Santuário Nossa Senhora da Agonia
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Evangelho do dia – Jo 6,22-29

Publicado em 16 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

16/04/2018 – A obra de Deus… (Jo 6,22-29)

Após a multiplicação dos pães, sinal antecipado da futura Eucaristia, foi vã a tentativa de Jesus ao se isolar, pretendendo um pouco de sossego com seus discípulos. A multidão logo achou uma forma de encontrá-lo. Mas Jesus sabe de seu verdadeiro interesse: eles julgavam ter à sua disposição um padeiro que fazia mágicas. Nada mais cômodo! É outro, porém, o objetivo do Mestre.

Para Dom Claude Rault, Bispo do Saara, o que importa para Jesus “não é mais distribuir o pão, mas pôr aquela multidão a trabalhar, comprometida com um trabalho que dá o verdadeiro alimento: o trabalho da Fé. De fato, o próprio Deus permanece em operação no mundo. Deus trabalha. Ele está incessantemente em obras. “Meu Pai trabalha sempre, e eu também trabalho” (Jo 5,17) – afirmou Jesus, quando o acusaram de ter curado em um dia de sábado”.

“Nós precisamos reconhecer – prossegue Dom Rault – que Deus está operando na sua Criação, no coração dos homens, e que Ele tem necessidade de nós! Ele é o artesão do universo e de nossas existências humanas. E seu trabalho é um trabalho que dura a vida inteira, ele não cessa de nos gerar para a vida. Deus quer que o homem viva. Ele quer que eu viva. E a primeira forma de eu me associar a esta obra de Deus é crer na vida e me comprometer no terreno da vida. Trabalhar nas obras de Deus é crer na vida e, ao mesmo tempo, engajar-me para salvaguardar esta vida.”

De fato, Deus poderia fazer tudo sozinho. Especialmente naquilo que é exterior ao homem. Depois, porém, de nos criar livres à sua imagem e semelhança, Ele passa a contratar operários como colaboradores para sua Criação. E Ele começa por aquilo que é mais precioso na natureza, diz Dom Claude Rault: a pessoa humana.

“O discípulo de Jesus é um parceiro de Deus em sua obra de Criação e de renovação da pessoa em Jesus Cristo. Desde então, crer não é mais uma adesão puramente intelectual e vaporosa, piedosamente recitada em nosso Credo dominical. É um engajamento de todo o ser, de todo o meu ser para trabalhar com Deus para que nossa Terra viva! Aí está o que é primariamente um “ser eucarístico”: uma pessoa habitada pela vida. Celebrar a Eucaristia é celebrar o Deus do universo, o Deus da humanidade, e nós nos tornarmos os seus parceiros.”

Na Eucaristia, recebemos o Pão de vida. É hora de nos questionarmos a respeito da vida que ali recebemos e que devia ser transmitida para o mundo. Se não fazemos este trabalho, estamos recusando a obra de Deus…

Orai sem cessar: “O pão que eu darei é minha carne, pela vida do mundo…” (Jo 6,51b)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 24,35-48

Publicado em 15 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

15/04/2018 – A Paz esteja convosco! (Lc 24,35-48)

Jesus venceu a morte e ressuscitou. A inesperada notícia já correu entre os discípulos. Mas ainda estão dominados pelo medo, trancados no Cenáculo. Eles ainda não têm a Paz. Por isso mesmo, quando Jesus passa pelas portas fechadas (Jo 20,19) e se manifesta entre os discípulos, pensam estar diante de um fantasma.

Entrando no salão trancado, Jesus lê seus corações sofridos, onde pulsam objeções e perturbação. Sabe que precisa apaziguá-los. E lhes diz: “A paz esteja convosco!” Os discípulos aprendem que a Paz não pode ser fabricada, não resulta de esforço humano puro e simples, acordos internacionais, campanhas de desarmamento. A Paz é dom de Deus. E em cada missa pedimos que o Cordeiro (a vítima) de Deus nos dê a paz…

Jesus mostra as marcas da Paixão: sua carne perfurada nas mãos e nos pés. “Sou eu mesmo! Tocai-me!” É uma Pessoa real, que fala nossa língua, sente nossas angústias e – de modo que nossa razão não pode entender – chega a comer um pedaço de peixe grelhado (v. 42) bem diante de seus olhos!

Foi com espanto que ouviram Jesus repassar as etapas de sua missão pessoal: sofrer a morte, ressuscitar e dar seu Nome para pregação da Igreja, que convida à conversão e à experiência do perdão dos pecados. Os discípulos cumprem aqui um papel intransferível: eles são as testemunhas de tudo isso!

Assim, o apóstolo João pode afirmar de Jesus Cristo: “Este que ouvimos, que vimos com os nossos olhos e nossas mãos apalparam”. (1Jo 1,1) E Pedro confirmará em praça pública: “Somos testemunhas de tudo isso!” (At 2,32)

Uma última advertência: a missão da Igreja não se realiza apenas com recursos humanos. É por isso que Jesus renova a promessa: “Eu vou enviar-vos o Prometido de meu Pai. Permanecei na cidade até que sejais revestidos com o poder do Alto”. Jesus fala do Espírito Santo, a alma da Igreja, que anima e impele toda a evangelização.

O Papa João Paulo II escreve: “O Espírito Santo é o protagonista de toda a missão eclesial: a Sua obra brilha esplendorosamente na missão ad gentes, como se vê na Igreja primitiva pela conversão de Cornélio (At 10), pelas decisões acerca dos problemas surgidos (At 15), e pela escolha dos territórios e povos (At 16,6ss)”. (Redemptoris Missio, 21.)

Minha vida está em paz? Conto com o Espírito Santo, invocando-o em minhas decisões? Deixo-me guiar por ele em minha missão cristã?
Orai sem cessar: “Jesus Cristo, Cordeiro de Deus, dai-nos a paz!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 6,16-21

Publicado em 14 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

14/04/2018 – Ao anoitecer… (Jo 6,16-21)

Enquanto Jesus está em oração sobre a montanha, a noite cai e o mar se agita. Na barca, os discípulos lutam contra os elementos. É quando Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas encapeladas. O medo toma conta de todos eles.

Não é novidade o medo de Deus. Aliás, os antropólogos costumam identificar o medo como raiz das religiões primitivas, medo que deu origem a rituais, exorcismos e sacrifícios cruentos. Mesmo no Antigo Testamento, manifesta-se este “terror” que vai além do sadio “temor”. Moisés o testemunha: “O Senhor vos falou face a face na montanha, no meio do fogo. Eu estava, então, de pé entre o Senhor e vós, para vos transmitir suas palavras, pois tínheis medo do fogo e não subistes a montanha”. (Dt 5,4-5)

O verdadeiro conhecimento de Deus induz a uma relação de amizade, de filiação, de confiança. O conhecimento imperfeito desvia-se em superstição ou em racionalismos. Neste Evangelho, os discípulos se apavoram ao ver Jesus sobre as águas. O texto paralelo (Mt 14,26) chegar a dizer que eles pensavam ver um fantasma.

Para Jean Valette, “existe, seguramente, um elemento de ignorância e de superstição neste medo que nos faz confundir Deus com o indeterminado, o fantasmagórico e todas as possibilidades ameaçadoras e imprevisíveis que nos parecem agitar-se nos espaços do desconhecido e do futuro. Sem dúvida, porém, é preciso ver mais fundo. Este temor é também a justa apreciação do mistério e da santidade de Deus. O temor que nos advém da ação divina é aquele dos caminhos abertos para uma liberdade que desperta em nós a vertigem da diversidade dos possíveis e a necessidade de assumir o risco da obediência e das escolhas ligadas à fé”.

Nada mais verdadeiro! Muita gente tem medo de Deus por antever um chamado, uma missão que iria abalar seu comodismo, sua “situação”, impelindo-os a um voo tão alto, a um mergulho tão profundo, capaz de causar essa vertigem que os santos experimentaram em sua existência.

Jean Valette ainda chama a atenção para um detalhe desta cena: era de noite… “Esta é uma cena noturna. É de noite que os pastores ficam sabendo que lhes nasceu um Salvador. É de noite que a semente germina e cresce. É de noite que o Senhor reza e vêm ao homem as revelações divinas. Enfim, é de noite que o Senhor dá a Ceia e o esposo vem. Ela é o sinal do mistério. A noite também é filha de Deus.”

 

Orai sem cessar: “No amor não há medo.” (1Jo 4,18)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 6,1-15

Publicado em 13 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

13/04/2018 – Onde compraremos pães para que eles comam? (Jo 6,1-15)

Ora, estamos em pleno deserto. A multidão presente é enorme. Os “recursos humanos” são escassos: cinco pães de cevada e dois peixes. Mesmo despojando o menino (cf. v. 9) de sua matula, a multidão passará fome. Claro, a pergunta de Jesus é mera provocação. Um dos economistas do grupo, Filipe, rapidamente calcula: “Nem duzentos denários de pão bastariam…”

O povo que cerca Jesus tem uma história. Seus antepassados já haviam cruzado o deserto por 40 anos (cf. Êxodo). Ali mesmo, passaram fome e foram saciados com um “pão” que eles não haviam plantado e colhido: o maná, o “pão do céu” que Deus forneceu (cf. Ex 16) até que chegassem à Terra Prometida e tivessem a primeira colheita (cf. Js 5,12).

É chegado o momento de receber um novo dom. O pão multiplicado por Jesus apenas aponta para esse dom inesperado, que o povo da Nova Aliança irá receber e partilhar em cada Eucaristia.

Por enquanto, porém, é preciso reconhecer a própria insuficiência, a própria incapacidade de sobreviver às custas de nossos próprios recursos, das técnicas desenvolvidas e mesmo do potencial da natureza criada. Enfim, nós somos dependentes. Esta consciência nos abre para os dons “do alto”.

Eis a reflexão de Christian Chessel, um dos quatro Padres Brancos de Tisi Ouzou, Argélia, assassinados por terroristas islâmicos em 1994: “Aceitar nossa impotência e nossa pobreza radical é um convite, um chamado premente a criar com os outros relações de não-poder. Ao reconhecer minha fraqueza, eu posso aceitar a dos outros e ver nisso um apelo a sustentá-la, a fazê-la minha, à imitação de Cristo. A fraqueza do apóstolo é como a de Cristo, enraizado na força da Páscoa e na força do Espírito. Ela não é passividade nem resignação, ela supõe muita coragem e impele a comprometer-se pela justiça e pela verdade, denunciando a ilusória sedução da força e do poder”.

Aí está: somos fracos e limitados. A multidão tem fome. Não temos pão. Sem uma abertura para o alto, isto é, sem contar com a intervenção de Deus, nosso Pai, jamais mataremos a fome de nossos irmãos. Jamais teremos a coragem de nos arriscar por eles, mas ficaremos paralisados na contemplação da miséria humana.

Jesus tomou o pão em suas mãos, “deu graças” e distribuiu à multidão, que comeu, ficou saciada e deixou sobras. Dar graças significa reconhecer que podemos ter pão do céu. Mas sempre será um risco comer o pão dos irmãos e deixar que passem fome…

Orai sem cessar: “Senhor, dá-nos sempre deste pão!” (Jo 6,34)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 3,31-36

Publicado em 12 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

12/04/2018 – O Pai ama o Filho… (Jo 3,31-36)

Deus é amor, define São João. Este amor é um amor eterno, vivido no seio da Trindade antes que nada existisse. No Deus uno e trino, realiza-se a comunhão amorosa de três Pessoas: o Pai amante, o Filho amado e o Espírito que é amor partilhado e comunicado entre o Pai e o Filho.

Em momentos especiais dos Evangelhos, como as teofanias do Batismo e da Transfiguração, a voz do Pai declara o seu amor: “Tu és o meu Filho muito amado; ponho em ti minha afeição”. (Lc 3,22.) Gerado eternamente pelo Pai (genitum, non factum, isto é, “gerado, mas não criado”, afirma o Credo de Niceia e Constantinopla), o Filho é o modelo de acolhida do divino Amor.

Há certos mistérios que nossa limitada razão humana não consegue atingir: como é que um Pai amoroso permite – e chega mesmo a propor! – que seu Filho se encarne e dê a vida por nossa salvação? Em nossa mentalidade humana, amar alguém inclui a atitude de envolvê-lo em uma redoma que o vacine contra todo sofrimento. Nós mesmos, em nossa vida pessoal e familiar, muitas vezes falhamos em nossa missão pela recusa dos sofrimentos inerentes a ela.

Talvez a resposta a esse mistério esteja exatamente no amor. O Pai tem outros filhos. Eles estão afastados, rompido que foi o canal da comunicação amorosa entre coração e coração. A Paixão e Morte do Verbo encarnado, isto é, do Filho, condição por ele assumida em plena liberdade, participando do mesmo amor do Pai, viria reatar a amizade rompida entre o Pai Criador e todos os filhos dispersos. Impelido pelo Espírito, o Filho abraça o desígnio do Pai e nos resgata da morte do pecado, ao preço de seu sangue.

Também não estamos aptos a compreender como se sentia Jesus, Deus e homem verdadeiro, em sua experiência terrena. Mas podemos levantar ao menos uma ponta do véu e imaginar que ele se sentia de tal modo amado pelo Pai, que os extremos sofrimentos da carne eram acima de tudo uma resposta de amor. Padecimentos físicos, dores morais, sofrimentos do espírito, tudo adquire nova dimensão sob o signo do amor, tal como as dores do parto são compensadas pela alegria do filho que nasceu como novo atrativo para o amor materno.

Você se sente amado pelo Pai? Esta experiência amorosa o conforta nas horas difíceis? Não seria o caso de pedir a Jesus a graça de partilhar do seu sentimento de ser amado como filho?
Orai sem cessar: “Pai de amor, eu quero ser teu filho amado!”

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 3,16-21

Publicado em 11 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

11/04/2018 – Tanto amou o mundo… (Jo 3,16-21)

Muitos comentaristas do Novo Testamento entendem que Jo 3,16 pode ser tomado como a síntese de toda a Boa Nova: Deus ama o mundo; e o ama ao extremo, o que inclui a “doação” de seu Filho único para que o mundo seja salvo. O Deus da Vida, Criador universal, só pode querer a salvação de todos.

Louis Bouyer é um desses comentaristas: “Esta frase resume mais particularmente o ensinamento sobre a Vida que é dado nesta parte do Evangelho. Deus, segundo o constante ponto de vista de São João, tem como caráter essencial um amor sem medida por sua criatura, amor cuja força incomparável e cuja soberana liberdade se unem em um dom tão gratuito quando total: o dom do Filho único. O objetivo deste dom é que os homens tenham ‘a Vida’”.

Mas não se pode descuidar a atenção para uma cláusula do mesmo versículo: “para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. CRER. Sem o ato de fé, fica em suspenso o dom oferecido. A falta de fé torna inoperante a Vida oferecida…

“Até aqui – comenta Bouyer – nós vimos a Vida tornada acessível à humanidade pela morte e glorificação de Cristo, em seguida comunicada a cada homem pelo batismo; agora, aprendemos como o homem pode gozar efetivamente deste dom do Filho: é pela fé… ‘a fim de que todo aquele que nele crê não pereça’. Esta menção da fé introduz um breve desenvolvimento que nos deve fazer considerar segundo uma perspectiva nova a relação entre a Vida e a Luz. O prólogo [do Evangelho de João] nos tinha ensinado como, no Verbo, a Luz procede da Vida; aqui nós aprendemos como a Luz nos conduz a essa Vida de onde ela decorre.”

Entende-se desta forma como a eventual condenação de alguém não deriva de um ato formal, de um “julgamento” de Deus, mas da própria recusa individual em acolher a Vida por Ele oferecida. “Aquele que não crê já está julgado” (cf. Jo 3,18), pois, “em presença da Luz, sua recusa em crer assume um significado positivamente mau: demonstra que o incrédulo está associado às trevas.”

Se não tivéssemos recebido a Revelação na pessoa de Jesus Cristo, ainda teríamos a “desculpa da ignorância”. Mas, uma vez iluminados pelo Evangelho, somos responsáveis pela opção que fazemos entre vida e morte, entre verdade e mentira, entre Luz e trevas. Esta é a pregação de Paulo no Areópago de Atenas: “Sem levar em conta os tempos da ignorância, Deus agora faz saber à humanidade que todos, em todo lugar, devem converter-se”. (At 17,30)

Não se pode negar: a recusa da fé é uma recusa do Amor…

Orai sem cessar: “Escolhi o caminho da verdade!” (Sl 119,30)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 3,7b-15

Publicado em 10 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

10/04/2018 – O Vento sopra onde quer… (Jo 3,7b-15)

Desde os primórdios de sua história, os homens sempre sonharam com uma liberdade sem limites. Sonhos de autodeterminação. Ilusões de onipotência. Desde a Queda das origens (cf. Gn 3), a tentação de escolher, determinar seu próprio caminho, fabricar sua própria lei, seduziu as pobres criaturas. Ainda que esse impulso acabasse em usurpação e autolatria… Ser como deuses (cf. Gn 3,5)…

Quando mais “ilustrado” o homem, quanto mais ele se apoia em sua própria sabedoria, quanto mais ele valoriza seus estudos, tanto maior será o risco da soberba que se recusa a ser guiada por outra Vontade. É a sina dos rebeldes, dos revolucionários e… dos loucos.

Neste Evangelho, temos um diálogo apaixonante entre Jesus, o aprendiz de carpinteiro, e Nicodemos, um mestre em Israel (cf. Jo 3,10). Ele se aproxima de Jesus no meio da noite. Por medo dos amigos fariseus – pensam uns… Para não ser interrompido por ninguém – entendo eu. Nicodemos abre a conversa partindo dos “sinais” dados por Jesus, os milagres cuja fama se espalhara pelo país. Jesus retruca em outra direção: a necessidade de “nascer do alto”, ou seja, de experimentar uma renovação interior que só ocorre como graça de Deus.

Um sábio, como Nicodemos, pretenderá sempre acomodar a realidade a seus conceitos e princípios, o que lhe permite controlar a situação e determinar seu próprio caminho. Jesus aponta em outra direção: só Deus é livre. Seu Vento – o Espírito Santo [spiritus / pneuma / ruah] sopra onde quer. Ou seja, é Deus quem toma a iniciativa. Nós somos sempre um segundo momento, a oportunidade da escuta e da resposta. Da acolhida e da obediência. Da abertura à novidade que o Espírito nos oferece.

Mas isto é muito arriscado. Não ter um motor próprio. Não seguir meu próprio mapa. Aceitar um mergulho no espaço, dotado apenas de uma asa-delta, mas à mercê do Vento que – somente Ele! – poderá determinar meu rumo e direção. Aonde chegarei? Que surpresas esperam por mim? Posso me entregar ao desconhecido?

A resposta está na vida dos santos. Na missão extraordinária de um Paulo apóstolo. No serviço fraterno aos leprosos de um Damião de Veuster. Na dedicação aos pobres de Teresa de Calcutá. Quando um sacerdote alertava Madre Teresa sobre os riscos de “seus planos”, ela retrucou: “Não é meu plano… É o plano de Deus!”

Não há outra forma de seguir ao Senhor: abandonar-se ao Vento…

Orai sem cessar: “Senhor, faz-me caminhar na tua verdade!” (Sl 25,5)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Lc 1,26-38

Publicado em 9 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

9/04/2018 – Virá sobre ti o Espírito Santo… (Lc 1,26-38)

O Evangelho de hoje nos convida a meditar sobre o momento sublime da Encarnação do Verbo de Deus. São Lucas narra o encontro do céu e da terra, o diálogo íntimo entre Deus e a Humanidade, representados, respectivamente, pelo Arcanjo Gabriel e pela Virgem Maria. O Mensageiro é portador de uma missão pessoal. Diante da pergunta de Maria, Gabriel acena com a intervenção direta do Espírito de Deus na vida dela, enquanto agente divino na Encarnação.

Transcrevo para você um trecho de meu livro “Sonetos do Agradecido” (Ed. O Lutador, BH): “Quando Maria ouve de Gabriel estas palavras, não pode deixar de evocar a nuvem do Êxodo, que cobria de luz o caminho dos hebreus e, mais tarde, encheria todo o espaço interior da Tenda de Reunião, tornando-a impenetrável. E a Virgem sabe que é chamada a resumir em sua pessoa todo Sião, e dar – em nome da assembleia das 12 tribos – um primeiro SIM, pleno e cabal, diante da Vontade de Yahweh.

Escolhida para esse momento ‘desde antes da fundação do mundo’, revestida (e in-vestida) de uma santidade ímpar, Maria é capaz dessa adesão total aos planos de Deus. Afinal, ‘os Padres da tradição oriental chama a Mãe de Deus a toda santa (Panhagia), celebram-na como ‘imune de toda mancha de pecado, como que plasmada pelo Espírito Santo, formada como nova criatura’. Pela graça de Deus, Maria permaneceu pura de todo pecado pessoal ao longo de toda a sua vida’.

O Espírito de Deus se mostra em todo o seu dinamismo em cada momento-chave da história da salvação. Muitos ícones, para representar esta ‘atividade pneumática’, traçam do alto (da nuvem) uma parábola luminosa que recai sobre a personagem agraciada, como no caso da ‘Natividade’: na sombra da gruta, o raio luminoso recai sobre a cabeça do Infante, no colo de Maria.

Assim, a revelação feita por Jesus a respeito de sua própria pessoa (cf. Lc 4, 1822, na sinagoga de Nazaré) enquanto ungida pelo Espírito Santo, diz respeito a uma realidade que remonta ao instante da Anunciação. Diante do assentimento da Virgem, ‘o Espírito Santo é enviado para santificar o seio da Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é ‘o Senhor que dá a Vida’, fazendo com que ela conceba o Filho Eterno do Pai em uma humanidade proveniente da sua’. (CIC, 485.)

Tudo porque Maria disse SIM.”
Orai sem cessar: “Se enviais o vosso Espírito, renovais a face da terra!” (Sl 104, 30)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Jo 20,19-31

Publicado em 8 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

8/04/2018 – E soprou sobre eles… (Jo 20,19-31)

Diante do grupo dos discípulos que ainda hesitam entre o medo dos judeus e a fé no Ressuscitado, Jesus se mostra inesperadamente diante de seus olhos. Ele percebe que estão tensos, respiração opressa, quase sem ar. Eles precisam de um novo hálito, um Sopro especial…

Ora, Jesus Cristo é o portador do Sopro. Pneumatóforo. Ele estava presente na Criação do primeiro homem, servindo de modelo ao Pai plasmador. E João, o autor deste Evangelho, diz claramente que Jesus “soprou” [no texto grego, enephysêsen]. Trata-se de um verbo raríssimo na Escritura, aparecendo no Gênesis (1,2; 2,7), quando o Criador “sopra” o espírito de vida nas narinas do primeiro homem, até então inerte boneco de barro, mas em seguida um “ser vivente”.

O mesmo verbo aparece ainda em Ezequiel 37, quando o Senhor convida o profeta a soprar sobre as ossadas calcinadas pelo sol do deserto, e os ossos se juntam, cobrem-se de carne, nervos e pele, e um exército de põe de pé, revivificado.

Na reflexão de André Scrima, “isto já nos permite compreender a intenção de João: trata-se de inaugurar a nova Criação por meio do Espírito a eles comunicado depois que Jesus os enviara ‘como’ o Pai o tinha enviado. O sopro do Espírito agora recebido é claramente explicado: ‘Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados’ (20,23). Esta transmissão do Espírito é, pois, ‘funcional’, destinada, em outros termos, a ajudar os discípulos a preencher uma função precisa, mas que é vasta e se liga a uma visão fundamental sobre o Espírito, que João com frequência nos deixa pressentir”.

Não se trata apenas de uma “missão”, observa Scrima, com vistas a fazer prosélitos, constituir uma nova organização. Trata-se de deixar agir o Espírito, discernindo entre aqueles que têm o conhecimento de Jesus e, assim, já não pecam por ignorância, e aqueles a quem falta esta consciência, o que será retido como um pecado.

Após a ressurreição e, a seguir, o Vento de Pentecostes, “o crente e a humanidade – comenta André Scrima – são levados pelo Espírito para o cumprimento que deve consagrar esta primeira comunicação feita ao mundo graças à morte e ressurreição de Cristo: ‘Pois ainda não havia o Espírito, porque Jesus ainda não fora glorificado’ (cf. Jo 7,39)”.

Enfim, na noite do primeiro dia da Ressurreição, o Sopro de Jesus antecipa, de algum modo, a Ventania universal que viria do céu no 50º dia após a Páscoa. É desse Vento que vive a Igreja. Só este Vento pode orientar a humanidade errante…

Orai sem cessar: “O Senhor sopra o vento e faz correr as águas…” (Sl 147,18)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

Evangelho do dia – Mc 16,9-15

Publicado em 7 de abril de 2018 \\ Evangelho do dia

7/04/2018 – Censurou sua dureza de coração… (Mc 16,9-15)

Depois de morto e sepultado, Jesus ressuscita, vencendo a morte, como ele mesmo anunciara antecipadamente (cf. Mt 16,21; 17,23; 20,19). Obviamente, os discípulos ouviram estes anúncios e não entenderam nada. A reação deles diante da morte de seu Mestre deixa claro que eles não alimentavam nenhuma esperança a respeito da ressurreição. Por isso mesmo, quando Jesus se manifesta vivo, eles reagem com espanto e descrença, chegando a confundi-lo com um fantasma (cf. Lc 24,37).

Depois de Jesus ser encontrado vivo por Maria Madalena e pelos dois discípulos de Emaús, o testemunho destes não foi capaz de convencer os demais seguidores, ainda dominados pelo medo e pela decepção. Neste Evangelho, Jesus se manifesta aos Onze, enquanto eles comiam. E Jesus foi duro com eles…

O evangelista Marcos anota que eles sofreram pesada censura do Mestre. O verbo grego utilizado no texto original – ôneidisen -expressa uma repreensão tão forte, que beira o insulto. O motivo de grave censura é a “dureza de coração” dos discípulos. No original grego, sklerocardia, algo como uma esclerose do coração, um endurecimento da alma petrificada pela falta de fé.

Curiosamente, o Antigo Testamento já falava dessa “doença” do espírito. O Salmo 119 se refere aos adversários do Senhor como gente que tem um “coração de sebo” (v.70). Como se uma espécie de colesterol da alma impedisse que a Boa Nova penetrasse nos corações fechados em si mesmos. Tal “entupimento” leva alguém a recusar o testemunho daqueles que “viram o Senhor”.

Na Carta aos Romanos, também Paulo se refere à falta de fé daqueles que recusaram a mensagem de Deus implícita na própria Criação. E observa que “eles se perderam em seus pensamentos fúteis, e seu coração insensato se obscureceu”. (Rm 1,21b)

Os Onze logo receberão um “sopro de Jesus”, transmitindo-lhes o Espírito Santo (cf. Jo 20,22), absolutamente necessário para reforçar-lhes a fé estremecida e desentupir os corações esclerosados.

Pedro, o instável, chamado a ser “rocha”, compreenderia depois a importância da fé, sem a qual a missão dos apóstolos seria impossível. “Graças à fé, e pelo poder de Deus, estais guardados para a salvação que deve revelar-se nos últimos tempos. Isso é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que no momento estejais por algum tempo aflitos, por causa de várias provações.” (1Pd 1,5-6)

Orai sem cessar: “Meu coração está pronto, ó Deus!” (Sl 57,7)

Texto de Antônio Carlos Santini, da Comunidade Católica Nova Aliança.

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