UM POUCO DA HISTÓRIA DE PORTUGAL
Existe em Viana do Castelo, Portugal, um Santuário
que é dedicado a Nossa Senhora da Agonia e está situado próximo do mar.
A Virgem Mãe foi invocada com o nome de Agonia pelos pescadores daquela cidade, em virtude
de estarem tantas vezes em perigo de naufrágio. O mar ali é bravio e quando movido
de tufões, atira as embarcações contra uma falésia denominada “Penedo Ladrão”.
As famílias dos pescadores, no cais, assistem angustiadas à luta de sobrevivência daqueles
homens. De joelhos, elas chamam pela Senhora da Agonia, numa fé comovedora. Lembram-Lhe
os seus maridos, filhos e irmãos, que além do amor que lhes votam, são o seu sustento.
Os pescadores da costa marítima nortenha ali vão implorar ou agradecer as vidas
que Esta Virgem Mãe lhes consegue.
Desde 1700, data da construção do Santuário, as peregrinações foram se sucedendo e aumentando de ano para ano. Assim, deram início
aos grandes festejos da Senhora da Agonia. Tão notável se tornou essa festa que
de muitas nações da Europa se desloca muita gente a Viana do Castelo. Não vem só
para implorar à Senhora, mas como turismo, assistindo aos fogos maravilhosos dos
pirotécnicos vianenses que, orgulhosamente, na sua terra os ostentam.
Estão, em primeiro plano, as cerimônias religiosas, que incluem uma Procissão marítima em
louvor a Senhora da Agonia, organizada por pescadores. É encantadora, original e
comovente.
Efetuam-se as grandes touradas, atraindo especialmente a gente espanhola
que anima com a sua vivacidade e alegria a cidade. Embora sejam divertimentos que
não traduzem devoção, no entanto, quem lá vai não deixa de visitar o Santuário,
rezar e homenagear a Virgem, que assumindo diversos nomes, é sempre a mesma e Grande
Mãe.
Este texto foi retirado de uma carta escrita pela Irmã Maria do Carmo da Santíssima
Trindade, nascida em Viana do Castelo e hoje enclausurada no Carmelo Santa Teresinha,
localizado na cidade de Benevides – PA.
Transcrevemos, a seguir, uma poesia escrita em 1957, cujo autor é o pai dessa irmã carmelita.
SEGREDO DA AGONIA
E A GENTE DO MAR
José Lomba
| 1. |
A Senhora da Agonia
Quis, ali, o seu olhar,
Para velar, noite e dia,
Pelos que partem e chegam
E que, com risco, navegam,
Por sobre as águas do mar;
E, quando ruge a procela
E sopra rija a ventania,
Ao entrar da barra, é Ela
Quem os ampara e os guia
Ali, da sua capela.
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| 2. |
Grosso, o mar tem vindo a mais...
E, as mulheres, muito aflitas,
Rompem aos gritos no cais
Ao ver a vida dos seus,
Em risco certo de morte;
Os braços erguem aos Céus
E, chorando a sua sorte,
De olhos postos na capela,
Ajoelhadas, contritas,
Imagens de dor, benditas,
Rogam, voltadas para Ela:
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| 3. |
- Minha Virgem da Agonia
Salvai, Senhora, o meu“home”!
Ai, se ele a vida perdia!...
Vai-se o pão de cada dia...
Morrem-se os filhos de fome!...
E todos tão pequeninos...
São já dez – afora o resto!
Tende dó dos meus meninos...
Cabem abaixo de um cesto
São do pai toda a alegria,
Desvelo dos seus carinhos...
Ó Senhora da Agonia,
Não deixeis – eu morreria!
Que me fiquem orfãozinhos!...
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| 4. |
Ó Senhora da Agonia,
Diz a mãe dum pescador,
Como Vós, eu fui, um dia,
Viúva, cheia de dor;
Na amargura dessa hora,
Ficou-me ao peito, Senhora,
Um fruto do meu amor;
É já hoje, um homenzinho...
Como o pai, vive a pescar,
Anda naquele barquinho,
Quase preste a naufragar!
Senhora , Vós fostes Mãe,
Como eu, de um Filho só;
Sofreste, como ninguém!
Foi, sem par, o Vosso dó;
Porque viste Teu Jesus
Morrer nos braços da Cruz;
E ali, nesse barquinho,
Vês, com a morte a lutar,
Um rapaz... é o meu filhinho!
Poupai-me, Senhora, a dor,
Que Tu já sofreste, um dia!
É, o meu filho... o meu amor.
Não o deixeis afogar,
Na grande cruz desse mar!
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| 5. |
Ouço uma noiva formosa,
Com olhos dum verde-mar,
Comovida, receosa,
Olhos fartos de chorar,
Em torrente copiosa,
Que as vagas vai engrossar,
A dizer, baixo, com ela:
- Ó vil “Penedo Ladrão”.
Virgem da Agonia,
Que o mar poderia
Prometo Senhora,
Levar-Te uma vela
No Vosso altar.
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| 6. |
O mar caiu, num momento;
E o barquinho a assoprar,
Com verga e velas partidas,
A bordo, com tantas vidas
Já cansadas de lutar
Contra o mar e contra o vento,
A Senhora da Agonia,
Já quase ao findar do dia,
Traz ao porto e salvamento.
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| 7. |
Passado que foi um dia
Dessa tormenta tamanha,
Toda a gente da campanha
Foi à Igreja da Agonia,
Levar a vela rasgada
Pela fúria do tufão;
Já envolta em lindas fitas,
Levemente perfumada
Por flores muito bonitas
Entre as quais brilhavam rosas
E camélias do Japão.
E, no mais chocante grito
De sincera devoção,
Cantando alto o “Bendito”,
Em preito de gratidão
Ha lembrar aquele dia,
As velas foram deixar
Estendida aos pés do altar
Da Senhora da Agonia.
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