Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Evangelho do dia – Mt 1,16.18-21.24a

Publicado em 19 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

19/03/2018 – E acolheu sua esposa… (Mt 1,16.18-21.24a)

Quem poderá avaliar a obediência de José de Nazaré? O sacerdote Zacarias e a jovem Maria estavam bem acordados quando o anjo de Deus os visitou (cf. Lc 1,11.26). A José, porém, é no abismo do inconsciente, ali onde se tecem os sonhos, que a mensagem divina se manifesta. Ao acordar do sono e do sonho, José “faz” conforme lhe fora ordenado.

Eis a receita da santidade. Ouvir e agir. Acolher a Palavra e pô-la em prática. E José nem imaginava que assim começava seu processo de santificação… Ao acolher sua noiva, grávida por ação direta do Espírito Santo (cf. Mt 1,20), uma acolhida que incluía um casamento em perfeita castidade, José entrava em contato imediato com a Mulher habitada pela santidade de Deus. A esposa santa vai santificar seu esposo…

Dou a palavra a Maurice Zundel, em seu caderno sobre Nossa Senhora da Sabedoria:

“Jesus é proveniente do casamento deles, cuja virgindade é fecunda; a carne deles repousa em uma exultação pacífica, na realização supereminente do elã portador da vida. E como o vínculo que os une é a Pessoa divina de seu Filho, o casamento deles é tão santo quanto eterno, envolvendo em um grau único todos os bens de uma união perfeita: fecundidade, fidelidade, indissolubilidade: fides, proles, sacramentum.

Não esqueçamos, aliás, que Maria goza de cada um desses títulos em um primado incontestável: a virgindade de José é um reflexo da sua; a paternidade dele resulta da maternidade dela, e é ligando-o para sempre a Maria que a presença de Jesus o confirma em graça e o estabelece nessa santidade eminente que se irradia sobre toda a Igreja.

Este primado de Maria, no entanto, não desfaz a ordem natural que torna José o chefe da Sagrada Família. Como Jesus obedece a um e à outra, Maria está ternamente submissa a José, com essa magnânima humildade que faz da obediência a atenção do amor ao Amor – o qual, para se exprimir no homem, não deixa de ser a plenitude da Verdade e da Vida.

Igualmente, como todos os mistérios em que está comprometido, o casamento de Maria está por inteiro nesse Fiat que ordena todos os movimentos de sua alma a respeito das exigências, sempre realizadas nela, do dom da Sabedoria, pelo qual ela se reporta totalmente à Sabedoria eterna, que é o Filho único do Pai e dela: como o canto divino de sua pobreza na transparência infinita de um amor sem reservas.

‘De meu coração jorrou o Verbo do Amor.’ [Eructavit cor meum verbum bonum – Sl 45,2].”

Perdemos o sentido do matrimônio cristão? Ignoramos o seu mistério? Passamos a vê-lo como um contrato entre pagãos? Se não é assim, onde está a esposa que santifica seu marido? Onde está o esposo que santifica sua mulher?

Orai sem cessar: “Eu durmo, mas meu coração vigia.” (Ct 5,2)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 12,20-33

Publicado em 18 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

18/03/2018 – Atrairei todos a mim… (Jo 12,20-33)

A Boa Nova da salvação oferecida por Jesus Cristo destina-se a todos os povos, sem exceção. Ninguém está excluído desse anúncio. Particularidades de etnia ou cultura, nação ou tribo, classe social ou situação econômica não podem servir de pretexto para deixar alguém à margem.

É verdade que, de início, os primeiros discípulos, todos eles de cultura judaica, ainda viam a missão do Messias como exclusiva para o Povo Escolhido. Mesmo o apóstolo Pedro deveria passar por uma experiência de “conversão” a este respeito (cf. At 10,10b-16.44-48).

O Evangelho de hoje começa com os “gregos” à procura de um contato pessoal com o Mestre: “Queremos ver Jesus”. Fica evidente que grupos vizinhos, de cultura helenizada, também foram despertados pelo ministério de Jesus. Para esse contato, os visitantes contam com a intermediação de Filipe e André (notar que estes dois discípulos – Philippos e Andréas – ainda que judeus, receberam nomes de origem grega!).

Episódio quase escondido entre cenas mais impressionantes (curas físicas, libertações espirituais, sinais de poder sobre as forças da natureza…), já sinaliza que está chegando a “hora” de Jesus, isto é, o momento de seu sacrifício salvador, sua Paixão e morte na cruz.

Se é verdade que, antes de frutificar, o grão deve ser escondido no interior da terra, também é verdade que a luz acesa deve ser posta bem alto, no candeeiro, para que toda a casa seja iluminada (cf. Lc 8,16). Assim como as borboletas noturnas são atraídas pelo candelabro aceso, assim também o poder de atração de Jesus chegará a seu ponto máximo no momento em que ele for erguido no alto da cruz.

O Salvador tem consciência desse poder de sedução: “Quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim”. (Jo 12,32) O verbo grego deste Evangelho – hipsóo – não exprime apenas a exaltação material sobre a cruz, mas uma exaltação espiritual na glória. Bem antes, Jesus havia anunciado: “Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também será levantado o Filho do Homem, a fim de que todo o que nele crer tenha vida eterna”. (Jo 3,14) E mais: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘eu sou’”. (Jo 8,28)

Infelizmente, parece que nem todos estão convencidos do magnetismo da pessoa de Jesus Cristo. Percebo isto quando ouço pregações orientadas exclusivamente para a realidade sociopolítica, a conjuntura econômica, ou centradas em aspectos da psicologia humana, ou ainda desperdiçadas em floreios literários. Entendo-as como um esforço desesperado para atrair a atenção da assembleia, como se o próprio Cristo se tivesse tornado incapaz de atrair, seduzir e galvanizar o coração humano.

Imitemos Paulo, que pregava Cristo. E Cristo crucificado (cf. 1Cor 2,2).

Orai sem cessar: “Para ti, Senhor, levanto os olhos!” (Sl 123,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 7,40-53

Publicado em 17 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

17/03/2018 – Homem algum falou como este! (Jo 7,40-53)

Esta frase exclamativa saiu da boca dos guardas enviados pelos sacerdotes do Templo de Jerusalém com a missão de prender Jesus de Nazaré, cujo ensinamento ameaçava os donos do poder. Depois de se misturarem à multidão e ouvirem a pregação do Rabi, os emissários regressam aos chefes com os olhos cheios e as mãos vazias: “Homem algum falou como este homem!”

Não só os guardas daquele tempo, mas também os homens de empresa deste início de milênio estão descobrindo uma nova faceta em Jesus: seu notável poder de liderança! Uma palavra, e o seguem: “Vinde e vede!” (Jo 1,39) Uma ordem e os demônios fogem: “Sai deste homem!” (Mc 1,25) Um gesto e os guardas caem por terra (Jo 18,6). Sem poder econômico, sem recursos financeiros, sem apoio político, Jesus Cristo dividiu a História em duas fatias: antes de Cristo / depois de Cristo.

Diferentemente dos demais rabinos de seu tempo, que ensinavam apoiados em uma tradição, sempre a citar e repetir as lições de seus próprios mestres, Jesus de Nazaré destoa da tradição, pois ensina “com autoridade” (Mt 7, 29) e afirma que só repete aquilo que ouviu pessoalmente do próprio Pai. De modo audacioso, chega a contrapor a herança mosaica a uma Boa Nova ainda mais exigente: “Vocês ouviram dos antigos… Eu, porém, vos digo…” (Cf. Mt 5,21.27.33)

Não admira, pois, que corresse entre a multidão um frisson de admiração capaz de gerar muitas perguntas: “Não seria ele o Messias esperado?” Pobre, de origem humilde, proveniente da periferia de Israel, como explicar que aquele “filho do carpinteiro” agitasse de tal modo a sociedade de seu tempo?

Aqueles que se dedicam a organizar seminários para analisar a “liderança de Jesus Cristo” certamente não acharão a resposta em sua oratória, em sua inteligência humana nem nos seus recursos de neurolinguística. O que nos atrai em Jesus é, simplesmente, a Verdade. Não só a Verdade que ele traz do Pai, mas a Verdade que ele é. Quem faz contato com a Palavra de Jesus Cristo recebe dupla revelação: uma revelação sobre Deus e uma revelação sobre o homem.

Enquanto a multidão ouve o Rabi da Galileia, seu coração chega a arder (cf. Lc 24,32). O anúncio que Jesus comunica arranca as vendas que velavam os olhos humanos. Mesmo falando de coisas simples e comuns, como as aves do céu ou os lírios dos campos, sua mensagem estende uma ponte entre o coração do homem e o coração de Deus…

Agora, sim, sabemos que Deus é nosso Pai. Agora, enfim, sabemos que somos filhos. Depois disso, a quem iremos (Jo 6,68), a não ser ao Senhor?

Orai sem cessar: “Guardo no fundo do meu coração a vossa Palavra!” (Sl 119,11)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 7,1-2.10.25-30

Publicado em 16 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

16/03/2018 – Aquele que vós não conheceis… (Jo 7,1-2.10.25-30)

Jesus está falando do Pai. O Filho conhece o Pai. Foi o Pai quem o enviou aos homens, como portador de uma mensagem de amor e de esperança para a humanidade, cordeiro inocente para o sacrifício. E é dura de ouvir a sua afirmação: “Vocês não conhecem Aquele que me enviou…”

E nós? Conhecemos a Deus?

Na Bíblia, o verbo “conhecer” tem ressonâncias que vão muito além da mera informação, da coleta de dados, do contato com a realidade, da análise dos fatos. “Conhecer” lembra antes a intimidade conjugal, quando o homem “conhece” sua esposa. (Cf. Gn 4,1; Lc 1,34.)

Séculos após Voltaire, ainda há quem pense em Deus como o “grande relojoeiro”, aquele ser distante que montou a engrenagem do Universo e cuida de seu mecanismo, uma espécie de engenheiro de operações para supervisionar a sequência dos dias e das noites? Será que isto é conhecer a Deus?

Herdeiro dos velhos jansenistas, há quem imagine Deus como um policial de plantão, de olho na gente, pronto a intervir com a punição e o castigo adequado a cada transgressão da Lei. Será que isto é conhecer a Deus?

Há também no meio do povo quem se lembre de Deus exclusivamente na hora das dificuldades, quando as coisas escaparam totalmente de nosso controle humano; então, como quem se vale da varinha mágica ou do gênio da lâmpada, recorremos ao “poder superior” sempre pronto a quebrar nossos galhos e atender às nossas veleidades. Será que isto é conhecer a Deus?

Ainda há, enfim, quem se utilize de Deus como uma espécie de espada suspensa no teto, com a qual se torna possível fazer que crianças arteiras andem na linha: “Papai do Céu não gosta de menino que faz coisa feia!” Não admira que as crianças cresçam e evitem toda aproximação desse deus-ameaçador! Será que isto é conhecer a Deus?

E pensar que Jesus, o Filho, veio a este mundo para sinalizar o amor do Pai! Para nos revelar a verdadeira face de Deus: um rosto de Pai, solidário com nossa dor, atento à nossa fome, beijando o filho pródigo, alimentando as aves do céu e vestindo de ouro os lírios do campo!

E Jesus, a suspirar bem fundo: “Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem!” (Lc 11,13.)
Orai sem cessar: “Senhor, mostra-nos o Pai!” (Jo 14,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 5,31-47

Publicado em 15 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

15/03/2018 – Vosso acusador será Moisés! (Jo 5,31-47)

Se nossa relação com Deus não tivesse sido ferida e degenerada, a sociedade humana não precisaria depender de códigos e de legisladores. É que a voz de Deus sempre fala ao coração de cada homem que vem a este mundo. Mesmo os grupos humanos mais primitivos sempre receberam alguma luz interior que lhes permitisse escolher entre um ato e outro, mais ou menos humano, mais ou menos moral. Desde o primeiro assassino – Caim – o tribunal da consciência bastava para a acusação: “Meu crime é pesado demais para carregar… E todo aquele que me encontrar me matará.” (Gn 4,13-14.)

É claro que a argila humana está exposta à corrupção. A consciência humana pode degradar-se. Mesmo assim, não poderemos alegar o desconhecimento do bem. Como escreve São Paulo (Carta aos Romanos 1, 16ss), os pagãos que viveram antes do Evangelho também foram visitados por Deus, que lhes falou através das perfeições visíveis da Criação. Transviados, porém, adoraram a criatura em lugar do Criador. Sua idolatria foi o prelúdio da degradação moral. “Embora conheçam o veredicto de Deus, que declara dignos de morte os que cometem tais ações, eles não se limitam a praticá-las, mas aprovam ainda os que as cometem.” (Rm 1,32.)

Neste Evangelho, Jesus não se dirige a um auditório de pagãos, mas aos judeus de seu tempo, nada menos que os depositários privilegiados da revelação de Deus por meio dos profetas e patriarcas. Alvo das preferências do Senhor, aquele povo recebera na montanha do Sinai a própria Lei de Deus. Como povo escolhido, sua responsabilidade era evidentemente acrescida.

Por isso mesmo, sua recusa em acolher o Messias manifestava ao mesmo tempo a falta de amor, o apego à glória humana e a deturpação dos textos sagrados, jogando no lixo todos os testemunhos a eles oferecidos: o testemunho de João, os sinais e milagres de Jesus e, por consequência, as promessas da Primeira Aliança.

Também nós, herdeiros da Nova e Eterna Aliança, podemos mergulhar no mesmo abismo, se nos apegamos ao rótulo de “filhos de Deus”, mas não agimos na obediência própria desta condição. Como os judeus daquele tempo, também nós corremos o risco de vestir uma capa de superioridade, apegar-nos a ritos de pureza, à excelência do culto, e esquecer o essencial em nossa relação com Deus e o próximo: o amor que dá a vida pelo outro.

Se nós cremos que Jesus Cristo há de vir para julgar os vivos e os mortos, devemos viver nossa vida em conformidade com esta fé. Se, porém, alguém o recusa livremente como Juiz e Senhor, tanto pior: com as tábuas da Lei debaixo do braço, Moisés em pessoa fará o seu trabalho…

Orai sem cessar: “O Senhor julgará o seu povo!” (Hb 10,30)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 5,17-30

Publicado em 14 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

14/03/2018 – Eu também trabalho… (Jo 5,17-30)

Deus é amor. E o amor é ação. Ele nunca para, mas é dinamismo incessante que se vê impelido a preencher todo vazio. No amor, não há descanso nem lazer. Na verdade, o Amor é uma Pessoa: o Espírito de Deus incessantemente projetado do Pai para o Filho e, logo, devolvido como resposta amorosa do Filho ao Pai. Por isso o Filho “fez bem todas as coisas” (Mc 7,37).

Foi esse amor ativo e criativo que gerou o Cosmo, desde os mínimos ovos da borboleta e as flores do jasmim até as remotas galáxias e as supernovas. Foi o mesmo amor que se debruçou sobre a humanidade pecadora, para salvá-la do caos e da morte eterna. Foi esse amor que fecundou a Virgem, transformando-a na Mãe do Belo Amor. É esse amor que mantém sempre acesa a esperança dos homens e das mulheres, mesmo quando ogivas atômicas orbitam no planeta…

Neste Evangelho, logo após ter curado um enfermo, e mais uma vez na mira de seus adversários, Jesus “justifica” a cura feita em pleno sábado (quando o trabalho era interdito) como a consequência inevitável do Amor que supera as normas e os estatutos. De uma vez por todas, amor e trabalho se revelam como dois polos da mesma realidade: trabalhar por amor e amar por meio do trabalho.

Depois disto, o cristão atento ao modelo do Mestre jamais cometerá o desatino de traduzir o trabalho humano como castigo atribuído ao pecado original. Antes, o saudoso Papa João Paulo II nos recorda: “A consciência de que o trabalho humano é uma participação na obra de Deus, deve impregnar – como ensina o recente Concílio – também as atividades de todos os dias. Assim, os homens e as mulheres que, ao ganharem o sustento para si e para as suas famílias, exercem as suas atividades de maneira a bem servir a sociedade, têm razão para considerar o seu trabalho um prolongamento da obra do Criador, um serviço dos seus irmãos e uma contribuição pessoal para a realização do plano providencial de Deus na história.” (Laborem Exercens, 25)

E mais: “A mensagem cristã não afasta os homens da tarefa de construir o mundo, nem os leva a desinteressar-se do bem dos seus semelhantes, mas, pelo contrário, obriga-os a aplicar-se a tudo isto por um dever ainda mais exigente.”

Extensão da missão de Cristo, a Igreja trabalha incessantemente para edificar um Reino de amor. E a marca registrada desse amor é o trabalho. O Reino esperado que Jesus anunciou não cairá do céu sob a mágica de angélicas trombetas, mas edifica-se dia a dia, com sangue, suor e lágrimas, transfigurados pela Graça de Deus. E se há muitos caminhos de salvação, nenhum deles supera o trabalho…

Orai sem cessar: “Por amor de Jerusalém, não descansarei!” (Is 62,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 5,1-16

Publicado em 13 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

13/03/2018 – Não tenho ninguém… (Jo 5,1-16)

Um cenário dantesco! Uma piscina cercada de todas as misérias humanas: doentes, cegos, coxos, entrevados. Todos à espera de uma agitação nas águas, o sinal de que o Anjo de Deus ali chegara. O primeiro a entrar na piscina obtinha a cura. E isto só ocorria “de tempos em tempos”, como algo excepcional. Como se vê, o clima típico da Antiga Aliança: a graça rara, parcamente distribuída…

Um dos enfermos ali presentes sofria de seu mal há 38 anos. Os especialistas no judaísmo veem nessa cota (38) o símbolo da imperfeição, da coisa incompleta, em oposição ao número 40, medida de uma experiência completa, com início, meio e fim. Tal como os 40 dias do dilúvio, os 40 anos de caminhada pelo deserto, os 40 dias que Jesus jejuou no deserto. E Jesus comparece para levar o imperfeito à perfeição, curando o enfermo e completando a sua cota.

Mas não antes de acontecer o pungente diálogo entre o Rabi da Galileia e o homem abandonado a seu mal. Diante da pergunta de Jesus – “Queres ficar são?” -, o pobre responde com sua miséria: “Não tenho ninguém que me lance na piscina, quando a água se agitar; e enquanto vou, outro desce antes de mim.”

A frase desse homem cabe a milhões de habitantes de nosso planeta. Milhões aos quais é negada a oportunidade do primeiro lugar. Gente que se apresenta sempre que o banquete acabou. Nem as migalhas sobram para eles… Mas nem todos ficam sempre surdos a esse clamor!

Aqui e ali, inesperadamente, alguém ouve o mesmo grito – “Não tenho ninguém!” – e sente o coração rasgar-se, dispondo-se a amar aqueles que ninguém ama. E não falo apenas de Teresa de Calcutá entre mendigos, nem de Damião de Molokai entre leprosos. Não penso apenas em Dom Orione com seus moleques de rua, nem no Dr. Schweitzer com seus nativos congoleses.

Penso na multidão anônima de cristãos e não-cristãos que decidiram amorosamente orientar a sua vida para aquele que não tem ninguém. Jovens das comunidades novas a evangelizar os moradores de rua… Mocinhas de família rica que abrem mão de ter uma família própria para cuidar das crianças do orfanato… Leigos que invadem o inferno humano das penitenciárias para ali plantar uma sementinha do Evangelho… Os médicos que socorreram as vítimas do Ebola e… morreram com eles…

Nem todos são surdos. Nem todos são cegos. Nem todos são indiferentes. Ainda há gente que tem coração…
Orai sem cessar: “Eis-me aqui!” (Gn 22,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 4,43-54

Publicado em 12 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

12/03/2018 – Se não virdes milagres… (Jo 4,43-54)

Os Evangelhos sempre associam Jesus e os milagres. E como incomodam esses milagres! Os milagres de antigamente e os milagres de nossos dias. Pois corremos dois perigos em relação a eles…

O primeiro risco está em nos aproximarmos de Deus apenas na busca de milagres, o que faria de nós uma gente interesseira, disposta a “usar” a Deus em próprio benefício, sem nenhum compromisso com a verdadeira adoração e o serviço ao próximo. Uma religião feita apenas de novenas, promessas e romarias pode ser sintoma dessa “religião”. Afinal, quantos pediram e receberam a cura e… se afastaram de Deus e da Igreja, pois já tinham tudo o que desejavam! Neste caso, o Deus dos dons se torna uma espécie de banco de onde sacamos valores, ou um supermercado com mercadorias à nossa disposição, que visitamos em caso de extrema necessidade.

O segundo risco está na atitude racionalista que nega a Deus o divino direito de fazer milagres. Tendo o Criador estabelecido as leis físicas, químicas e biológicas do Cosmo, Ele mesmo acaba prisioneiro de suas leis e proibido de alterá-las quando lhe aprouver. Assim, qualquer manifestação do maravilhoso torna-se alvo das baterias antiaéreas dos homens da Enciclopédia.

Esses acadêmicos racionalistas realizam tremendo esforço para “explicar” os milagres da Bíblia conforme seus parâmetros intelectuais: o paralítico que andou era um doente psicossomático; o endemoninhado era um caso de epilepsia; Lázaro não estava morto, mas ficara em catalepsia; e Jesus não transformou água em vinho coisa nenhuma, pois foram os discípulos que levaram o vinho escondido. E esses escritores de ficção ainda se chamam de “doutores”!

Ora, nesta cena do Evangelho, quando um funcionário do rei pede pela cura de seu filho agonizante, a observação de Jesus se dirige àqueles que só se aproximam de Deus interessados em seus milagres. E se os milagres faltarem, a fé rola pela sarjeta. “Não vou rezar mais, pois Deus não me ouve!” “Já cansei de pedir, Deus está surdo!” Enquanto isso, Jesus, o Filho de Deus, abre mão de seus poderes, aceita a cruz e a morte, e ainda acha tempo de perdoar seus agressores. Isto é, coloca a sua missão e a obediência ao Pai acima de qualquer interesse pessoal. Sua “religião” se resume a fazer a vontade do Pai.

E nós? Qual é a essência de nossa religião? Queremos um Deus-na-coleira, pronto a atender aos nossos caprichos? Ou estamos dispostos a consagrar nossa vida ao serviço de Deus, para edificar o Reino e ajudar o próximo?
Orai sem cessar: “Senhor, és o Deus que fez o milagre!” (Sl 77,15)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 3,14-21

Publicado em 11 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

11/03/2018 – Deus amou o mundo… (Jo 3,14-21)

Muitas vezes a palavra “mundo” é empregada como uma realidade negativa. Fala-se de santos como pessoas que fugiram do “mundo”. E o povo simples murmura: “O mundo está perdido”. Todos estes ignoram o poder salvador gerado no Calvário e a força regeneradora do Sangue ali derramado…

Sim, Deus ama o mundo. E trata-se de um amor tão intenso, um amor infinito, diante do qual toda a força do mal se faz inócua, inerme, impotente. Afinal, trata-se da força do Amor. Superando as barreiras do tempo e do espaço, o divino Amor nos envolve para sempre.

Eis a reflexão de Lev Gillet, em seu livro “Amour sans limites”:

“Que significa ‘amar’, quando é Deus quem ama, Deus, o Amor essencial? Todo amor é movimento de um ser para outro ser, com o desejo de certa união. As orientações desse movimento, suas modalidades, suas variantes são inumeráveis. Elas vão do menos que humano ao mais que humano. Mas existe sempre a tendência para uma união, desejo de união, seja possessivo, seja sacrificial.

Meu Amor pelos homens [é Deus quem fala] é um movimento de mim mesmo em direção a eles, não simplesmente para ser conhecido por eles ou para ser, em certa medida, imitado por eles, mas para unir-me a eles, para doar-me a eles.

Meu Amor, o Amor em sua essência incorruptível, o Amor sem limites, jamais está inteiramente ausente. Deus jamais está ausente. Às vezes o Amor parece apenas existente, quase imperceptível, recoberto pelo ódio, por todo tipo de perversões, por uma camada de brutalidade instintiva. Mas eu trabalho através dele. O amor mais deformado, eu o torno capaz de elevar-se até o dom consciente e total. O Amor tem muitos aspectos. Mas só existe um único Amor.

Tu és amado. Existe lugar para uma ínfima pessoa na chama da Sarça Ardente? Uma alma, uma pessoa que eu amo jamais é ínfima. Tu és amado. És “tu” que és amado. Aprofunda o valor deste “tu”. Eu não enuncio aqui uma afirmação geral. Neste momento eu não falo de uma coletividade. Neste momento eu não digo ‘vós sois amados’.

Sim, eu te chamo por um nome secreto. Desde toda a eternidade, esse nome foi reservado para ti. É um nome diferente daquele pelo qual os homens te chamam. É o nome escrito em uma pedra branca e que ninguém conhece, exceto (se ele for atento ao dom) aquele que o recebe.

De que Amor tu és amado? Eu não te digo ‘tu foste amado’. Também não te digo ‘serás amado’. Não foi somente ontem ou anteontem que eu te amei. Não será apenas amanhã ou depois de amanhã que te amarei. É hoje, é neste minuto que tu és amado.”
Orai sem cessar: “Eu te amo com amor de eternidade!” (Jr 31,3)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 18,9-14

Publicado em 10 de março de 2018 \\ Evangelho do dia

10/03/2018 – Dois homens subiram ao Templo… (Lc 18,9-14)

O Templo de Jerusalém – o único lugar do planeta aonde os israelitas se dirigiam para adorar o Senhor – ficava no alto do Monte Sião, nas elevações da Judeia. Natural que o Altíssimo habitasse as montanhas. Para encontrá-lo, era preciso subir…

Pelo menos, era o que pensava um dos dois que entraram no templo, o fariseu. Membro do grupo dos perushim [os “separados”, que se apartaram da massa ignara para não se misturaram aos impuros!], estrito cumpridor das normas e preceitos do judaísmo, ele se sente realmente especial.

No espaço sagrado, ele sente necessidade de subir até Deus: em seu íntimo, eleva-se diante do Senhor, ergue os olhos, alça a voz e desfia uma lista de suas admiráveis qualidades, entre as quais a prática do jejum (duas vezes por semana!) e o dever do dízimo. Ainda teve tempo para confidenciar a Deus que não era “como os outros” – aos quais classifica como ladrões, desonestos e adúlteros. Como o publicano lá no fundo…

Lá no fundo, está claro. Lá em baixo. Ao nível do chão. Este publicano – um judeu que cobra impostos ao compatriota judeu e o repassa ao invasor romano! – sabe que está “lá em baixo”. Desprezado, malvisto, mal falado, um marginal no povo de Deus. Por tudo isso, não queria “aparecer”. Baixa a cabeça, baixa os olhos, colado ao piso do Templo. E assim se apresenta ao Senhor: “Sou pecador. Tem compaixão.”

Mendigo da misericórdia, recebe a esmola do perdão. Ao confessar sua injustiça, Deus o justifica. Aliás, não há outra forma de ser “justificado”.

E Deus, qual o seu papel nessa história? O beneditino François Trévedy no-lo revela: “Deus não diz nada. Para o fariseu, ele ri baixinho, com seu riso eterno. Para o publicano, ele sorri, e isto basta. E tu, que facilmente te consideras como cristão ‘engajado’, não desprezes aqueles que permanecem no fundo da igreja e vêm pegar, muito mais inquietos, muito mais sérios do que imaginas, um arzinho da missa. Conserva-te constantemente no lugar mais recuado de ti mesmo, no inferno de ti mesmo, e a ternura de Deus ali virá buscar-te para te dar a vida”.

Parece irônico, não? Temos insistido em subir às alturas de Deus, ignorando a mísera realidade de nosso húmus, quando ele próprio se despojou de toda humana grandeza, baixando para o rés de nosso chão e assumindo livremente a posição de um escravo (cf. Fl 2,7). Com a encarnação, o Altíssimo tornou inútil o nosso atletismo espiritual, pois a verdadeira religião tornou-se um caminho para baixo. Quem tentar a comunicação com Deus deverá abaixar-se também…
Orai sem cessar: “Tu não desprezas, ó Deus, um coração contrito e humilhado!” (Sl 51,19)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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