Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Evangelho do dia – Mt 20,20-28

Publicado em 25 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

25/07/2018 – E dar a sua vida… (Mt 20,20-28)

O amor é assim. Vive para morrer. Morre para que o outro viva. E acha o seu sentido profundo quando gasta a vida pelo bem do outro. Jesus assevera: “Ninguém tem maior amor do que quem dá a vida por seu amigo.” (Jo 15,13.) As hipóteses freudianas sobre o homem divergem: pregam a afirmação de si mesmo, a busca de realização pessoal, a recusa de toda ascese, o abandono às próprias inclinações e a repulsa por todo sacrifício. Claro: Freud e o Evangelho são antípodas… E desde que sua psicologia se vulgarizou, foi minguando nossa capacidade de doação, a disposição para o altruísmo, para uma vida centrada no outro. Sempre mais egoístas, roubamos do amor seu sopro de eternidade para viver com mesquinhez as realidades terrestres.

Na Encíclica “Deus é amor”, Bento XVI diz: “A verdadeira novidade do Novo Testamento não reside em novas ideias, mas na própria figura de Cristo, que dá carne e sangue aos conceitos – um incrível realismo. [...] Na sua morte de cruz, cumpre-se aquele virar-se de Deus contra si próprio, com o qual Ele se entrega para levantar o homem e salvá-lo – o amor na sua forma mais radical. O olhar fixo no lado transpassado de Cristo, de que fala João (cf. 19, 37), compreende o que serviu de ponto de partida a esta Carta Encíclica: “Deus é amor” (1Jo 4, 8). É lá que esta verdade pode ser contemplada. E começando de lá, pretende-se agora definir em que consiste o amor. A partir daquele olhar, o cristão encontra o caminho do seu viver e amar.” (DCE, 12.)

Jesus vive o que ensinou. Humilde, entrega-se à morte ignominiosa, entre dois malfeitores, remindo com seu sangue a humanidade decaída. João resume o sentido de sua entrega: “Tanto Deus amou o mundo, que lhe entregou seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3,16.) Os mártires testemunham que esse amor é possível. Tendo provado o amor eterno – experiência totalizante que a tudo relativiza – entregam sua vida alegremente, entre hinos de louvor, pedindo a Deus clemência para os carrascos.

Há pequenos martírios em nossas vidas. A mãe sofre os incômodos da gravidez e as dores do parto para gerar vida nova. O pai tem as mãos calejadas para sustentar a família. O médico se expõe ao contágio para cuidar dos enfermos. A mestra se sacrifica pelos alunos, mesmo tendo um baixo salário. E tanta gente simples que valoriza amigos e vizinhos, e acolhe o migrante que passa… São todos eles um Evangelho vivo. Dão a vida e sabem servir…

Orai sem cessar: “Se morrermos com Cristo, com ele viveremos.” (2Tm 2,11)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 12,46-50

Publicado em 24 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

24/07/2018 – Esse é meu irmão… (Mt 12,46-50)

Como entender a reação de Jesus que, à primeira vista, parece evitar o contato direto com o grupo de familiares que o procura? O primeiro ponto que nós podemos considerar nos é dado pelo evangelista São Marcos: diante da atuação pública de Jesus, que atraía multidões, seus parentes duvidam de sua sanidade mental e pretendem leva-lo à força para casa. (Cf. Mc 3,21.)

Afinal, aos olhos de todos, Jesus era um simples carpinteiro de Nazaré que se comportava como um Rabi… A súbita mudança de rumo em sua vida podia, mesmo, assustar os mais próximos. E o bom senso nos leva a crer que Maria, sua mãe, acompanhava os parentes a contragosto.

À chegada dos familiares, Jesus aproveita para nos dar uma lição. A própria noção de “família” é alterada, quando aponta para a multidão sedenta de sua Palavra e diz: “Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão e minha irmã e minha mãe”.

Não há nada aqui que nos deva causar espanto. De fato, quem obedece ao Pai do céu, quem ouve sua Palavra, age na prática como filho. Irmana-se, pois, com Jesus, o Filho obediente, que jamais foi capaz de pôr seus próprios interesses e vontades acima da vontade do Pai.

Se alguém tenta valer-se desta passagem para desmerecer a figura da Mãe de Deus, lembre que Maria é o modelo de quem ouve e acolhe a Palavra em seu íntimo, a ponto de gerar o Verbo na própria carne. Assim sendo, ela se encaixa perfeitamente na nova definição de família que Jesus acaba de divulgar.

No contraste entre os laços de sangue e os laços de espírito, estes ficam com a primazia. Realidade experimentada por tantas pessoas, que acabaram por estabelecer relações de maior intimidade, mais confiança e calor humano entre companheiros de caminhada na fé do que entre os próprios membros da família carnal. Tanto que os monges chamavam seu superior de Pai (Abba, Pater), e as monjas viam na superiora a sua Mãe (Madre). O membro da mesma comunidade era irmão (frater) ou irmã (sóror).

Se, por um lado, o cristianismo veio valorizar a família, reconhecendo nela algo sagrado e querido por Deus, por outro lado acenou também com a necessidade de rupturas e desapego familiar quando se trata de seguir os chamados do Senhor. E o exemplo maior nos vem de Jesus, que precisou deixar sua mãe, já viúva, para seguir a exigente missão que o Pai celeste lhe confiara.

Orai sem cessar: “O Senhor faz as famílias numerosas como rebanhos.” (Sl 107,41)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 12,38-42

Publicado em 23 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

23/07/2018 – O sinal de Jonas… (Mt 12,38-42)

Lembra-se de Jonas, o profeta teimoso que tentou fugir de sua missão e acabou na barriga de um grande peixe do mar? Após três dias e três noites nas entranhas do Xeol e no coração do mar (cf. Jn 2,3-4), com um colar de algas marinhas enlaçando-lhe o pescoço, Jonas clamou por Deus e foi prontamente devolvido à superfície das águas, são e salvo. É belíssimo o salmo que ele reza naquela passagem do Antigo Testamento!

Jesus Cristo recorre à experiência de Jonas – do conhecimento de todos os seus ouvintes – para fazer alusão à sua própria ressurreição “ao terceiro dia”. Este seria o único “sinal” dado aos que duvidavam de sua missão messiânica. Na falta da fé, clamavam por demonstrações de poder…

Bem, nós corremos o mesmo risco… Podemos avaliar que nossa vida espiritual anda meio rotineira, que não basta cumprir os mandamentos, amar o próximo, viver uma vida sacramental. Aí, nasce em nossas circunvoluções cerebrais a ânsia por algum milagre, algum prodígio, algumas aparições, enfim, algo fora do comum.

E lá vamos nós em peregrinações a locais de supostos fenômenos místicos, ou a grupos onde se manifestam os dons mais extravagantes. No fundo, sintomas de inquietação interior, de gula espiritual, de falta de abandono infantil nas mãos do Pai que nos ama…

Os autores espirituais já nos ensinaram a buscar pelo Deus dos sinais, e não pelos sinais de Deus. O próprio Jesus fez uma advertência a Tomé, que afirmava crer somente sob a condição de ver: “Felizes os que, sem terem visto, acreditam!” (Jo 20,29.)

De fato, se dependêssemos de uma enxurrada de sinais para crer em Deus, para atender ao chamado, para assumir a missão, ficaríamos para sempre sentados no meio-fio, esperando a banda passar. A vida dos santos revela que eles passaram longos anos sem nenhum “sinal de vida” da parte do Senhor que os atraíra, seduzira e, a seguir, escondeu-se na nuvem.

Como Madre Teresa de Calcutá – só o soubemos depois de sua beatificação! -, que passou mais de quatro décadas no mais absoluto deserto interior. E essa aridez não impediu que se dedicasse de alma e coração à missão de amar os abandonados.
Orai sem cessar: “Cumprirei os meus votos para com o Senhor!” (Sl 116,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 6,30-34

Publicado em 22 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

22/07/2018 – Ovelhas sem pastor… (Mc 6,30-34)

Este Evangelho realça mais uma vez o sentimento de Jesus diante das multidões que acorriam à sua procura, o mesmo sentimento ainda mais destacado no Evangelho de São Lucas: a compaixão. Um movimento da alma geralmente designado pelo verbo grego [splagchnizomai] que conota uma reação visceral, hoje diríamos “psicossomática”.

O Antigo Testamento já fazia referência ao abandono do povo por seus dirigentes, tanto políticos quanto espirituais, como na passagem de Jeremias 10,21, que denuncia “pastores que deixaram de procurar o Senhor e por isso são incapazes de governar”, com a consequente dispersão do rebanho.

O profeta Isaías 40,11 traz a promessa do Messias que vem “qual pastor que cuida com carinho do rebanho, nos braços apanha os cordeirinhos, para levá-los ao colo”.

É exatamente assim que a Jesus aparece, no Evangelho – diz Hans Urs von Balthasar – a multidão que se reúne à sua volta. “Nele, as pessoas sentem instintivamente o bom pastor enviado por Deus, que não quer exercer seu poder sobre elas, mas as reúne e cuida delas por si mesmas. Os poderosos já as dominaram o suficiente, assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, para os quais o povo era somente certa massa ignorante “nascida inteiramente no pecado” (cf. Jo 9,34).”

Este Evangelho mostra-nos Jesus dividido entre a necessidade de repouso e as exigências da multidão, que não lhe permite sequer o tempo para as refeições (cf. Mc 6,31b). “Ele acabará por oferecer a si mesmo em alimento para esses famintos. Ele não está ali para descansar, mas para deixar-se usar até o fim. ‘Eu dou a minha vida pelas minhas ovelhas’. (Jo 10,15)”

É assim que Jesus deixa de lado o descanso e a alimentação para concentrar-se no ensinamento da multidão. Fazem-lhe companhia os discípulos, sem que se registre a reação deles e suas disposições íntimas. Afinal, o Mestre é também o modelo de vida do discípulo, um modelo a ser imitado sem reservas pessoais.

Como o próprio Jesus iria ensinar, basta ao discípulo ser como o Mestre. Por isso mesmo, em sua atuação pastoral e no anúncio do Evangelho – como se lê nos Atos dos Apóstolos – esperam por eles os mesmos cansaços e a mesmo destino de seu Mestre (cf. Mt 10,25).

Orai sem cessar: “O Senhor é meu pastor, nada me falta!” (Sl 23,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 12,14-21

Publicado em 21 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

21/07/2018 – Ele os curou a todos… (Mt 12,14-21)

Uma frase tão curta, mas suficiente para revelar o imenso bem que Jesus realizava no meio da turba que se aglomerava à sua volta, mesmo quando seu tempo de repouso ou de alimentação se tornava impossível.

Em nosso tempo, se algum líder religioso realizasse os mesmos prodígios, certamente recorreria aos meios de comunicação para alardear seus feitos, multiplicar seguidores e amplificar doações em espécie. Não era o caso de Jesus de Nazaré. Como anota o evangelista, após curar “a todos”, Jesus advertia com severidade às pessoas beneficiadas para que não manifestassem o que ele havia feito.

Assim comenta o exegeta Hébert Roux:

“A recomendação expressa que Jesus faz aos enfermos curados para que não o deem a conhecer, acentua, aqui como em outras passagens, a vontade de Jesus de permanecer em segredo, de tal maneira que o anúncio do Evangelho de modo algum assuma o caráter de uma propaganda chamativa e convincente: ‘Ele não contestará, ele não gritará; não se ouvirá sua voz nas praças públicas’. Entretanto, ‘ele anunciará o julgamento às nações, e fará triunfar a justiça’”.

“É no caminho do abaixamento descrito por Isaías, que vai caminhar o Servo do Eterno; ele é doce e humilde de coração, e leva em consideração o caniço rachado e a mecha que está para se apagar, isto é, aqueles que em outra parte ele designa como os pobres, os que têm fome de justiça ou ainda os cansados e sobrecarregados. Que todos eles aprendam a depositar sua esperança apenas em Seu nome, e somente dele esperem pela justiça.”

Que lição para nós! Não é com propaganda e carros de som, não é com poderosas redes de comunicação, com a exibição de milagres, que os corações se voltarão sinceramente para Deus. A gulosa busca de poder e de cura, o anseio por fatos sobrenaturais e consolações espirituais geralmente nos prendem a nós mesmos, transformados em consumidores do supermercado da religião.

“Somente podem descobrir o segredo messiânico aqueles que, pela fé, reconhecem em Jesus o Escolhido, o Bem-Amado do Eterno, sobre o qual repousa o Espírito de Deus. São bem estes os termos pelos quais Jesus foi designado desde o começo, por ocasião de sua descida batismal, que assinala de que maneira triunfará nele toda a justiça.”

Orai sem cessar: “O Senhor cura os corações atribulados e enfaixa suas feridas.” (Sl 147,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 12,1-8

Publicado em 20 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

20/07/2018 – Quero a misericórdia… (Mt 12,1-8)

Mais uma vez – eles nunca se cansam! – os fariseus buscam algum motivo para acusar a Jesus e sua “troupe”: quebrando com a mão algumas espigas, ao atravessarem um trigal, estariam quebrando também o repouso sagrado do sábado.

Ora, tratava-se de uma leitura excessivamente rigorista da Lei, pois o grupo estava em viagem, e a mesma Lei (cf. Dt 23,26), atenta às necessidades do pobre, do peregrino, do estrangeiro em viagem, sabia fazer tais exceções. Por isso mesmo, a virulência dos inimigos de Jesus seria asperamente repreendida com a palavra do profeta: “Quero a misericórdia, não o sacrifício!”

Com este argumento extraído da Escritura Sagrada, Jesus, o Rabi de Nazaré, aponta para uma hierarquia de valores que deve ser observada no conjunto da Lei: não faz sentido deixar que alguém morra de fome só porque é o Sábado, quando o Criador descansou. Em outros termos, o amor pela vida, a proteção dos vivos está muito acima de qualquer outro preceito menor.

Também para nós, cristãos, que observamos o Domingo, dia da Ressurreição do Senhor, há deveres de caridade e de serviço ao próximo que justificam o trabalho necessário e inadiável. Um médico não pode citar o Catecismo para deixar de atender a um enfermo. A Igreja sabe (e ensina) que os serviços essenciais devem continuar em pleno Dia do Senhor. Aliás, hoje, tal como no tempo de Jesus, é exatamente no dia de repouso que os ministros de Deus trabalham dobrado!

Em nossos dias, os fariseus continuam vivos e ativos. Sobreviveriam – creio – mesmo a uma guerra atômica. Os mesmos que acusavam Jesus de desprezar a Lei, quando ele curava, em dia de sábado, uma doente que sofria há 18 anos! E Jesus pergunta, indiretamente: “Haverá algo mais importante que salvar uma vida?” Também hoje eles se dedicam a coar as moscas e engolir os camelos (cf. Mt 28,24). Não percebem que a própria Lei deve estar submissa ao amor…

Em tempo: misericórdia não significa libertinagem. Significa que as normas e os preceitos devem ser passados pelo crivo do amor. Aliás, cada mandamento foi criado exatamente em vista do amor.

Que espaço tenho reservado para a misericórdia em minha vida?
Orai sem cessar: “Mostrai-nos, Senhor, a vossa misericórdia!” (Sl 85,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 11,28-30

Publicado em 19 de julho de 2018 \\ Evangelho do dia

19/07/2018 – Eu vos aliviarei! (Mt 11,28-30)

A vida pesa. Nem poderia ser de outro modo, pois somos uma raça ferida pelo pecado original. Ainda que o Batismo cristão tenha erradicado em nós a culpa da origem, autêntico “genoma espiritual”, permanecem as sequelas em nossa carne e em nossa mente. Não há outra explicação para as más tendências que se manifestam desde o início da vida dos bebês: impaciência, ciúme, egocentrismo e muito mais.

Se a vida pesa, se a existência nos sobrecarrega com seu fardo, o Salvador Jesus assumiu nossa carne, nascendo de Mulher, exatamente para nos aliviar. Lavando-nos em seu sangue, reatou a amizade rompida na origem. É nele, Jesus, que fomos adotados pelo Pai. E seu terno amor não consegue ficar indiferente às nossas misérias, a nossas quedas e enfermidades…

No Evangelho de hoje, Jesus se dirige especialmente a você, que se sente cansado da caminhada, onerado por um trabalho que oprime, incapaz de perseverar em sua missão. Ele propõe uma troca: você lhe entrega o seu próprio fardo e assume o fardo dele, que é suave. Que jugo será este, que parece leve a quem o abraça? Só pode ser o jugo do amor. É com ele que as mães não desanimam da educação dos filhos, os pais perseveram no trabalho, os médicos acolhem os enfermos, os pobres perdoam a seus opressores.

O contrário do amor não é necessariamente o ódio. Quase sempre, o oposto do amor é o egoísmo: uma vida centrada em si mesmo, a busca de interesses pessoais, a ênfase nas ofensas recebidas, a indiferença diante da dor alheia. Os santos não são heróis, são apaixonados…

Sim, os santos são ex-cêntricos: saem do próprio centro e se projetam para o outro, buscando para ele a felicidade e a realização. Só assim podemos entender a pertinácia de um Dom Bosco, a dedicação de Madre Teresa de Calcutá, o desapego de Francisco de Assis. O progresso do estudante, o sorriso do moribundo, o beijo do leproso – eis a recompensa dos três irmãos universais.

Jesus foi o modelo de todos eles. Jesus abraça a cruz – que lhe dói como a qualquer mortal – sabendo que aquele sofrimento permitia a salvação de toda a humanidade. Sua Paixão e sua Morte tinham sentido. Ancoravam-se no amor.

Qual a motivação de nossa vida? Por que estamos na estrada? Seria por amor?

Orai sem cessar: “Por amor de meus irmãos e de meus amigos,

pedirei a paz para ti.” (Sl 122,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 14,12-16.22-26

Publicado em 31 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

31/05/2018 – O Sangue da Aliança… (Mc 14,12-16.22-26)

Quando se aproximava um poderoso exército invasor, o perigo iminente levava as tribos nômades do deserto a se aliarem, em uma atitude de defesa. Os dois chefes de clã partiam um cavalo ou um boi em duas metades e passavam entre as partes sangrentas, como a dizer: “Se eu não cumprir minha parte na aliança, podes fazer comigo o que fizemos com este animal”.

No Gênesis, um ritual semelhante é celebrado entre Deus a Abraão, selando a aliança entre Deus e seu povo (cf. Gn 15,9-17). Em outras celebrações arcaicas, o sangue de um animal era aspergido sobre a assembleia reunida, como rito de purificação; a melhor carne era queimada em sacrifício e o restante era distribuído ao povo que, assim, entrava em comunhão com a divindade.

As duas partes envolvidas no ritual tornavam-se “aliados de sangue”. Era como se formassem um só povo, pois passavam a ser mutuamente comprometidas com todas as dificuldades e desafios que afetassem uma das partes.

No Evangelho de hoje – escolhido para a liturgia do Corpo e do Sangue do Senhor – no meio de uma celebração que, a princípio, parecia apenas uma ceia pascal judaica, Jesus surpreende os discípulos ao “quebrar o cerimonial” e dizer as palavras da primeira consagração eucarística da história: “Isto é meu Corpo… Este é o cálice do meu Sangue…” Um Corpo “dado”, um Sangue “derramado”…

Na verdade, só no dia seguinte – a Sexta-feira Santa – Jesus seria sacrificado no Calvário, como vítima de salvação. No entanto, já na véspera, na quinta-feira, Ele antecipa de modo sacramental (isto é, por meio dos sinais do pão e do vinho) aquilo que seria evento histórico no dia seguinte.

E as palavras do Senhor deixam claro que ele tem consciência de estar dando formato definitivo à Aliança entre Deus e os homens, tantas vezes tentada no passado: Com Noé (Gn 9,8ss), com Abraão (Gn 17), com Davi (2Sm 7,11c-16). Desta vez, não há vítimas animais, mas o sangue que deve correr é o próprio Sangue do Cordeiro.

Hoje, em cada Eucaristia, a Igreja atualiza (isto é, traz do passado para o presente, de modo real e eficaz) aquele mesmo sacrifício de Jesus, repetindo seus gestos e palavras. O próprio Jesus pedira: “Fazei isto em memória de mim”. (Lc 22,19) E o fiel sabe que está, mais uma vez, presente à montanha do Calvário…

Orai sem cessar: “Ao Cordeiro, louvor, honra, glória e poder!” (Ap 5,13)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 10,32-45

Publicado em 30 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

30/05/2018 – Tinham medo… (Mc 10,32-45)

Pessoalmente, sinto-me consolado ao ler no Evangelho de São Marcos, secretário do Papa Pedro, que os discípulos eram dominados pelo medo ao se aproximarem de Jerusalém, onde, segundo prenunciava o Mestre, a oposição a Jesus chegaria a seu clímax: condenação, tortura e morte!

Afinal de contas, os discípulos haviam convivido com seu Mestre por quase três anos. Presenciaram seus milagres, a tempestade serenada, o leproso purificado, o morto ressuscitado. Depois de toda essa preparação, não era de esperar que estivessem dispostos a tudo?

Ledo engano. Nossa humanidade frágil é a mesma em todo tempo e lugar. Toda vez que o seguimento de Jesus significa para nós algum tipo de risco, voltamos a nos preocupar com a própria segurança. Toda vez que os apupos inesperados substituem os aplausos tão desejados, nós reexaminamos nossa entrega inicial. Sempre que a fé aponta para o martírio, pensamos na apostasia. Somos do mesmo barro que nosso pai Adão…

De fato, os companheiros de Jesus ainda estavam olhando para outra direção. Pensavam no Reino que o Mestre iria estabelecer e, naturalmente, nos ministérios que caberiam a cada um deles. Estavam prontos a sentar-se “à direita e à esquerda” (cf. Mc 10,37), mas nada dispostos a abraçar a cruz…

Só após Pentecostes esses homens simples e um tanto abrutalhados – fiéis fabricados a canivete! – entenderiam a afirmação de que Jesus tinha vindo para servir e dar a sua vida para nossa redenção. Antes de serem inundados pelo Espírito Santo, seus projetos e ideais permaneceriam contagiados por expectativas humanas, sonhos de grandeza, busca de compensações.

No entanto, a História registra a profunda mudança neles operada pelo fogo de Pentecostes: os covardes tornam-se ousados, os preguiçosos atravessam os oceanos, os sonhadores arregaçam as mangas e dão a vida pela Boa Nova. Nenhuma distância impede sua marcha. Nenhuma ameaça amordaça sua boca. Nenhum prêmio material pode afastá-los da coroa eterna. Feras do Coliseu, a espada do carrasco, as cruzes e as minas de metal, nada arrefece o seu amor.

E nós? Já fomos abrasados pelo Espírito de Pentecostes?

Orai sem cessar: “Entramos no fogo e na água,

mas nos fizeste sair para um banquete.” (Sl 66,12b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 10,28-31

Publicado em 29 de maio de 2018 \\ Evangelho do dia

29/05/2018 – Deixamos tudo… (Mc 10,28-31)

Jesus acaba de “exagerar”… Para expressar com clareza que o apego aos bens materiais impede o progresso espiritual, ele apelou para dois extremos: o maior animal daquela região (o camelo) e a menor passagem conhecida (o furo da agulha). Agora, era só juntar os dois: “É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus”.

Todos se assustam. “Então, quem se salva? Ninguém?” Jesus reflete: “O que é impossível para os homens, é possível para Deus”. E Pedro resolve arriscar: “E nós… que deixamos tudo… e te seguimos?”

Ora, Pedro, faça-me o favor! Deixaram tudo?! Que foi que você deixou? A sogra velha e doente? Aquela barca velha e cansada, que fazia água quando o vento embravecia? Aquelas velhas redes, que vocês estavam remendando quando o Mestre os chamou? Aquele lago avarento, que vocês chamavam de mar e que deu peixes apenas três vezes em todo o Evangelho, exatamente quando Jesus fez três milagres? (Cf. Lc 5; Mt 17,26; Jo 21.)

Assim somos nós, tal como Pedro e seus companheiros. De que foi que abrimos mão para seguir a Jesus? Diplomas que mofam nas gavetas? Empregos que uma recessão econômica pulveriza? Juras de amor que duram um verão? E são quinquilharias desse tipo que costumam impedir que sigamos o chamado de Deus!!!

Enquanto isso, imperturbável, Teresa de Ávila canta a meia voz:
Nada de perturbe,

nada te espante;

tudo passa,

Deus não muda.

 

A paciência

tudo alcança;

Quem a Deus tem,

nada lhe falta.

Só Deus basta.
Deus me basta? Preenche a minha vida? Ou ainda preciso de algo mais para ser feliz?

Orai sem cessar: “Põe tua esperança no Senhor!” (Sl 131,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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