Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Evangelho do dia – Mt 9,35-10,1.6-8

Publicado em 9 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

9/12/2017 – Ide às ovelhas desgarradas! (Mt 9,35-10,1.6-8)

Todo pastor sabe disso: as ovelhas costumam tresmalhar. Todo boiadeiro já passou por isso: um novilho desgarrar e se embrenhar no matagal, ou atolar-se no brejo. Mas nenhum pastor que se preze fica indiferente ao desastre. Como aquele do Evangelho – o que tinha cem ovelhas – e preferiu deixar as noventa e nove no ermo para sair em busca da que se perdeu.

Vivemos um tempo de ovelhas desgarradas. Sim, eu sei que o ser humano é errático: seu trilho neste mundo lembra de perto a rota das formigas, que parecem desconhecer a linha reta entre dois pontos. Homo viator, perpétuo peregrino, vagamos de lá para cá, em sufocantes engarrafamentos a cada feriado “enforcado”, sempre em busca de uma felicidade “que está sempre apenas onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos” (Vicente de Carvalho).

Mas isto não justifica nossa indiferença diante daqueles que saíram da estrada real e se perderam nas trilhas do erro e do mal. De algum modo, somos todos responsáveis uns pelos outros. Os pais pelos filhos. Os mestres pelos alunos. Os médicos pelos pacientes. Os governantes pelo povo. Os pastores por suas ovelhas espirituais.

Quando Jesus andou pela Palestina, também ele pôde contemplar o povo faminto de Deus, uma multidão de párias pelas encruzilhadas, mendigos e leprosos, refugiados e sem-terra. E Jesus chorou sobre eles. Mas não se limitou a chorar: enviou ao povo os seus discípulos com um mandato bem específico: “Ide às ovelhas desgarradas!”

Esta missão inclui cuidados espirituais (anunciar o Reino que se fez próximo, expulsar demônios), mas também cuidados materiais (curar enfermos, ressuscitar mortos, limpar leprosos (cf. Mt 10,8). Aquilo que recebemos como dom gratuito (fé, alegria, paz, saber, habilidades) deve ser levado àqueles que ainda jazem na descrença, mergulhados na tristeza e na ignorância.

E quando os desprezados deste mundo perceberem que alguém se interessa por eles, saberão que Deus não os esqueceu e enviou seus profetas para mostrar-lhes o Sol nascente. Naturalmente, um sistema baseado no lucro e na competição há de estranhar a “loucura” desses pastores, que abrem mão da própria terra, da própria cultura e – pasmem! – até mesmo de constituir uma família, porque seus filhos e irmãos são os pequeninos deste mundo!

E nós? Estamos cuidando das ovelhas que ele nos confiou?

Orai sem cessar: “Eis-me aqui, Senhor!” (Gn 22,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 1,26-38

Publicado em 8 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

8/12/2017 – Faça-se em mim… (Lc 1,26-38)

A cena deste Evangelho é o momento da Encarnação do Verbo. O mensageiro divino vai à jovem Maria de Nazaré. Qual seria o objetivo de sua missão? Por que Deus terá enviado Gabriel até uma pobre aldeia dos galileus? Acompanhemos a meditação de François Trévedy:

“Tendo batido a tantas portas sucessivas, Deus acaba por bater a esta porta: a mais baixa, a mais estreita, a mais obscura; a esta “porta do céu” – Felix coeli porta – que é de início, simplesmente, a porta da terra. Ele bate à parede da carne mais escondida para escutar o som que esta lhe dará: Ecce ancilla Domini [eis a escrava do Senhor].

É ali, bem baixo, que se passará o mínimo anel, a menor das alianças; é ali, no mais ínfimo da condição humana, que se vai escrever e fazer a conjunção de coordenação do Verbo e do homem, do Nome e de nós: Emmanuel.

Esta página não é uma mitologia, mas, sob o signo da Mulher – Signum magnum (Ap 12,1) – é a história da Aliança em sua extrema consequência carnal, pois, afinal, em seu desejo apaixonado pela carne, Deus é perfeitamente lógico consigo mesmo: ele vem, ele quer fazer seu noviciado de extrema pequenez, para virar de cabeça para baixo os tronos das ideias imperiais que nós fazemos dele e que, na realidade, só escondem nossas próprias pretensões.

Ingreditur haec ínfima Iesus Christus [Jesus Cristo penetra nos subterrâneos deste mundo – S. Leão Magno]. Em outras palavras, o Infinito faz conhecimento carnal com o ínfimo.”

Fracassaram todas as alianças anteriores. Desde Noé, passando por Abraão e Davi, os filhos de Eva foram infiéis à aliança com o Altíssimo. Que faz ele, por não desistir de seu anseio de aliança conosco? O Altíssimo desce. E precisa de um espaço humano uma carne – que o acolha de forma plena, cabal, definitiva. Este “espaço” é Maria, Mãe de Deus. E sua resposta ressoa pela imensidão do Cosmo: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra!”

Não é ela quem faz. Ela diz: faça-se, seja feito. E o agente, o Autor do grande milagre – o Verbo feito carne mortal – é o Espírito criador, o mesmo que insuflara as narinas do primeiro homem.

O Filho que ela nos dá como presente de Natal é o primeiro homem de uma nova humanidade: o novo Adão, Jesus, delícia do Pai, delícia de todos nós.
Orai sem cessar:“Conservo no coração tuas palavras…” (Sl 119,11)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 7,21.24-27

Publicado em 7 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

7/12/2017 – Mas ela não desabou… (Mt 7,21.24-27)

Parábola pequena, mas muito clara e expressiva. Em forma de antítese, o Mestre nos fala de dois tipos de construção expostos às mesmas intempéries da existência humana. De certo modo, faz eco ao Salmo 1, que serve de pórtico para o Saltério, e resume o caminho do homem a uma encruzilhada entre dois caminhos: a via do bem, com a vida, e a senda do mal, com a morte.

Nesta parábola, um homem constrói sobre a areia, outro edifica sobre a rocha. Areia e rocha são imagens claras. A areia é lábil, fugidia, sem coesão. Suas partículas deslizam, não oferecem resistência à pressão. Já a rocha tem seus componentes bem sólidos, porque foram vitrificados por altas temperaturas e poderosas pressões.

Diante da força dos elementos – como o vento e a chuva -, a areia movediça cede e se desfaz. Mas os vendavais e as enxurradas nada podem contra o sólido rochedo. Passado o ataque, ele permanece estável, decididamente firme.

Quem é o construtor sobre a areia? O Mestre responde: É o homem que empilhou os tijolos sobre o areal, isto é, aquele que ouviu a Palavra de Deus mas não se dispôs a vivê-la. Ao contrário, apostou a vida em outras “palavras”: o discurso da riqueza, a propaganda do sucesso, o elogio da glória e do prazer.

Quando veio a provação dos tempos difíceis, dos planos econômicos, do desemprego e da enfermidade, desabou de uma vez, entregue à ruína…

Quem é o construtor sobre a rocha? Jesus de Nazaré deixa claro: É o homem que ergueu sua casa sobre o Rochedo, ou seja, aquele que ouviu a Palavra de Deus e se dispôs a praticá-la. Diante dos tempos difíceis da provação, a casa permaneceu intacta, pois tinha fundamentos de eternidade. Os princípios da Palavra – que é o próprio Cristo – falavam de paciência e sobriedade, confiança em Deus e fraternidade, humildade e perdão. Contra uma estrutura tão sólida, nada pode o mal…

Quem já optou decididamente por uma vida simples, sem luxo, não se abalará se vierem tempos de vacas magras. Quem exercitou diuturnamente a pureza e a castidade, não cairá diante da inundação do sexo. Quem depositou sua esperança no Senhor, não será esmagado pelo desespero quando os homens traírem suas promessas. Mesmo na doença e na dor, o fiel está seguro na Palavra eterna. Ele sabe que está em boas mãos!

Orai sem cessar: “O Senhor é o meu rochedo, minha fortaleza.” (Sl 18,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 15,29-37

Publicado em 6 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

6/12/2017 – E ele os curou… (Mt 15,29-37)

Coxos, aleijados, cegos, mudos e outros doentes – a todos Jesus curou, sem fazer forma alguma de discriminação. Curou homens e mulheres, doentes crônicos e deficientes “de nascença”, atendendo a amigos (a sogra de Pedro), a estrangeiros (como o servo do centurião romano), e mesmo a quem o prendia (devolvendo a orelha de Malco).

Sei que os biblistas preferem falar em “sinais” quando se referem às curas do médico Jesus de Nazaré. O povo simples já se acostumou a falar de “milagres”. E continua pedindo os mesmos milagres, sendo muitas vezes atendido, pois a compaixão do Nazareno não mudou de lá para cá…

Pascal, o conhecido filósofo francês, escreveu na parte de final de seus “Pensées” uma frase colocada na boca de Jesus: “Os médicos não te curarão, pois no fim morrerás. Mas sou eu quem curo e torno o corpo imortal. Sofre as cadeias e a servidão corporal; por ora eu só te liberto da espiritual”.

Não creio que os leprosos da Palestina assinassem em baixo deste “pensamento” pascaliano. Nem a hemorroíssa curada após 12 anos de hemorragia, nem a menina retomada das carpideiras. Todos eles experimentaram algo que não achei nos manuais de medicina ou nos compêndios de teologia: o amor de Deus invade nossas vidas sem excluir nossos corpos. A “cura” ou salvação que o Senhor nos oferece envolve todo o ser: corpo, mente e espírito (cf. 1Ts 5,23).

Estou de acordo com François Trévedy, em um de seus sermões, quando diz que, para Jesus Cristo, a multidão não é uma espécie de massa indistinta, mas de conhecimentos e pessoas únicas. “Homem-Deus de relações, Jesus Cristo se preocupa com isso em grau máximo, e só se dispensa com conhecimento de causa. Para sanar nossas hemorragias mais inveteradas e mais secretas, ele nos infunde seu próprio sangue, não em virtude de alguma ordem cega e geral, mas do diagnóstico mais clarividente possível: o diagnóstico do amor criador que habilita e reabilita sem cessar na saúde, na santidade da existência.” Citando outro Pascal, “eu derramei estas gotas de sangue por ti”…

Jesus médico. Sem diploma, mas eficaz. Sem CRM, mas atento a meu mal. Sem jaleco branco, mas decidido a branquear o coração do homem de toda a lama sobre ele lançada por um mundo que regressa ao paganismo. Ele, Jesus, saúde e salvação…

Orai sem cessar: “Eram nossos sofrimentos que ele carregava…” (Is 53,4)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Escondeste aos sábios… (Lc 10,21-24)

Publicado em 5 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

5/12/2017 – Escondeste aos sábios… (Lc 10,21-24)

Pode ser que alguém estranhe esta oração que Jesus faz ao Pai, dando-lhe graças porque os mistérios divinos foram ocultados aos sábios, enquanto aos humildes tudo foi revelado. Será que Deus, a Fonte de todo conhecimento, pretende manter alguém na ignorância?

Ora, todos sabem que há várias modalidades de orgulho. O fazendeiro se orgulha de possuir a melhor vaca leiteira da região. O subsecretário se orgulha do carro importado recém-adquirido. A esposa se orgulha pelo marido promovido na carreira. Mas existe um orgulho de natureza intelectual, que se rejubila intimamente por saber (ou pensar que sabe…) mais do que os outros, essa “gentinha ignorante” (cf. Jo 7,49).

Este último tipo de orgulho deu origem a várias heresias, como algumas “gnoses” que atribuíam nossa salvação a conhecimentos esotéricos reservados a poucos. Se Deus se revelasse ao homem orgulhoso, ele haveria de erguer a crista e se gabar de ter descoberto os arcanos divinos graças à própria penetração dos mistérios.

Vale lembrar o diálogo de Nicodemos (cf. Jo 3) com Jesus, iniciado pela frase: “Rabi, nós sabemos que és um mestre vindo de Deus…” Este “nós sabemos” deixa escapar um ar de presunção, de autossuficiência, como se se tratasse de uma descoberta pessoal. Poucas frases depois, será a vez de Jesus perguntar a Nicodemos, em tom de ironia: “Tu és um doutor de Israel e não conheces estas coisas?!” (Jo 3,10)

E Lev Gillet acrescenta: “E nós mesmos, que proclamamos saber quem é Jesus e o que lhe diz respeito, que sabemos dele na verdade?” Além dos artigos de fé repetidos no “Símbolo dos Apóstolos”, que saberíamos dizer sobre ele?

O bom cientista torna-se mais humilde à medida que se aprofunda nos mistérios do Cosmo; ou melhor, na medida em que os mistérios do Cosmo o envolvem e o arrastam às profundezas do não-saber. A debilidade do conhecimento racional mostra-se ainda maior quando se trata das coisas divinas.

Já o pequenino, que tantos rotulam de ignorante, ele deixa em suspenso o raciocínio lógico e dobra os joelhos, implorando ao Espírito de Deus as luzes que jamais seriam obtidas pela razão. Lição que Agostinho aprendeu na praia, quando tentava “entender” o mistério do Deus Uno e Trino, e o menino da visão lhe mostrou ser impossível guardar o oceano em um dedal…

Orai sem cessar: “Tenho os olhos fixos no Senhor…” (Sl 25,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 10,21-24

Publicado em 5 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

5/12/2017 – Escondeste aos sábios… (Lc 10,21-24)

Pode ser que alguém estranhe esta oração que Jesus faz ao Pai, dando-lhe graças porque os mistérios divinos foram ocultados aos sábios, enquanto aos humildes tudo foi revelado. Será que Deus, a Fonte de todo conhecimento, pretende manter alguém na ignorância?

Ora, todos sabem que há várias modalidades de orgulho. O fazendeiro se orgulha de possuir a melhor vaca leiteira da região. O subsecretário se orgulha do carro importado recém-adquirido. A esposa se orgulha pelo marido promovido na carreira. Mas existe um orgulho de natureza intelectual, que se rejubila intimamente por saber (ou pensar que sabe…) mais do que os outros, essa “gentinha ignorante” (cf. Jo 7,49).

Este último tipo de orgulho deu origem a várias heresias, como algumas “gnoses” que atribuíam nossa salvação a conhecimentos esotéricos reservados a poucos. Se Deus se revelasse ao homem orgulhoso, ele haveria de erguer a crista e se gabar de ter descoberto os arcanos divinos graças à própria penetração dos mistérios.

Vale lembrar o diálogo de Nicodemos (cf. Jo 3) com Jesus, iniciado pela frase: “Rabi, nós sabemos que és um mestre vindo de Deus…” Este “nós sabemos” deixa escapar um ar de presunção, de autossuficiência, como se se tratasse de uma descoberta pessoal. Poucas frases depois, será a vez de Jesus perguntar a Nicodemos, em tom de ironia: “Tu és um doutor de Israel e não conheces estas coisas?!” (Jo 3,10)

E Lev Gillet acrescenta: “E nós mesmos, que proclamamos saber quem é Jesus e o que lhe diz respeito, que sabemos dele na verdade?” Além dos artigos de fé repetidos no “Símbolo dos Apóstolos”, que saberíamos dizer sobre ele?

O bom cientista torna-se mais humilde à medida que se aprofunda nos mistérios do Cosmo; ou melhor, na medida em que os mistérios do Cosmo o envolvem e o arrastam às profundezas do não-saber. A debilidade do conhecimento racional mostra-se ainda maior quando se trata das coisas divinas.

Já o pequenino, que tantos rotulam de ignorante, ele deixa em suspenso o raciocínio lógico e dobra os joelhos, implorando ao Espírito de Deus as luzes que jamais seriam obtidas pela razão. Lição que Agostinho aprendeu na praia, quando tentava “entender” o mistério do Deus Uno e Trino, e o menino da visão lhe mostrou ser impossível guardar o oceano em um dedal…

Orai sem cessar: “Tenho os olhos fixos no Senhor…” (Sl 25,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 8,5-11

Publicado em 4 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

4/12/2017 – Somente uma palavra… (Mt 8,5-11)

Ao tomar conhecimento de que Jesus está a caminho de sua casa, o centurião romano manifesta a mais profunda humildade. Para que seu servo seja curado – afirma ele – não é necessária a presença pessoal do Mestre. Basta uma palavra do Senhor, e ele será curado.

É chocante a argumentação do oficial romano: ele tem subalternos e suas ordens expressas em palavras são prontamente obedecidas. Ocorre que o centurião reconhece em Jesus uma autoridade superior à de sua própria patente militar. Ele que, para levar sua súplica até Jesus, já recorrera à mediação de anciãos dos judeus (cf. Lc 7,3), primeiro sinal de seu sentimento de indignidade – nada usual num oficial de um exército de ocupação! -, agora se espanta com a atitude do Mestre, que prontamente se dispôs a deslocar-se até a casa de um pagão, considerado “impuro” pelos judeus.

A atitude do soldado romano leva Jesus a reconhecer nele um autêntico “filho de Abraão” – expressão que só se aplicava àqueles que pertenciam ao povo da Aliança. Assim como bastara para Abraão uma palavra de Deus, ao fazer-lhe a promessa de uma descendência, para que o patriarca deixasse suas raízes e se aventurasse no desconhecido, “como se visse o invisível”, também para este obscuro centurião basta a palavra de Jesus – assim ele crê – para que aconteça a cura de seu servidor.

Como comenta Hébert Roux, “esse homem não duvida nem por um instante que exista mais realidade, mais eficácia, mais poder em uma única palavra de Jesus que em toda iniciativa humana. Ele adivinha que a ordem que Jesus pode dar é uma ordem criadora; por isso, sabe que se obtiver uma só palavra, terá também o seu cumprimento”.

Em espantoso contraste com a atitude do centurião romano – um estrangeiro, que os judeus chamavam depreciativamente de “cão” -, nós vemos hoje, dentro e fora da Igreja, grande número de pessoas que agem como se ignorassem o poder transformador da Palavra de Deus.

Em meus tempos de Pastoral Carcerária, quantas vezes ouvimos a sentida reflexão de um presidiário ao ouvir o Evangelho: – “Se eu tivesse escutado isto antes, hoje eu não estaria aqui…” Em muitos lugares, a Palavra de Deus é anunciada de forma burocrática, “profissional”, sem vibração e sem fé.

E a liturgia insiste: “Se disseres uma palavra, minha alma será salva!”

Orai sem cessar!

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 13,33-37

Publicado em 3 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

3/12/2017 – Vigiai! (Mc 13,33-37)

O tempo litúrgico do Advento, enquanto espera e expectativa do Natal do Senhor, é por natureza um tempo de vigilância. Se os humildes pastores de Belém ouviram dos anjos o inesperado convite para a gruta, é que eles velavam durante a noite. Dorminhocos não ouvem convites…

Claro, não se trata de uma vigília tensa, como soldados sitiados que temem um ataque noturno. Muito ao contrário, trata-se da expectativa jubilosa de um povo que tem como certa a vinda do Senhor. Enquanto Ele não chega, a noiva se atavia com flores de laranjeira. Os amigos do noivo afinam seus instrumentos. O maior da casa, o mordomo, já terá encomendado o vinho capitoso.

Um de meus cânticos, gravado pelo Pe. Jonas Abib, fala exatamente do “vigia que espera pela aurora”. Imagem de cada fiel que se sente responsável pelo anúncio da Boa Nova. Hoje, ofereço esta letra para sua meditação:

Vigia esperando a aurora,

Qual noiva esperando o amor,

É assim que o servo espera

A vinda do seu Senhor!
1. Ao longe, um galo vai cantar seu canto,

O sol no céu vai levantar seu manto,

Mas na muralha eu estarei desperto,

Que já vem perto o Dia do Senhor.
2. A minha voz vai acordar meu povo,

Louvando a Deus, que faz o mundo novo.

Não vou ligar se a madrugada é fria,

Que um novo dia logo vai chegar…
3. Se é noite escura, acendo a minha tocha.

Dentro do peito, o Sol já desabrocha.

Filho da luz, não vou dormir: vigio.

Ao mundo frio vou levar o Amor!

Orai sem cessar: “Eu te estabeleci como sentinela para a Casa de Israel.” (Ez 33,7)

Texto e poema de Antônio Carlos Santini, da Com. Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 21,34-36

Publicado em 2 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

2/12/2017 – Vigiai sobre vós mesmos! (Lc 21,34-36)

Estamos diante de um imperativo de Jesus que o Evangelho de São Lucas situa logo antes de sua Paixão, associado ao anúncio de sua Vinda no fim dos tempos, em tonalidade claramente apocalíptica.

E nós, modernos, entendemos muito bem de apocalipses, chegando ao ponto de transformá-los em espetáculo nas telas do cinema e nas páginas da literatura. Como percebe François Trévedy, nossa civilização é a civilização do medo, “uma civilização esmagada pelo temor dos apocalipses que ela não cessa de imaginar, de entrever, e dos quais ela mesma traz, no fundo, tanto o germe quanto a responsabilidade”.

Em sua Encíclica Laudato Si’ (junho/2015), o Papa Francisco também nos chama a vigiar e cuidar do meio em que vivemos, para evitar a catástrofe anunciada:

“O ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto; e não podemos enfrentar adequadamente a degradação ambiental, se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social. De fato, a deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta: Tanto a experiência comum da vida quotidiana como a investigação científica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres.” (LS, 48)

Apesar de alertas desta natureza, inclusive os que partem dos homens de ciência, muitos continuam imersos no sono da rotina e dos velhos hábitos, sem tomar consciência do papel responsável de cada pessoa pela salvaguarda de nosso planeta. A ânsia de lucro imediato e a indiferença pelo futuro das próximas gerações explicam este sono.

Nas vésperas de um novo Advento, o Evangelho pede que vigiemos sobre nós mesmos. É dentro de nós que resiste o pecado gerador de todos os apocalipses. Ali pulsam a gula e o hedonismo, a ambição e o individualismo, a acumulação de bens e a exploração do outro.

Em preparação do Natal, quando contemplaremos o Menino pobre e marginalizado, identificado com os mais esquecidos da sociedade, é urgente reavaliar os objetivos de nossa existência e abrir amplos espaços para a solidariedade e a partilha. Só assim experimentaremos a paz…

Orai sem cessar: “Feliz aquele que vigia!” (Ap 16,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 21,29-33

Publicado em 1 de dezembro de 2017 \\ Evangelho do dia

Minhas palavras não passarão… (Lc 21,29-33)
São tempos de ateísmo estes tempos. Um século materialista, quando as pessoas vivem como escravos da matéria, sacrificando penosamente os dias de sua vida em troca de “coisas que passam”. Aliás, se – como afirma Jesus – “passarão o céu e a terra”, então todas as coisas são efêmeras, não duram para sempre. Aqui se revela toda a fragilidade deste mundo. Aqui a traça corrói diplomas de mérito e a ferrugem devora tesouros cumulados. Aqui as juras de amor se mostram mentirosas. Aqui as torres edificadas pela soberba humana caem por terra em alguns minutos.

Ao contrário, a mensagem de amor que Cristo traz ao mundo tem valor de eternidade. Seus princípios são eternos como o próprio Deus, sua fonte. Quando a matéria se reduzir a pó, as palavras que Jesus nos falou continuarão tão vivas quanto no momento em que foram pronunciadas.

A geração do tempo de Jesus presenciou o fim de um “mundo”. Quando as legiões romanas incendiaram Jerusalém, passando a população a fio de espada, teve seu fim o “mundo” do antigo Israel. Demolido o Templo, silenciados os hinos de louvor, interrompidos para sempre os sacrifícios de animais, a ruína de Jerusalém era definitiva. Ainda hoje, na esplanada do Templo, apenas se vê o Muro das Lamentações, menos que uma sombra do antigo fausto.

A um judeu daquele tempo, era impensável que tudo acabasse daquele modo. Também a nós, em uma civilização que perfura túneis nas cordilheiras e envia astronautas pelo espaço sideral, domina o átomo e clona os animais, pode parecer impensável que toda esta construção humana tenha um fim.

Mas há indícios que erguem um alerta para nossa civilização. As profundas alterações climáticas – em boa parte causadas pela interação do homem no ambiente – sinalizam com furacões e tsunamis, rios secos na Amazônia, buraco na camada de ozônio e degelo das calotas polares, ao lado de novas epidemias que parecem incontroláveis.

Jesus de Nazaré apela para nossa prudência. Se somos capazes de reconhecer a aproximação do verão, quando a figueira começa a soltar seus brotos, por que não perceberíamos também o momento de modificar nosso estilo de vida e buscar as coisas que não passarão?

Orai sem cessar: “Sem perder um instante,

Apressei-me em observar teus mandamentos.” (Sl 119,69)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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