmaecida a cena da Ascensão, quando a comunidade de Jerusalém se reuniu para celebrar a Eucaristia, qual não terá sido a surpresa dos discípulos quando foram convencidos de que o Pão e o Vinho consagrados “eram” Jesus Cristo! O Ressuscitado estava ali, ao seu alcance, vivo e vivificante!

Se, antes, a voz de Jesus ressoava pelas margens áridas do Jordão, agora a mesma voz lhes falava ao coração, suave, mas nítida. Se, antes, sob o céu estrelado da Palestina, gostavam de ouvir o Mestre a falar dos mistérios do Pai, agora, os mesmos mistérios parecem resplandecer no fulgor de cada hóstia.

Foi esta intuição que me levou a compor o soneto A TUA VOZ:
A tua Voz ressoa nas quebradas,

Vai nos desfiladeiros e canhões…

- É a mesma Voz que fala aos corações

No silêncio das frias madrugadas.

 

A tua Voz nas noites consteladas

Move os astros em loucos turbilhões,

E, muito mais que mil constelações,

Vem clamar nestas Hóstias consagradas!

 

Muito que o poder do Criador,

O Pão sagrado vem falar do Amor

Que se deixa tragar como alimento…

 

E, ali onde o poder se faz fraqueza,

No linho cândido de tua Mesa,

A tua Voz me fala no Pão bento…

 

(Mendes, RJ, 30/12/2002)
Orai sem cessar: “Senhor, dai-nos sempre deste pão!” (Jo 6,34)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 16,12-15

Publicado em 9 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

9/05/2018 – Ele vos guiará… (Jo 16,12-15)

O Espírito Santo é multiforme. Vale lembrar a passagem do Livro da Sabedoria (7,22-24), onde o escritor sagrado gasta 21 adjetivos tentando, em vão, definir o Sopro divino. De fato, na simbologia bíblica, o Espírito é luz que ilumina, fogo que aquece, óleo que conforta, água que mata a sede, vento que move, pomba que aponta o Salvador. E muito mais!

Neste Evangelho, ao se despedir dos apóstolos entristecidos, Jesus quis garantir-lhes que não ficariam perdidos na jornada. Enquanto tiveram Jesus consigo, eles possuíram o próprio Caminho (cf. Jo 14,6). Agora que Jesus volta ao Pai, terminada a sua missão terrestre, caberá ao Espírito Santo apontar-lhes o rumo a seguir.

Na verdade, nesta frase de Jesus – “Ele vos guiará…” – o verbo grego empregado pelo evangelista João é hodegéo [literalmente, “fazer caminhar”]. Não apenas aponta o rumo, mas põe em movimento. Ao contrário do que disse o poeta espanhol, não é o caminheiro que faz o caminho; o cristão sabe que o Caminho é que nos torna caminheiros…

Como comenta a eminente biblista Ir. Jeanne D’Arc, O.P., “a palavra é importante, é válida para toda a luz interior que esclarece a Palavra de Deus. É válida também para a Tradição da Igreja que, ao longo de toda a sua existência, cava ainda mais a verdade revelada. É também todo o trabalho da teologia que atualiza a revelação: a inteligência que crê a serviço da verdade, sob a condução do Espírito Santo”.

Se nós não acreditamos firmemente nesta assistência permanente do Espírito de Deus ao longo da caminhada histórica da Igreja (cf. Jo 14,26), logo passamos a vê-la reduzida a um simples clube de religiosos ou uma empresa de doutrinação. Só o Paráclito nos garante a inerrância da Igreja.

O Espírito Santo “vos fará caminhar”. A Igreja de Jesus Cristo, antes de ser conhecida como “igreja”, era chamada de “Caminho” (cf. At 9,2; 18,25-26; 19,9.23; 22,4; 24,14.22). Ser fiel é, pois, estar a caminho. O infiel logo para de andar. Mas, para onde caminhar sem a iluminação do Espírito de Deus? Sem esse seguro farol, acabaremos repetindo o apóstolo Tomé: “Senhor, como saberíamos o caminho?” (Jo 14,5)

Daí a premente necessidade de rezar todos os dias, pedindo a luz do Espírito para nós e nossas comunidades. Sem o Espírito Santo, o corpo da Igreja é apenas um defunto. Não há outro caminho a seguir.

Orai sem cessar: “Envias, Senhor, o teu Espírito e renovas a face da terra!” (Sl 104,30)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Página 4 de 110« Primeira...23456...102030...Última »