Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Evangelho do dia – Lc 18,1-8

Publicado em 18 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

18/11/2017 – Deus não fará justiça? (Lc 18,1-8)

Na retórica, as perguntas são utilizadas com diferentes intenções. Há perguntas motivadoras para o auditório. Há perguntas que servem de “escada” para o próprio orador. E há perguntas que dispensam resposta, pois elas são absurdas por natureza.

É o caso da pergunta acima: Deus, o Justo, deixaria de fazer justiça àqueles que clamam por ele dia e noite? Fica evidente que uma atitude de indiferença ou de neutralidade diante da injustiça atentaria contra a própria natureza divina. Como Deus é justo, acabará por intervir e fazer justiça.

Para acentuar esta verdade – que deveria ser óbvia – Jesus narra a curta parábola de um “juiz injusto”. Isto, por si só, já é um absurdo: o homem encarregado de fazer justiça é, por definição, um inimigo da própria justiça. E mais: o próprio magistrado tem consciência disso: “Não temo a Deus nem tenho respeito pelos homens!” (Lc 18,4) E assim caem por terra dois pilares da Justiça: a relação vertical com o Criador de todos os homens e a relação horizontal com nossos irmãos humanos.

Jesus faz entrar em cena a figura da viúva pobre que vai ao juiz injusto em busca de… justiça! Qual seria o teor da causa? Roubaram-lhe a cabra que lhe fornecia dois copos de leite por dia? O inquilino que alugara a casinha do finado marido se recusava a pagar o aluguel? Não vem ao caso, mas tenho convicção de que seria algo pequeno… tão pequeno quanto os pobres de Yahweh.

E Jesus narra – imagino que pausadamente, sem pressa, estendendo os detalhes, ao gosto dos orientais – as repetidas tentativas da viuvinha para obter um mandado judicial e recuperar seu prejuízo.

O clímax da narrativa é o momento em que o juiz injusto, sem nenhum amor pela justiça, fica chateado com a insistência da viúva e, mesmo, teme uma agressão física (no original grego, hypopiádze, “acertar meu olho”). Por isso, mesmo sem apreço pela justiça, acaba atendendo à querelante.

E Jesus conclui: se um magistrado corrompido acaba por atender à insistência de uma viúva, quanto mais o vosso Pai do céu, o Santo e Justo, atenderá a quem lhe pede com insistência!

Quando rezamos – e o contexto desta parábola é exatamente a oração – não nos dirigimos a um juiz, como esses que julgam processos empoeirados, mas a um Pai cheio de amor. Sendo Pai, atenderá a seus filhos. Ou não?

Orai sem cessar: “Os justos clamam e o Senhor os ouve!” (Sl 34,18)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 17,26-37

Publicado em 17 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

17/11/2017 – Como nos dias de Noé… (Lc 17,26-37)

Não é possível evitar o impacto do versículo 37: “Onde estiver o corpo, ali se juntarão os abutres.” Também os urubus do Brasil têm um “sexto sentido” que os orienta para a carniça, mesmo a grandes distâncias. A imagem é forte – até mesmo desagradável – mas chama nossa atenção para uma espécie de tropismo animal que orienta o predador para sua presa. Não deveria haver também em nós um tropismo para Deus? Uma atração para as coisas espirituais? Não deveríamos ser capazes de ler os “sinais dos tempos” e, a partir deles, achar o melhor caminho em nossa vida?

Nos dias de Noé, Deus alertou a humanidade a respeito do dilúvio. Não é difícil imaginar os contemporâneos de Noé a zombar de sua grande (b)arca, apontando para o céu sem nuvens e a distância do mar. Enquanto isso, casavam-se, comiam e bebiam. Pois veio a inundação e todos pereceram…

Nos dias de Lot, Deus voltou a alertar a humanidade. Devem ter rido de Lot e sua família quando estes fugiram no seu êxodo familiar. Enquanto isso, comiam, bebiam e casavam-se. Pois veio o fogo do céu e foram consumidos. Mais uma vez, os sinais dos tempos foram inúteis. E hoje? Temos sinais? Sinais da natureza como furacões e tsunamis, terremotos e graves alterações climáticas? Sinais da sociedade como guerras e revoluções, aborto legal e eutanásia, casamento homossexual e pedofilia na Internet? Sinais socioeconômicos como as legiões de sem-teto e sem-terra, milhões de refugiados e trabalhadores escravos? Sinais biológicos como pestes e epidemias? Sinais religiosos, como heresias, seitas e deserções?

Sim, há sinais para “nosso tempo”. Como placas de trânsito, deveriam orientar o rumo que imprimimos à nossa existência. Deveriam desviar-nos da ambição e da acumulação material, levando-nos à partilha dos bens e à solidariedade. Deveriam fazer de nós anunciadores do amor de Deus e da esperança de um mundo novo. Deveriam impedir que perdêssemos tempo em diversões estéreis, joguinhos eletrônicos e fins de semana marcados pela futilidade e pelo devaneio. Deveriam despertar nossas mentes para o essencial. Aumentar nossa capacidade de amar…

Os fariseus de hoje repetem a mesma pergunta do tempo de Cristo: onde será? Quando será? Mas seus corações continuam afastados do Senhor.

E o nosso coração?

Orai sem cessar: “Venha a nós o vosso Reino!” (Mt 6,10)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 17,20-25

Publicado em 16 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

16/11/2017 – O Reino está dentro de vós… (Lc 17,20-25)

No mundo capitalista, a ação humana tem sido superestimada. As pessoas são valorizadas por aquilo que fazem. Mesmo a missão pastoral da Igreja, cujo fim último devia ser encaminhar os homens para Deus, tem sido confundido com “atividades”. Nesta linha de pensamento, oração e contemplação, meditação e escuta de Deus seriam sintomas de “intimismo”, ou seja, uma forma de “perder tempo”, quando há tanta coisa a fazer lá fora…

Ora, a história recente mostra que a simples ação humana, sem o sopro interior do Espírito, não só é incapaz de aperfeiçoar a sociedade, mas acaba por levar os agentes de pastoral ao stress, ao desânimo e à busca de compensações nada evangélicas… Transpiração sem inspiração, isto sim, é perda de tempo!

Ao afirmar aos fariseus que o Reino de Deus está dentro da pessoa humana, Jesus ensina que uma voz interior está sempre a dialogar conosco. Há uma “presença” divina no coração humano. A voz da consciência alerta para a responsabilidade moral, as inspirações apontam o caminho, aquela fonte silenciosa brota em momentos especiais: eis alguns sinais dessa presença.

Lendo a vida dos santos, nós os vemos sintonizados na emissora do Espírito Santo. Uma sintonia fina lhes permitia perceber sua vocação e missão, fortalecendo-os diante dos obstáculos que o maligno ergue contra a obra de Deus. Uma sintonia obtida exatamente por meio daqueles procedimentos que a crítica moderninha chama de perda de tempo: escuta e oração, meditação da Palavra de Deus, intimidade com Jesus nos sacramentos.

Depois disto, alimentados e iluminados, aí, sim, saíam na direção do pobre e do descrente, do faminto e do desesperado, levando o amor que haviam haurido no deserto com Deus. Apesar de suas fragilidades humanas, temores e inseguranças, limitações intelectuais e psíquicas, esses homens e mulheres eram “portadores de Deus”: levavam o Reino em seu interior. E era essa a mensagem que transformava a vida das pessoas que atravessavam o seu caminho.

Ler os corações (como Pe. Pio), curar os doentes (como Pe. Emiliano Tardiff), atrair os jovens (como Pe. Jonas Abib), encontrar Jesus nos mendigos (como Madre Teresa) – nada disto se consegue sem a vida interior, alimentada de silêncio e oração.

Estou atento a Deus que fala em meu interior?
Orai sem cessar: “Que o Pai abra o vosso coração à sua luz!” (Ef 1,18)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 17,11-19

Publicado em 15 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

15/11/2017 – Onde estão os nove? (Lc 17,11-19)

Em apenas nove versículos, um amplo panorama sobre a realidade humana! Na porta da aldeia de fronteira, dez leprosos marginalizados, definitivamente impedidos de participar da vida social. Como tantos marginais de nosso tempo…

Vendo a passagem de Jesus, cuja fama de terapeuta há havia chegado até eles, clamam de longe, mas não ousam se aproximar. Como tantos infelizes de nosso século…

Tomados de doença incurável naquela época, os dez leprosos não têm a quem recorrer. Como tantos enfermos do Brasil, aos quais os serviços de saúde se declaram sem condições de ajudar…

Necessidade e indiferença… Doença e marginalização… A quem recorrerá o pobre? Neste Evangelho, os pobres leprosos recorrem a Jesus, à espera da esmola da saúde. O verbo que eles utilizam [eleéson] é da mesma família que a palavra “esmola” [eleemosýne], associada ao termo “misericórdia”, inseparável, em grego, do substantivo eláion, o azeite – exatamente o óleo de oliva utilizado para amenizar as feridas da carne humana.

Não pedem justiça. Não pedem um acerto de contas. Não alegam nenhum mérito pessoal. Apenas clamam por compaixão. Esta é a condição da realidade humana: a miséria. Aquela miséria que faz cócegas na misericórdia e puxa o gatilho do dom…

A reação de Jesus não parece muito emocionada. Antes, alguém diria que foi algo burocrática, pois apenas os enviou aos sacerdotes do Tempo, legalmente encarregados de examinar uma pessoa e declarar sua pureza ritual (no caso de um leproso, um atestado de saúde).

Eles obedecem. E nós, modernos, já nos espantamos com sua prontidão. O que os move? Fé? Esperança? Apostam na última tábua de salvação? Não importa. Eles se põem a caminho e logo se percebem curados, sem as marcas de seu mal. Que fazer agora? Ora, curado, vou cuidar da vida. Há trabalhos a fazer. Uma família a recuperar. Novas expectativas. Assim fazem os nove judeus.

Um deles, o único samaritano, faz diferente. Refaz o caminho e volta a Jesus, prostrando-se a seus pés, neste gesto que só se realiza diante de Deus.

E Jesus a perguntar: “Onde estão os outros nove?” Pois além da fé e da esperança, quanto bem nos faria a gratidão!…

Orai sem cessar: “Cantai ao Senhor um cântico de gratidão!” (Sl 147,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 17,7-10

Publicado em 14 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

14/11/2017 – Somos servos inúteis… (Lc 17,7-10)

Em nossa vida, tudo é graça. Tudo é dom. Mesmo o bem que fazemos, só o fazemos porque o amor de Deus agiu em nós. Um santo dizia: “Se eu pequei, Deus me perdoou; se eu não pequei, Deus me sustentou.” De fato, se o Senhor nos entregar a nós mesmos, a nossas más inclinações, boa coisa não sairá…

Hoje, mesmo na Igreja, cresce outra vez a heresia pelagiana. Segundo esta concepção do homem, nós seríamos capazes de fazer o bem e chegar à salvação apenas contando com nosso esforço e boa vontade. Leia-se: sem a graça de Deus. Tal mistura de voluntarismo e esforço heroico (derivada de uma ilusão otimista acerca de nossa natureza!) acaba por dispensar Deus e colocar-nos em seu pedestal.

Ora. Este acesso de loucura existencial é diretamente contradito pelo ensinamento de Jesus: “Sem mim, nada podeis fazer.” (Jo 15,5.) Em tudo, dependemos do Senhor. Sem o Espírito Santo, nos desviamos da verdade. Contando apenas conosco, decaímos em terríveis degradações morais.

Ora, no Evangelho de hoje, somos interpelados por esta frase dura de engolir: “Somos servos inúteis…” Alguns pretendem atenuar a tradução: “Somos uns servos quaisquer… Somos uns pobres servidores…” Mas é bater de frente contra a tradução direta (e literal) da expressão original de São Lucas!

Creio que Jesus sabia o que dizia aos nos qualificar assim. Por um lado, ao chamar apóstolos e discípulos, é claro que Jesus contava com nossa cooperação na construção do Reino. Quis precisar de nossa… inutilidade. Por outro lado, o Mestre devia saber do risco que corremos quando cumprimos nossa obrigação e nos julgamos credores de Deus, com direito a regalias e retribuições especiais. Ele sabe como a vaidade modula nossa voz e orienta nossos gestos. Assim, dá-nos o rótulo de “inúteis” como antídoto contra a soberba. Que bom!

Após uma de minhas primeiras pregações, fui cumprimentado por uma freira bem velhinha (já em fase terminal, devido a um câncer, sem que eu o soubesse). Minha resposta foi pedir-lhe que rezasse por mim, para que eu não ficasse vaidoso. A baixinha cresceu à minha frente, cheia de santa fúria, e botou o indicador em meu nariz: “Vaidoso?! Deus sabe que você, sozinho, não vale nada!”

Deus lhe pague, Irmã Margarida!

Orai sem cessar: “Ó Deus, conheces a minha tolice!” (Sl 69,6)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 17,1-6

Publicado em 13 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

13/11/2017 – Sete vezes… (Lc 17,1-6)

Não. Não se trata de neutralidade diante do mal. Quem erra precisa de correção. A impunidade reforça o erro. Mas os arrependidos merecem perdão. Uns mais, outros menos, todos nós erramos um dia e precisaremos do perdão.

Não fosse tão imperiosa a necessidade de ser perdoado, o Senhor não nos teria ensinado a rezar: “Perdoai as nossas dívidas” ou, segundo a nova tradução, “perdoai as nossas ofensas”. Se o perdão nos é negado, cresce em nós o remorso, o sentimento de culpa ou o desespero. Foi um perdão excessivamente adiado que fez de Absalão o inimigo nº 1 de seu pai, Davi. (Cf. 2Sm 14,24.)

Ao contrário, quando lemos no Evangelho que o Paraíso foi reinaugurado com a entrada inesperada de um criminoso arrependido – a quem, eufemisticamente, chamamos de “bom ladrão” (cf. Lc 23,43) – tomamos consciência de que também nós podemos ter acesso ao perdão divino.

Sim, dois mil anos depois de Cristo, ainda temos dificuldades em relação ao perdão. Primeiro, a dificuldade em pedir perdão. Oscilamos entre o desespero (modalidade de orgulho que nos leva a pensar que nosso pecado foi maior que a misericórdia divina) e a arrogância (eu sou assim; quem quiser, que me engula do jeito que eu sou)… A seguir, a dificuldade de dar perdão. Arrazoamos: “Se perdoo já, mostro fraqueza… Vão abusar e recair no erro… É melhor um tempo de silêncio, um “gelo”, com relações cortadas… Vou adiar, dar uma de ‘durão’, dificultar as coisas…”

E não percebemos o essencial: quando alguém é perdoado, especialmente em matéria grave, tem a oportunidade de experimentar o amor que ainda desconhece. Assim o cônjuge que trai, se arrepende e pede perdão, ao recebê-lo, é levado a meditar: “Puxa! A que ponto ele (ela) me ama! A ponto de me perdoar!” E, assim, vê-se impelido a pagar amor com amor…

Sete vezes! Na mentalidade semítica, o número “7” é a cota da plenitude. Logo, perdoar “sete vezes” significa perdoar sempre. Seria estranha ao Evangelho de Jesus a atitude de quem diz: “Vou perdoar… mas não me caia noutra! É a última vez!”

A cada vez que nos confessamos – mesmo repetindo pecados habituais -, Deus nos perdoa como se fosse da primeira vez. É preciso reconhecer: parece que Ele não tem boa memória para nossos crimes. Perdoa e esquece.

Tentaríamos imitá-lo?

Orai sem cessar: “Amai vossos inimigos!” (Mt 5,44)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mt 25,1-13

Publicado em 12 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

12/11/2017 – O noivo está chegando! (Mt 25,1-13)

Exclusiva do Evangelho de Mateus, esta parábola – diz Hébert Roux – pode ser lida como uma alegoria sobre o arrebatamento da Igreja ou, ainda, a vinda da Nova Jerusalém. É que certos manuscritos, no vers. 1, fazem menção da “esposa” ao lado do esposo, o que justificaria esta interpretação.

No Novo Testamento, várias vezes Cristo é apresentado como o “esposo” que se prepara para as núpcias, e a imagem de um “casamento” ou Aliança entre Deus e seu povo atravessa toda a Escritura.

Mas o interesse central desta parábola – comenta H. Roux – está na importância dada ao momento crucial da chegada do esposo que se faz esperar no meio da noite.

O momento da vinda do Filho do homem é e permanece secreto: é conhecido apenas de Deus e só depende de sua vontade. Pode estar perto ou longe, pode ser precipitado ou retardado. Na realidade, ele é ao mesmo tempo próximo e remoto. Quando, depois de ter demorado, enfim chega o esposo ‘no meio da noite’, sua vinda ainda permanece súbita e surpreendente, como se chegasse mais cedo que o esperado.”

A Escritura Sagrada está repleta de perguntas semelhantes: “Quando será? Até quando devemos esperar?” E o próprio Jesus a responder-nos: “Não cabe a vós saber dos tempos e momentos…” (Cf. At 1,7) Trata-se de uma decisão soberana de Deus, em sua infinita liberdade – certamente orientada pela misericórdia…

Como pano de fundo, o TEMPO. A história dos homens, sim, mas acima de tudo a história de cada um de nós. A entrada no Reino ou a exclusão dele dependem da maneira como usamos nosso tempo (feito de horas, dias e anos) vivido na expectativa de sua Vinda.

As dez virgens – cinco sábias, cinco loucas – são a imagem da escolha que fazemos “enquanto temos tempo”, pois este tempo tem um limite, que não será estendido. A “sabedoria” está em manter acesa a lâmpada da fé, cujo combustível é o azeite do Espírito Santo. A “loucura” consiste em abrir mão da vigilância, deixando que se apague a nossa pobre lamparina, quando a imprevidência ignora os dons do Espírito e passa a viver de seus próprios recursos, mergulhada no torpor e na sonolência de uma vida estéril.

Para quem manteve a lâmpada acesa, a morte é uma noite iluminada…

Orai sem cessar: “O Senhor é minha luz e minha salvação!” (Sl 27,1)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 16,9-15

Publicado em 11 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

11/11/2017 – A fim de fazer amigos… (Lc 16,9-15)

Jesus acaba de narrar a parábola do “gerente esbanjador” que, com grande astúcia, dá uns “golpes” com os bens do patrão para fazer amigos que o acolham após sua demissão. Para nós, ocidentais, a primeira reação é de espanto (ou de escândalo!) quando Jesus elogia a “sabedoria” do espertalhão para garantir seu futuro. Ele fala em “fazer amigos com o Mammon (o dinheiro) da injustiça.

É óbvio que Jesus, um oriental, não pretende estimular esse universo sórdido de barganhas e propinas – tão em moda em nosso século -, mas se vale do exemplo para, em forma de contraste, lembrar que as coisas iriam bem melhor se os filhos da luz – aqueles que frequentam igrejas, fazem novenas e promessas etc. – fossem igualmente radicais em sua dedicação às coisas do Reino.

De qualquer modo, ele usou uma expressão muito simpática: “fazer amigos”. Com exceção dos misantropos emburrados, aqueles que costumam ter “cara de poucos amigos”, a maioria das pessoas se esforça por fazer amigos. Este processo de empatia inclui sorrisos e abraços, elogios e mensagens, festas partilhadas, convites e presentes. Mas não é disso que Jesus devia estar falando…

Em outro Evangelho (Mt 25,31ss), o Mestre fala de outros “amigos” com os quais, na verdade, Ele mesmo se identifica por completo. São os que têm fome e sede, os enfermos e os presidiários, os migrantes e os sem-camisa. A amizade dessa gente – tão numerosa no planeta, tão acessível a todos nós – foi procurada por certas pessoas que chegaram ao ponto de lhes dedicar a própria vida.

Penso em São Vicente de Paulo, amigo dos condenados às galeras. Penso em Madre Teresa de Calcutá, amiga dos aidéticos. Penso, ainda, em Damião de Veuster, amigo dos leprosos. Penso no Pe. Pierre, amigo dos catadores de lixo. Penso em Dom Bosco e José de Calasanz, amigo das crianças pobres. Penso, enfim, em João de Deus e Camilo de Lélis, amigos dos doentes.

Nós poderíamos estender esta lista muito além deste espaço, pois o Espírito de Amor, ao longo dos séculos, despertou em muitos corações esse impulso amistoso de fazer da própria vida um dom para aqueles que, em geral, nada poderiam dar em troca. Deve ser por isso que, hoje, nós os chamamos de… santos…

Não é estranho como o Evangelho é simples? Não precisamos acessar nenhum mistério, não temos necessidade de nos aprofundar em qualquer gnose esotérica. Basta amar. Basta dar a vida pelo outro. Afinal, como disse o mesmo Jesus, “ninguém tem amizade maior do que aquele que dá a vida por seus amigos”. (Jo 15,13)

Orai sem cessar: “Por amor de meus amigos, pedirei a paz para ti…” (Sl 122,8)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 16,1-8

Publicado em 10 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

10/11/2017 – Esbanjar os bens… (Lc 16,1-8)

Foi esta a acusação que levou o gerente a ser demitido pelo Proprietário das terras: esbanjar os bens. Realmente, isto não se faz!

Quando o Dono das terras admite um gerente, inicia uma relação de mútua confiança. Por um lado, o Senhor das propriedades espera por algum retorno e confia que a atuação do gerente levará a terra a produzir o ouro do trigo e o sangue vivo das videiras. Por outra parte, o gerente merece o salário combinado e, possivelmente, uma participação nos lucros de seu Patrão.

Sei que não estou no foco da parábola contada por Jesus e registrada por São Lucas, que era bem outro: para tomar posse das coisas de Deus, os filhos da luz deveriam dedicar a mesma astúcia e o mesmo empenho que os filhos do mundo dedicam às posses materiais. Esta era a lição central que o Mestre nos passava.

Mas vou prosseguir no rumo inicial: não se pode impunemente esbanjar os bens que nos foram confiados. E isto inclui, por certo, os dons da Criação. Em sua recente Encíclica sobre as questões ambientais, que tem como título as palavras de um poema de Francisco de Assis – Laudato Si’ -, o Papa do mesmo nome escreve:

“Esta irmã [nossa casa comum, o planeta Terra] clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada, que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8,22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.” (Laudato Si’, 2)

Estas palavras do Papa nos ajudam a tomar consciência de que estamos imersos em um processo iniciado já na Idade Média, e que podemos chamar de expansão capitalista. Movidos pelo lucro, os homens consideraram os dons do Criador – o Proprietário / Dono / Patrão – como reles matéria-prima logo transformada em mercadoria. Uma sociedade mercantil tende a cometer esta degradação dos dons divinos: nada mais que matérias, substâncias e objetos para comprar, vender e acumular.

Na prática, esta realidade faz de nós sérios devedores. Estamos sujeitos a uma grave cobrança: “Presta contas de tua administração!” (Lc 16,2) Não seria a hora de convocar os outros devedores e realizar uma boa partilha de tudo o que acumulamos indevidamente?

Orai sem cessar: “Abres a mão, Senhor, e todos se saciam de bens!” (Sl 104,28)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 2,13-22

Publicado em 9 de novembro de 2017 \\ Evangelho do dia

9/11/2017 – A casa de meu Pai… (Jo 2,13-22)

A palavra “casa” é uma nota musical rica de harmônicos. Lembra o lar paterno, alude à Terra Prometida, recorda o Paraíso Perdido, o próprio Planeta que nos foi dado como ninho. No caso de Jesus, as ressonâncias são ainda mais fortes. Afinal, ao se encarnar, ele “saíra da Casa do Pai”, vindo estender sua tenda entre os homens…

Um dia, reencontrado após três dias de procura, o jovem Jesus interpela Maria e José: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar na Casa de meu Pai?” (Lc 2,49.) Ele se referia ao Templo de Jerusalém, o único lugar da Terra onde Yahweh habitava, segundo a mentalidade dos judeus. Por isso mesmo, todos os anos, atravessavam mares e desertos para ali adorar o Senhor.

No Evangelho, Jesus chega ao Templo e vê com desgosto que o pátio fora transformado em feira, onde vendiam os animais a serem sacrificados como vítimas cultuais. O mesmo comércio aglomerava os cambistas, que trocavam moedas para os fiéis provenientes do estrangeiro. Um ambiente de ruídos, mau cheiro, cacofonia, movido por lucro e cobiça. Nada que dirigisse os corações para o Pai celeste.

É quando se manifesta em Jesus o “zelo pela Tua casa”. Com um chicote improvisado de cordas, enxota os animais e derruba as bancadas dos cambistas, provocando revolta e contestações. Como sinal de sua autoridade, Jesus fala de um “templo” (o seu próprio corpo), a ser reconstruído (pela ressurreição) três dias após sua destruição (pela morte). Sim, muito mais que no edifício do Templo, Deus habitava em Jesus Cristo. Hoje, muito mais que em nossas igrejas, Deus habita no coração dos homens, na menininha deficiente, no embrião que pretendem transformar em matéria-prima de pesquisa genética.

A Igreja sabe disso. Daí sua firme posição em defesa da vida. Pois de nada nos adianta adorar a Deus nos templos de pedra, se não somos capazes de reconhecer sua presença em templos humanos… Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano não pode ser objeto de lucro e de comércio. Seu coração é o verdadeiro templo onde Deus quer habitar. Já no mundo neopagão, os homens são pesados e medidos. As mulheres têm um preço. Órgãos para transplante são objeto de contrabando. Nada é sagrado.

E nós? Ainda somos sagrados para Deus?

Orai sem cessar: “Antes de modelar-te no seio de tua mãe, eu te consagrei…” (Jr 1, 5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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