Santuário Nossa Senhora da Agonia
  •  Av. N. Sra. da Agonia, s/n – Bairro N. Senhora da Agonia - CEP 37500-970
  • Itajubá-MG - Tel: (35) 3623-2512 – E-mail: pascom@nsagonia.com.br

Evangelho do dia – Mt 25,1-13

Publicado em 1 de setembro de 2017 \\ Evangelho do dia

1º/09/2017 – O noivo está chegando! (Mt 25,1-13)

Foi este o grito no meio da noite, quando as dez virgens esperavam pela chegada do noivo. Mas há uma diferença entre esperar e vigiar. Cinco delas eram loucas (“morai”, , no texto grego) e não apenas “descuidadas”, como leio em certas traduções; por isso, não providenciaram azeite de reserva para suas lâmpadas. Como o noivo demorou muito, suas lamparinas se apagaram. As infelizes apenas esperavam…

As outras cinco eram prudentes (“phronimoi”, ), isto é, estavam em seu juízo. Por isso mesmo, providenciaram azeite de reserva e tinham as lâmpadas acesas à chegada do noivo. Estas cinco vigiavam. Donde se conclui que esperar por Jesus sem contar com o óleo do Espírito Santo é rematada loucura.

Muitos mestres espirituais nos ensinam a rezar a partir das parábolas de Jesus. É o que faz Lev Gillet, o monge da Igreja do Oriente:

“A voz se faz ouvir: ‘Eis o Esposo. Ide ao seu encontro’. Ele vai chegar. Desperta, ó minha alma. Tu foste uma das virgens loucas. Tua lâmpada se extingue. Onde encontrarás o azeite para reavivar a chama? Não há mais tempo para comprá-lo. A porta do salão será fechada?

Meu Salvador, neste minuto derradeiro, é a ti mesmo que eu pedirei o azeite. Eu só mereço a tua recusa. Mas eu não me apoio em nenhum mérito que seja meu. Espero tão somente em tua misericórdia. Não posso mais comprar o azeite. Então, dá-me de teu óleo, gratuitamente.

A morte: aurora em que se levanta o verdadeiro sol. Encontro com o Noivo. Eu vou encontrá-lo, ver sua face. Vou lançar-me nos seus braços. Se eu me refugio nele, irá me afastar? Como outrora, ele está na margem, no amanhecer, esperando seus discípulos…

Mas, não. A morte não é o encontro com Jesus. Ela é apenas a clara visão. É antes da morte que eu já devo ser levado por ele e repousar em seu abraço. É com ele, já agora, entre seus braços, que eu devo atravessar a garganta estreita da agonia. Mas ao sair desta garganta, eu deixarei de ser cego. Eu verei aquele que me carrega. Verei em plena luz aquilo que obscuramente eu pressentia na noite.

Teu Bem-Amado te levará até o ponto em que ele erguerá o véu e tu o verás.”

Enfim, permanece em segredo o dia da vinda do Filho do homem. Daí, o conselho de Jesus: “Vigiai e orai, porque não sabeis o dia, nem a hora…”

Orai sem cessar: “Vou preparar uma lâmpada para o meu ungido…” (Sl 132,17)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 24,42-51

Publicado em 31 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

31/08/2017 – Ficai preparados! (Mt 24,42-51)

Entre aqueles que se dizem fiéis, em especial os que se creem “renovados no Espírito”, penso encontrar mais gente apressada em servir o Senhor do que servidores à espera dele. É como se eles pudessem agir por conta própria… Ficaria o Senhor dispensado de intervir em nossa história?

De fato, é mais fácil tomar iniciativa e fazer alguma coisa do que, humildemente, esperar que o Senhor entre em campo e dê o pontapé inicial da partida. Um notável mestre espiritual do Séc. XX, Lev Gillet, merece nossa meditação:

“Felizes aqueles que seguem e sabem aonde vão! Felizes aqueles cujo passo é apressado e veem o caminho que conduz ao Reino! Mas também são felizes aqueles que esperam, os que chamam pelo Senhor, os que ignoram a hora de sua vinda e não cessam de clamar: ‘Vem! Vem! Vem ainda curar, perdoar, consolar, salvar!’

Feliz aquele cujo olhar acompanha todos os olhares do Senhor sobre o mundo e, ao mesmo tempo, não pode desviar seu olhar da face de seu Senhor! Naqueles que seguem e nestes que esperam, já começa a Segunda Vinda. Acontece, já, a irrupção do Rei nas almas e no universo.

Não será que nós percebemos mais facilmente a graça do seguimento que a graça da espera?

A espera do Senhor não é estática. Ela não é um repouso. Toda verdadeira espera pelo Senhor implica uma transformação. A espera pelo Senhor é uma erradicação. Ela nos arranca de nosso terreno, de nosso meio. Ela nos desenraíza. Ela nos isola. Já não vemos mais como os outros, porque nossa visão atinge mais longe. Eles não sabem, não esperam. Mas se ocorre que os outros esperem conosco, esperem por Aquele que esperamos, então a mesma espera cria entre os corações a comunhão mais íntima.

A espera pelo Senhor não apenas priva de seu valor as coisas diferentes daquelas que esperamos, mas ela nos toma o próprio momento presente. De fato, o que nos interessa não é aquilo que é o momento presente. O que esperamos, o que nos interessa de modo supremo, é Aquele que o instante nos traz, é a chegada e o contato do Senhor neste instante.

Somente aquele que espera pelo Senhor é capaz de apreciar o instante presente, conhecer sua significação e riqueza. É que ele sabe situar este instante em sua exata perspectiva. Ele sabe coordená-lo à vinda do Senhor. A espera lhe abre os olhos e lhe faz ver os homens e o mundo tais como são em sua realidade profunda.”

Este é o servo que receberá a administração dos bens do Senhor (cf. Mt 24,47). Com a espera, ele despertou do sono e já não confunde as ilusões com a realidade. Ele é feliz…

Orai sem cessar: “Mais que as sentinelas a aurora, Israel espere pelo Senhor!” (Sl 130,6-7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 23,27-32

Publicado em 30 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

30/08/2017 – No tempo de nossos pais… (Mt 23,27-32)

Neste Evangelho – uma espinhosa coleção de mal-aventuranças iniciadas por sete “ais” que prenunciam desgraças – o Mestre verbera a hipocrisia das lideranças religiosas de Israel, trazendo à tona as graves contradições entre pequenos ritos e grandes infidelidades, higiene exterior e íntima podridão, copos limpos e almas imundas…

Um dos exemplos citados por Jesus é a habitual atitude de acusar os antepassados por seus erros (como o assassinato dos profetas, no caso de Israel) e julgar-nos superior a eles, como se não estivéssemos envolvidos em crimes semelhantes.

Em geral, os filhos costumam alimentar mágoas e ressentimentos em relação aos pais. São frequentes as queixas e acusações. Modernos que somos, não conseguimos evitar um sorriso de ironia diante das “ignorâncias” dos antepassados. Muitos casais de hoje escolheram como lema a frase: “Não queremos que nossos filhos passem aquilo que passamos”. Claro, a culpa é dos antigos…

Ora, somos melhores que eles? Somos capazes dos sacrifícios que eles assumiram em uma época de grandes carências materiais e duros combates pela sobrevivência? Estamos repetindo seus gestos de desapego, como aquelas mães que tiravam de seu prato a comida dos filhos? Temos as mãos calejadas para que nossos descendentes tenham seu diploma?

Eram tempos difíceis. Não havia luz elétrica nem água encanada. Tempos de lamparina de querosene, de buscar água na bica. Tempos de comprar roupa nova apenas quando a velha apodrecia. Tempos de meia-sola nos sapatos. E as vovós a declamar: “Remenda o pano, que dura mais um ano; remenda outra vez, que dura mais um mês”…

Eram tempos de fé manifesta em pequenos gestos. A oração antes da refeição. A família reunida para rezar o terço antes de dormir. O dia pontuado pelo tradicional “bênção, mãe” e pelo “Deus te abençoe, meu filho!”

Outro engano cometido por nós acontece quando comentamos: “Hoje é muito difícil ser cristão. Se eu tivesse vivido no tempo de Jesus, teria sido mais fácil!” Na verdade, é exatamente o contrário. A proximidade com a realidade humana de Jesus, sua família humana, a oficina do carpinteiro e – acima de tudo – sua escandalosa morte na cruz foram sérios obstáculos para que o acolhessem como Messias Salvador. Hoje, após vinte séculos de evangelização, após uma legião de mártires, após a reflexão dos grandes mestres espirituais, após os exemplos admiráveis de tantos servos e ervas de Deus, nossa fé tem muito mais andaimes para se apoiar.

Por tudo isso devemos sentir-nos pressionados a buscar uma sincera conversão e dedicar todo o nosso esforço em cooperar com a Graça, que nos chama a abandonar nossas máscaras e centrar nossa vida na edificação do Reino de Deus. Este é o nosso tempo…

Orai sem cessar: “Senhor, meus tempos estão em tuas mãos!” (Sl 31,16)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 6,17-29

Publicado em 29 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

29/08/2017 – A mulher do teu irmão… (Mc 6,17-29)

Herodes Antipas, rei da Galileia e da Pereia, casado com a filha de um rei da Arábia, tomou também Herodíades, a mulher de seu irmão Herodes Filipe, que caíra em desgraça perante as autoridades romanas, e fez dela a sua concubina. Em sua pregação no Jordão, quando convidava o povo à conversão, preparando-se para a chegada do Reino de Deus, João Batista denunciava também a conduta imoral do rei, provocando a ira da concubina. Temendo a reação do povo, Herodes mandou prendê-lo.

Admirável a coragem e a santa ousadia do Batizador, acusando a corrupção do poderoso, mesmo com o risco de sua própria vida. Agindo assim, João Batista se colocava na mais legítima linha de denúncia profética do Antigo Testamento, trilhando os passos de Isaías, Jeremias e Amós, tantas vezes perseguidos e denunciados como perturbadores da ordem pública,

Hoje, a Igreja também assume uma estatura profética, quando defende os valores do Evangelho e tem a coragem de se postar na contramão do mundo que vai retornando ao primitivo paganismo. Ao condenar o aborto e a eutanásia, ao recusar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a dissolução do matrimônio cristão, a Igreja demonstra sua fidelidade à Palavra de Deus.

Acusada de retrógrada e conservadora, na verdade a Igreja defende uma moral “nova” – aquela moral que veio com a pregação do Evangelho e provocou a admiração e a conversão das nações pagãs. Ao contrário, quem caminha para trás, merecendo o rótulo de retrógrados – são aqueles que pretendem “direitos” que as tribos antigas já exercitavam no paganismo, antes de sua evangelização: o “direito” de eliminar crianças defeituosas, assassinar anciãos incômodos e tratar a mulher como objeto de posse.

O Papa João Paulo II, com suas encíclicas de conteúdo moral (como Veritatis Splendor e Evangelium Vitae), é um exemplo recente da luta da Igreja na defesa da verdade e da vida, orientando toda a sociedade para a retomada de uma reflexão sobre os aspectos éticos de nossa existência. Mesmo em ambientes não-cristãos, erguem-se vozes de peso que clamam por uma reforma moral da sociedade.

Ao celebrar o martírio de São João Batista, nós devemos tomar consciência de que a vivência integral do Evangelho certamente há de causar-nos problemas em uma sociedade que se paganiza de novo. Mais que um intermediário para nossas preces, João é um modelo a ser imitado.

Nos ambientes em que vivo e convivo, tenho a coragem de defender os valores do Evangelho? Ou me calo diante da pregação do ateísmo e da libertinagem de costumes?

Orai sem cessar: “Preparai o caminho do Senhor!” (Mt 3,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 23,13-22

Publicado em 28 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

28/08/2017 – Infelizes de vós! (Mt 23,13-22)

No Sermão da Montanha (Mt 5,1-11), Jesus pronunciou nove bem-aventuranças, isto é, nove anúncios de ventura e felicidade para certos tipos de pessoas, uma autêntica “receita de felicidade”. Entretanto, até onde eu entendo, muita gente não gostou dessas bem-aventuranças, em que o Mestre elogia os pobres, os perseguidos, os que choram. Parece que a noção terrena de felicidade deve incluir riqueza, aplausos e muitas gargalhadas…

Desta vez, Jesus se volta para o polo oposto e emite sete “mal-aventuranças”, até para deixar claro que o Deus misericordioso não fica neutro e indiferente diante do mal. O foco destas “maldições” recai sobre a falta de correspondência entre uma religião exterior, fingida, e uma vida interior que desmente toda a aparência de justiça. Este descompasso entre intenção e gesto é conhecido como “hipocrisia”.

Nas cidades helenizadas da Galileia, ainda no tempo de Jesus, havia arenas onde os atores representavam seus papéis com o rosto coberto por máscaras. Esta é a etimologia da palavra “hipócrita” = aquele que está sob a máscara. É claro que o ator podia estar usando a máscara cômica e, no fundo de seu ser, estar triste. Ou estar chorando por fora, graças à máscara trágica em seu rosto, sem sentir nenhuma dor, nenhum “pathos” interior.

Só que o culto a Deus não pode ser um teatro. Neste Evangelho, Jesus verbera aquelas lideranças religiosas de seu tempo que exibem uma prática externa de religiosidade, mas o íntimo delas cheira mal pelo pecado e pela mentira.

Assim comenta Hébert Roux esta passagem do Evangelho de Mateus:

Toda a verdade e autoridade destas palavras brotam do fato de que elas são pronunciadas pela própria boca daquele que fez ouvir o Sermão da Montanha. Jesus vem como Rei do Reino dos céus, proclamando pessoalmente a Boa Nova, e vem também como Juiz supremo dos vivos e dos mortos, a pronunciar a condenação de toda pretensão dos homens a serem justos fora da Sua justiça.”

Para H. Roux, Jesus não tem a intenção de provocar um “retorno” dos escribas e fariseus, pois eles já perderam a oportunidade de acolher o Messias. Chega a hora em que as “intenções e ações secretas” (cf. Rm 2,16) serão julgadas por Jesus Cristo. Assim, “por antecipação – afirma Roux -, estamos assistindo de algum modo ao juízo final, à revelação daquilo que estivera oculto até o presente”.

O Evangelho tem esta faculdade: revelar a verdade e, com a palavra-espada, cortar bem na linha divisória entre a verdade e a mentira. A ruína total de Jerusalém, sob o impacto das legiões romanas no ano 70, apenas viria a confirmar a urgência desse julgamento.

E nós? Vamos esperar pelo juízo final para abandonar a mentira e abraçar a Verdade?

Orai sem cessar: “Escolhi o caminho da verdade!” (Sl 119,30)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 16,13-19

Publicado em 27 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

27/08/2017 – Não prevalecerão! (Mt 16,13-19)

Em sua missão na terra, Jesus enfrentou permanente oposição do demônio, (via direta, como nas tentações do deserto e do Getsêmani, e indireta, por mediações humanas, como Herodes, fariseus e Sacerdotes). Toda a vida de Jesus manifesta um caráter agônico, combate que só teve fim com sua morte e ressurreição. Isto deve estar bem claro para nós: Cristo tem inimigos. Inimigos espirituais, como os demônios que ele expulsava e reclamavam asperamente de sua interferência (cf. Mc 1, 24), mas também adversários humanos, como os fariseus de seu tempo, o discípulo que o traiu e até os próprios familiares, que tentavam retê-lo, julgando-o fora de si (cf. Mc 3, 21).

Natural que a Igreja, continuando a missão de Jesus, viesse a enfrentar a mesma hostilidade. Ele advertira: “No mundo tereis aflições. Coragem! Eu venci o mundo.” (Jo 16, 33.) Mas temos a promessa de Jesus que mantém firme nossa esperança. Ao proclamar o primado de Pedro, Jesus diz: “E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mt 16, 18.) Nos muros da cidade, a “porta” é importante elemento nas guerras primitivas. Se ela resiste aos ataques do invasor, os defensores estão seguros.

Ao longo da História, a Igreja foi cercada de inimigos ferozes. Perseguida por césares romanos e sultões orientais, seus fiéis foram caçados, exilados, condenados aos campos de concentração. Muitos exércitos invadiram Roma. Todos eles – tribos bárbaras, tropas napoleônicas, tanques nazistas – foram aniquilados a seu tempo, e a Igreja de Cristo permanece de pé. Hoje, a hostilidade dos inimigos mudou de tática. Mesmo sob os véus diáfanos da democracia, da liberdade de culto e do pluralismo ideológico, a Igreja ainda é o alvo preferencial do anticristo. Setas e obuses foram trocados por páginas de revistas e telas de TV. Ali, uma enxurrada de calúnias e de meias-verdades ainda visa à destruição do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Natal de 2005, o locutor da TV Globo lê notícia sobre pesquisas terapêuticas com células-tronco. Finda a nota, olha para a câmara e acrescenta breve comentário: “A Igreja Católica não admite as pesquisas com células-tronco.” E o telespectador iludido vê a Igreja como uma entidade conservadora, inimiga da humanidade. Só que o comentário era falso. A Igreja se opõe ao uso de embriões humanos para tais pesquisas, mas admite o uso de tecido umbilical e de outras fontes. Mas o alvo já fora atingido…

Orai sem cessar: “Tuas muralhas estão constantemente sob os meus olhos.” (Is 49, 16)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 23,1-12

Publicado em 26 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

26/08/2017 – Quem se exaltar será humilhado… (Mt 23,1-12)

Aqui e ali, Jesus acena para o caminho da humildade. Ele mesmo, o humilde exemplar, sendo Filho de Deus, vive por 30 anos uma vida banal, conhecido de todos como “o filho do carpinteiro”. Na Última Ceia, de avental, lavou os pés dos apóstolos. Por tudo isso, por Jesus viver o que ensina, não podemos ignorar o seu ensinamento.

Os Padres da Igreja sempre insistiram na virtude da humildade como essencial para o itinerário cristão. É de um deles – São João Clímaco [Séc. VII] – o comentário que segue: “Todo amigo da ostentação é vaidoso. Presta atenção e tu verás que, até o túmulo, a vanglória se multiplica, seja nas vestes, nos aromas, no cortejo dos servidores ou em outras coisas.

A vanglória torna orgulhosos aqueles que são honrados, e faz rancorosos os que são deixados de lado. Um espírito elevado suporta a injúria com coragem e alegria. Mas é preciso ser um santo e um bem-aventurado para passar sem prejuízo através de louvores.

Com frequência, Deus esconde aos nossos olhos as virtudes que adquirimos. Mas aquele que nos elogia, ou até nos engana, abre nossos olhos para seus louvores e, quando nossos olhos se abrem, nosso tesouro se dissipa.

Não confies no tentador que te sugere fazer propaganda de tuas virtudes para a edificação do próximo. Nada edifica tanto os outros quanto as maneiras humildes e sinceras e as palavras verdadeiras, pois isto os ajuda a jamais se orgulharem.

Não é aquele que se deprecia o que dá provas de humildade, mas aquele que, ofendido por alguém, não permite que diminua seu amor por ele.

Quando nossos aduladores, ou antes, nossos sedutores começam a nos louvar, devemos trazer à memória a multidão de nossos pecados, e iremos reconhecer-nos indignos daquilo que se diz ou se faz em nossa honra.

O jejum do vaidoso fica sem recompensa, e sua oração, sem proveito, porque ele realiza as duas coisas para ser elogiado pelos homens. O sol brilha para todos igualmente, e a vanglória acha um meio de aparecer em todas as nossas atividades.

O vaidoso é um crente idólatra: parece que ele honra a Deus, mas ele busca agradar aos homens, e não a Deus. É certo que, às vezes, os vaidosos dirigem a Deus orações que merecem ser atendidas, mas o Senhor tem o hábito de ignorar suas preces e pedidos, temendo que, ao verem atendidas as suas orações, eles aumentem ainda mais o seu orgulho.

O Senhor muitas vezes liberta os vaidosos da vanglória por meio de alguma humilhação que acontece com eles.”

Em tempo: “humilde” vem de “húmus”, aquela argila na qual fomos amassados…

Orai sem cessar: “O Senhor ampara os humildes.” (Sl 147,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 22,34-40

Publicado em 25 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

25/08/2017 – O maior mandamento… (Mt 22,34-40)

Existe uma gradação no amor? Bem, ao menos devemos hierarquizar as normas, as leis e os mandamentos. Há coisas que estão no âmago da Lei, no coração da vida espiritual. Há outras são corolários, consequências das primeiras.

Mesmo que o questionamento feito a Jesus, no Evangelho de hoje, tenha sido mero pretexto para “pegá-lo” em uma arapuca doutrinária, pelo menos valeu para que aprendamos bem sua lição. Existem dois amores que se fundem num só: o amor a Deus e o amor ao próximo.

Se amamos a Deus, por isso mesmo não podemos deixar de amar aqueles que ele ama, criados à sua imagem e semelhança. Por outro lado, se amamos os nossos amados (pai e mãe, filhos, irmãos, amigos, benfeitores da humanidade etc.), como não amar também seu Criador? Nossos amados são sempre um dom que Deus nos oferece para dar sabor e alegria à nossa caminhada na terra.

A coisa fica incômoda quando o “próximo” não nos parece próximo… Aquele mendigo que bate à nossa porta, o bêbado caído na calçada, o adversário na política, o membro de outras Igrejas que nos acusa de idolatrias e outros pecados…

Como nos aproximar deles, ultrapassando os largos fossos e as altas muralhas que se foram acentuando ao longo dos séculos? Como gastar nosso azeite e nosso vinho para cuidar de suas feridas, tal como fez o samaritano da parábola (cf. Lc 10,30ss). Como chegar a esse “amor impossível”?

Além do mais, o mandamento repetido por Jesus inclui uma cláusula assustadora: “amarás a teu próximo COMO A TI MESMO”. Tal como desejo manter a minha vida, como busco por segurança e conforto, e fico feliz quando alguém se ocupa de mim, é assim mesmo que deveria proteger a vida do próximo, zelar por sua segurança e gastar com ele tempo e dinheiro…

Utopia? Pode parecer, quando se vive em uma sociedade fechada em si mesma, atrás de muros e cercas elétricas. Quando o individualismo e a ânsia de acumular petrificam nosso coração. Quando a pobreza e a sobriedade deixam de ser virtudes para se tornarem uma desgraça…

No entanto, exatamente em nosso mundo – com seus crimes e defeitos – ainda há pessoas cheias de amor que adotam crianças abandonadas, cuidam de idosos carentes, lutam pela defesa do ambiente e dos direitos humanos. Assim, enquanto houver um único santo sobre a terra, não teremos desculpas para não amar…

Orai sem cessar: “Oh! como é bom e agradável

irmãos unidos viverem juntos!” (Sl 133,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 1,45-51

Publicado em 24 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

24/08/2017 – De onde me conheces? (Jo 1,45-51)

Ao fazer esta pergunta, Natanael (também chamado Bartolomeu) não podia imaginar que estava diante do Filho de Deus que se encarnara. Se soubesse disso, não faria a mesma pergunta. Como um bom israelita (v. 47), ele conhecia as Escrituras que falam do conhecimento que Deus a nosso respeito.

Trata-se de um “conhecimento” anterior a nossa própria fecundação: o Deus eterno é também onisciente, aquilo que chamamos de futuro é para Ele um eterno presente. Não foi o que declarou Jeremias? “Veio a mim a Palavra do Senhor: ‘Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já te conhecia; antes de saíres do ventre, eu te consagrei e te fiz profeta para as nações’.” (Jr 1,4-5)

Também o salmista foi iluminado a respeito do íntimo conhecimento que Deus tem sobre a pessoa humana:

“Senhor, tu me examinas e me conheces,

sabes quando me sento e quando me levanto.

Penetras de longe meus pensamentos [...]

Sabes todas as minhas trilhas.

Tu me conheces por inteiro.

Não te eram ocultos os meus ossos

quando eu estava sendo formado em segredo,

e era tecido nas profundezas da terra.

Ainda embrião, teus olhos me viram.” (Sl 139,1-3.14-16)

O profeta Isaías confirma tudo isto: “Desde o seio materno, o Senhor me chamou; desde o ventre de minha mãe, já sabia o meu nome”. (Is 49,1b)

Sendo tão claro e profundo o conhecimento que Deus sobre nós, conhece em detalhes nossas fraquezas, nossas feridas, nossos pecados. E quanto mais feridos estamos, mais se excita a sua misericórdia, mais se manifesta o seu amor. É a afeição do bom Pastor pela ovelha machucada.

Devemos concluir que é pura insanidade, de nossa parte, todo movimento de fuga, toda tentativa de ocultar ao Senhor a nossa realidade pessoal, mesmo os pensamentos mais íntimos e as intenções mais inconfessáveis.

E por falar em “in-confessável”, como entender a dificuldade em confessar nossos pecados a um Deus que é Pai e já conhece previamente todos os nossos erros e fracassos? Aliás, como ensinou o Filho, há mais alegria nos céus por um só pecador que volta para casa, do que por noventa e nove justos que não precisam regressar (cf. Lc 15,7).

Orai sem cessar: “Senhor, sabes tudo de mim!” (Sl 139,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 13,44-46

Publicado em 23 de agosto de 2017 \\ Evangelho do dia

23/08/2017 – Vende todos os bens… (Mt 13,44-46)

Nós já meditamos muitas vezes sobre estas miniparábolas de Jesus. A densidade delas, no entanto, jamais se esgotará diante de nossa humilde reflexão. Ambas falam de um “achado”, de um “encontro” capaz de virar de cabeça para baixo a existência de quem tem a graça de experimentá-lo.

É curioso que as duas parábolas nos mostrem diferentes situação: enquanto o negociante estava determinado a procurar por pérolas preciosas, ou seja, tinha uma intenção prévia, já o tesouro do campo foi encontrado por alguém que não o procurava. Puro acaso, diria alguém; pura graça, digo eu. Total iniciativa de Deus que – ele sim! – jamais se cansa de procurar por nós.

Especialmente nestes tempos de um relativismo tão profundo, que chega a se tornar cinismo, este Evangelho nos coloca implacavelmente diante do “absoluto”. Existe alguma coisa que realmente valha a pena? Algo que justifique revirar a própria vida, abrir mão de tudo que nos seduzia até então e, para adquiri-lo, dar em troca todos os tesouros que passamos a vida a acumular?

Alguém diria que esta descoberta redunda em “perda” e prejuízo, pois acaba por desvalorizar a vida pregressa e toma da pessoa as velhas seguranças, os seus referenciais e os pontos de apoio. Pois é isto mesmo: a tal “conversão” realiza exatamente isto. Só que não se trata de “prejuízo” quando se ganha a ALEGRIA, esta moeda rara que não se compra com dinheiro, com sucesso e com poder. A alegria inefável que enche a alma, ilumina o espírito e chega a acelerar os batimentos cardíacos. Uma experiência totalizante…

Nas palavras de Hans Urs von Balthasar, “aquele que compreende o valor do que Jesus lhe oferece, não hesitará em se despojar de todos os seus bens, em se tornar um pobre em espírito (isto é, aquele que, em sua disposição de espírito, a tudo renuncia), pois deles é o Reino dos Céus”.

As duas parábolas nos ensinam que a prudência calculista do mundo dos negócios e das finanças é incompatível com a alegria de quem descobre o absoluto de Deus. Basta ler a vida de Francisco de Assis, de Inácio de Loyola, de Teresa de Calcutá, para entender o “bom negócio” que eles fizeram ao trocar as suas seguranças – dinheiro, glória, conforto – pelo arriscado mergulho em Cristo, que a tantos continua assustando…

Um tesouro que vale a vida não pode ser algum tipo de acumulação que fique “do lado de cá” quando nós passarmos para “o lado de lá”. Esta consideração sobre “os fins” (os teólogos falam de vida escatológica…) e sobre a efemeridade dos tesouros materiais devem abrir nossos olhos e reorientar nosso itinerário neste mundo.

Orai sem cessar: “Senhor, deste mais alegria ao meu coração…” (Sl 4,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Página 30 de 110« Primeira...1020...2829303132...405060...Última »